Participar na Eucaristia de forma assídua e ardorosa
O Ano da Eucaristia já se encaminha rumo à sua fase conclusiva. Terminará no próximo mês de outubro, com a celebração da Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, a qual terá como tema: A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja.
João Paulo II e a Eucaristia
Este ano especial, dedicado ao Mistério eucarístico, foi desejado pelo querido Papa João Paulo II, para despertar de novo no povo cristão a fé, o entusiasmo e o amor por este grande Sacramento, que constitui o verdadeiro tesouro da Igreja.
Com quanta devoção ele celebrava a Santa Missa, centro de cada um dos seus dias!
E quanto tempo ele passava em oração adorante e silenciosa, diante do Tabernáculo! Nos últimos meses, a doença assimilou-o cada vez mais a Cristo sofredor.
Surpreende o pensamento de que, na hora da morte, ele pôde unir a oferta da sua própria vida à de Cristo na Missa, que se celebrava ao lado do seu leito.
A sua existência terrena terminou na Oitava de Páscoa, precisamente no coração deste Ano da Eucaristia, em que se realizou a passagem do seu grande Pontificado ao meu.
Portanto é com alegria que confirmo, desde o início deste serviço que o Senhor me pediu, a centralidade do Sacramento da presença real de Cristo na vida da Igreja e na vida de cada cristão.
Participar da Assembleia sinodal pela oração e reflexão
Em vista da Assembleia sinodal de outubro, os Bispos que participarão como membros estão a examinar o “Instrumento de trabalho”, especialmente preparado.
Peço, contudo, que toda a Comunidade eclesial se sinta comprometida nesta fase de preparação imediata e que participe com a oração e a reflexão, valorizando todas as ocasiões, eventos e encontros.
A Eucaristia e os jovens
Também na recente Jornada Mundial da Juventude houve um elevado número de referências ao mistério da Eucaristia.
Volto a pensar, por exemplo, na sugestiva Vigília da noite de sábado, 20 de agosto, em Marienfeld, que teve o seu momento culminante na adoração eucarística: uma escolha corajosa, que fez convergir os olhares e os corações dos jovens para Jesus, presente no Santíssimo Sacramento.
Além disso, recordo que durante aqueles dias memoráveis, nalgumas igrejas de Colônia, de Bonn e de Düsseldorf teve lugar a adoração contínua, de dia e de noite, com a participação de muitos jovens, que assim puderam descobrir em conjunto a beleza da oração contemplativa!
Formulo votos de que, graças ao compromisso dos Pastores e dos fiéis, a participação na Eucaristia seja cada vez mais assídua e ardorosa em cada comunidade.
Angelus, 04/09/2005.
A Eucaristia, Maria e a Cruz
Na próxima quarta-feira, 14 de setembro, celebraremos a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz.
Esta festa assume um significado especial no ano dedicado à Eucaristia: convida-nos a meditar no profundo e indissolúvel vínculo que une a Celebração Eucarística e o mistério da Cruz. Com efeito, cada Santa Missa atualiza o sacrifício redentor de Cristo.
O sinal da cruz, “sim” visível e público a Jesus
Ao Gólgota e à “hora” da morte na Cruz – escreveu o amado João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia – “volta espiritualmente todo sacerdote que celebra a Santa Missa, junto com a comunidade cristã que nela participa”.1
Portanto, a Eucaristia é o memorial de todo o mistério pascoal: Paixão, Morte, descida aos infernos, Ressurreição e Ascensão ao Céu; e a Cruz é a comovedora manifestação do ato de amor infinito com o qual o Filho de Deus salvou o homem e o mundo do pecado e da morte.
Por isso o sinal da cruz é o gesto fundamental de nossa oração, da oração do cristão.
Fazer o sinal da cruz – como faremos agora, ao receber a bênção – é pronunciar um “sim” visível e público Àquele que morreu por nós e ressuscitou, ao Deus que na humildade e debilidade de seu amor é o Todo-Poderoso, mais forte que todo o poder e inteligência do mundo.
A Eucaristia, mistério de morte e de glória
Depois da Consagração, a assembleia dos fiéis, consciente de estar na presença real de Cristo crucificado e ressuscitado, aclama: “Anunciamos a tua Morte, proclamamos a tua Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”
Com os olhos da Fé, a comunidade reconhece Jesus vivo com os sinais de sua Paixão e, como São Tomé, pode repetir cheia de assombro: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28).
A Eucaristia é mistério de morte e de glória como a Cruz, que não é um acidente, mas o passo pelo qual Cristo entrou em sua glória (cf. Lc 24, 26) e reconciliou a humanidade inteira, derrotando toda inimizade.
Por isso a Liturgia nos convida a rezar com confiança e esperança: “Mane nobiscum, Domine! – Ficai conosco, Senhor, que com vossa santa Cruz remistes o mundo!”
Maria nos ensina a viver a Santa Missa com fé e amor
Maria, presente no Calvário junto à Cruz, está presente também – com a Igreja e como Mãe da Igreja – em cada uma de nossas celebrações eucarísticas.2
Por isto, ninguém melhor do que Ela pode ensinar-nos a compreender e viver com fé e amor a Santa Missa, unindo-nos ao sacrifício redentor de Cristo.
Quando recebemos a sagrada Comunhão, também nós, com Maria e unidos a Ela, abraçamos o madeiro que Jesus, com seu amor, transformou em instrumento de salvação, e pronunciamos nosso “amém”, nosso “sim” ao Amor crucificado e ressuscitado.
Angelus, 11/09/2005.
A Eucaristia, Segredo da santificação dos sacerdotes
Aproximando-se de seu final o Ano da Eucaristia, gostaria de retomar um tema particularmente importante, que muito tocava o coração também de meu venerado predecessor João Paulo II: a relação entre a santidade – via e meta do itinerário da Igreja e de todo cristão – e a Eucaristia.
Antes de tudo, um adorador da Eucaristia
De modo especial, meu pensamento dirige-se hoje aos sacerdotes, para acentuar que exatamente na Eucaristia está o segredo da sua santificação.
Em virtude da sagrada Ordenação, o sacerdote recebe o dom e a obrigação de repetir sacramentalmente os gestos e as palavras com as quais Jesus, na Última Ceia, instituiu o memorial da sua Páscoa.
Entre suas mãos se renova este grande milagre de amor, do qual ele é chamado a tornar-se testemunha e anunciador sempre mais fiel.3
Eis o motivo pelo qual o presbítero deve ser antes de tudo adorador e contemplativo da Eucaristia, a partir do próprio momento em que a celebra.
Bem sabemos que a validade do Sacramento não depende da santidade do celebrante, mas a sua eficácia, para ele próprio e para os outros, será tanto maior quanto mais ele o viver com fé profunda, amor ardente, fervoroso espírito de oração.
Um homem cheio de zelo transforma um povo
Durante o ano, a Liturgia nos apresenta como exemplos santos ministros do Altar que atingiram a força da imitação de Cristo na intimidade quotidiana com Ele, na celebração e na adoração eucarística.
Há poucos dias celebramos a memória de São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla no fim do séc. IV.
Ele foi cognominado de “boca de ouro”, pela sua extraordinária eloquência; mas é chamado também de “doutor eucarístico” pela vastidão e profundidade da sua doutrina sobre o Santíssimo Sacramento.
A “divina liturgia” mais celebrada nas Igrejas orientais traz o seu nome; e a sua divisa: “basta um homem cheio de zelo para transformar um povo”, torna evidente quanto é eficaz a ação de Cristo através de seus ministros.
Em nossa época, destaca-se a figura de São Pio de Pietrelcina. Celebrando a Santa Missa, ele revivia com tanto fervor o mistério do Calvário que fortalecia a fé e a devoção de todos.
Até os estigmas da Paixão, que Deus lhe deu, eram expressão de íntima conformação com Jesus crucificado.
Pensando nos sacerdotes enamorados da Eucaristia, não se pode esquecer São João Maria Vianney, humilde pároco de Ars no tempo da Revolução Francesa.
Com sua santidade de vida e seu zelo pastoral, ele conseguiu fazer daquela pequena cidade um modelo de comunidade cristã animada pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos.
Dirigimo-nos agora a Maria, rezando de modo especial pelos sacerdotes do mundo inteiro, para que tirem deste Ano da Eucaristia o fruto de um renovado amor ao Sacramento que celebram.
Pela intercessão da Virgem Mãe de Deus, possam eles sempre viver e testemunhar o mistério que é posto em suas mãos para a salvação do mundo.
Angelus, 18/09/2005.
Eucaristia e Caridade
Continuando a reflexão sobre o Mistério Eucarístico, coração da vida cristã, quero hoje pôr em relevo o vínculo entre a Eucaristia e a caridade.
Caridade não significa antes de tudo o ato ou o sentimento benéfico, mas o dom espiritual, o amor de Deus que o Espírito Santo infunde no coração humano e que o leva a entregar-se por sua vez ao próprio Deus e ao próximo.
Toda a existência terrena de Jesus, desde a concepção até a morte na Cruz, foi um ato de amor, a ponto de podermos resumir nossa Fé nestas palavras: Iesus charitas, Jesus Amor.
Na Última Ceia, sabendo que havia chegado sua hora, o Divino Mestre ofereceu a seus discípulos o exemplo supremo do amor, lavando-lhes os pés, e confiou-lhes sua preciosa herança, a Eucaristia, na qual se concentra todo o mistério pascal.
Na Eucaristia, o Senhor se dá a nós com seu corpo, sua alma e sua divindade, e nós nos convertemos em uma só coisa com Ele e entre nós.
Nossa resposta a seu amor tem de ser, portanto, concreta, e deve exprimir-se numa autêntica conversão ao amor, no perdão, na recíproca acolhida e na atenção pelas necessidades de todos.
A Eucaristia torna-se assim a fonte da energia espiritual que renova o mundo no amor de Cristo.