Tratando-se duma associação recente, eu não imaginava que ela tivesse atingido, em tão pouco tempo, tão elevado nível de expansão.
Ao constatar o fato, não pude deixar de dar graças ao Senhor por esta obra dos Arautos do Evangelho, que vem enriquecer a já impressionante lista de novos Movimentos e Associações Laicais existentes na Igreja.
Como já tive ocasião de afirmar, são estes agrupamentos que estão contribuindo largamente para a renovação da Igreja, preconizada pelo Concílio.
Perante o alastrar do ateísmo e da indiferença religiosa, os Movimentos e Associações Laicais são uma invenção do Espírito Santo destinada a inverter o pendor descristianizante verificado no nosso continente.
Um poder imenso de atração
Comoveu-me o clima de alegria e entusiasmo deste encontro desde o princípio até ao fim. O que vi e experimentei confirmou-me na convicção, desde há muito em mim arraigada, de que Maria possui um poder imenso de atração sobre os corações.
Lembro-me da visita da Virgem Peregrina a Macau e de como a Senhora, através da instrumentalidade da sua imagem, conseguiu movimentar uma multidão imensa, deslumbrando-a com o fulgor do seu fascínio.
Ainda guardo na retina a imponente procissão de pessoas e automóveis que acompanharam a imagem da Senhora, rezando e cantando, alternadamente, nas duas línguas locais: chinês e português.
Algo de semelhante sucedeu nos Açores quando nos visitou a referida Imagem Peregrina. Penso que a Virgem é o instrumento de que Deus se serve para atrair as multidões para Cristo e para o Evangelho. Fátima é disso prova evidente.
Que eu saiba, ninguém até hoje conseguiu reunir em Portugal tão grandes multidões como a Senhora de Fátima.
Caminho do regresso à vivência da Fé
O mais importante, porém, são as transformações operadas nos corações pela mediação de Maria. Quantas almas têm reencontrado, através d’Ela, o caminho do regresso à vivência da fé.
Bem hajam, portanto, os Arautos do Evangelho pela importância que dão à mensagem de Fátima e, nomeadamente, à devoção ao Imaculado Coração de Maria.
São magníficas as promessas ligadas à vivência desta devoção! A própria Senhora declarou aos pastorinhos: “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação”.
Poder-se-á desejar mais e melhor por preço tão acessível? Poderá haver instrumento mais doce, meigo e terno para atrair as almas e os corações para Cristo? É verdade que o caminho de Maria não é um mar de rosas, mas uma estrada salpicada de espinhos.
Basta recordar a vida heróica dos Bem-aventurados pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco. Mas esses espinhos, uma vez aceitos e oferecidos por amor, são dulcificados pelo bálsamo que se desprende do Coração Imaculado de Maria.
Desfazendo um grande equívoco
Segundo algumas pessoas, a importância dada a Senhora na piedade cristã redundaria em prejuízo da centralidade devida a Cristo. Nada mais falso.
A verdadeira e autêntica devoção a Maria não é um substituto destinado a ocupar em nós o lugar de Cristo. É um meio poderosíssimo para nos conduzir a Ele.
Os Santos que mais se notabilizaram pelo seu amor a Jesus foram grandes devotos de Maria.
Afinal, foi este o caminho pelo qual os pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco, subiram tão alto e em tão pouco tempo que a Santa Igreja não hesitou em propô-los à nossa imitação, inscrevendo-os no rol dos Bem-aventurados.
Foram estes alguns dos pensamentos que me ocorreram quando participava, em Fátima, no último encontro nacional dos membros do Apostolado do Oratório do Coração Imaculado de Maria.