O Sacramento da penitência, que tem tanta importância na vida do cristão, torna atual a eficácia redentora do Mistério pascal de Cristo. No gesto da absolvição, pronunciada em nome e por conta da Igreja, o confessor se torna o canal consciente de um maravilhoso evento da graça.

Obedecendo com dócil adesão ao Magistério da Igreja, ele se faz ministro da consoladora misericórdia de Deus, evidencia a realidade do pecado e manifesta ao mesmo tempo o desproporcional poder renovador do amor divino, amor que devolve a vida.

A confissão é, portanto, um renascer espiritual que transforma o penitente numa nova criatura. Esse milagre da graça, apenas Deus o pode operar, e Ele o faz através das palavras e gestos do sacerdote.

Experimentando a ternura e o perdão do Senhor, o penitente é levado mais facilmente a reconhecer a gravidade do pecado, e se torna mais decidido a evitá-lo para permanecer e crescer na renovada amizade com Ele.

O confessor precisa de constante atualização 

Nesse misterioso processo de renovação interior, o confessor não é um espectador passivo, mas persona dramatis, isto é, instrumento ativo da misericórdia divina.

Portanto, precisa unir a uma boa sensibilidade espiritual e pastoral uma séria preparação teológica, moral e pedagógica que o façam capaz de compreender os fatos vividos pela pessoa.

É-lhe também utilíssimo conhecer os ambientes sociais, culturais e profissionais de quantos se aproximam do confessionário, para poder oferecer conselhos idôneos e orientações espirituais e práticas.

Não se esqueça o sacerdote de que nesse Sacramento ele é chamado a assumir o papel de pai, de juiz espiritual, de mestre e de educador.

Isso exige uma constante atualização: a isso se destinam também os cursos do assim chamado “foro interno” promovidos pela Penitenciaria Apostólica.

Essa responsabilidade exige uma espiritualidade alimentada pela oração

Caros sacerdotes, o seu ministério se reveste, sobretudo, de um caráter espiritual.

Portanto, é necessário unir à sabedoria humana e à preparação teológica um profundo veio de espiritualidade alimentada pelo contato orante com Cristo, Mestre e Redentor.

Em virtude da ordenação presbiteral, com efeito, o confessor realiza um peculiar serviço “in persona Christi”, com uma plenitude de dons humanos que são reforçados pela graça.

Seu modelo é Jesus, enviado pelo Pai; a fonte na qual se alimenta abundantemente é o sopro vivificante do Espírito Santo.

Diante de tão alta responsabilidade, as forças humanas são com certeza inadequadas, mas a humilde e fiel adesão aos desígnios salvadores de Cristo nos faz, caros irmãos, testemunhas da redenção universal por Ele operada, realizando o dito de São Paulo: “Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo (…) e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação” (2Cor 5, 19). 

A confissão é um serviço eclesial ao qual devemos dar prioridade

Para cumprir tal dever, devemos antes de tudo gravar em nós mesmos essa mensagem de salvação e deixar que ela nos transforme profundamente. Não podemos pregar aos outros o perdão e a reconciliação se não estamos pessoalmente compenetrados disso.

Se é verdade que em nosso ministério existem vários modos e instrumentos para comunicar aos irmãos o amor misericordioso de Deus, é na celebração desse Sacramento, porém, que podemos fazê-lo da forma mais completa e eminente.

Cristo nos escolheu, caros sacerdotes, para sermos os únicos a poder perdoar os pecados em seu nome: trata-se, então, de um específico serviço eclesial ao qual devemos dar prioridade.

Quantas pessoas em dificuldade buscam o conforto e a consolação de Cristo! Quantos penitentes encontram na confissão a paz e a alegria que procuravam há tempo!

Como não reconhecer que também em nossa época, marcada por tantos desafios religiosos e sociais, seja preciso redescobrir e repropor esse Sacramento?

Caros irmãos, sigamos o exemplo dos Santos, em particular daqueles que, como os senhores, se dedicavam quase exclusivamente ao ministério do confessionário.

Entre outros, São João Maria Vianney, São Leopoldo Mandic e, mais próximo de nós, São Pio de Pietrelcina. Que do Céu eles os ajudem a saber dispensar com abundância a misericórdia e o perdão de Cristo.

Que Maria, Refúgio dos pecadores, lhes obtenha a força, a coragem e a esperança de continuar generosamente essa sua indispensável missão. Eu lhes asseguro de coração minhas orações, enquanto com afeto a todos abençôo.

 

Discurso aos penitenciários das Basílicas Pontifícias Romanas, 19/2/2007. Tradução: Arautos do Evangelho.