A promessa feita por Nosso Senhor aos Apóstolos, antes da Ascensão – “Estarei convosco, todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20) – realiza-se, em certo sentido, na ininterrupta sucessão dos Papas.
Foi essa presença, quase se diria visível, de Nosso Senhor Jesus Cristo, que durante 48 horas transformou a cidade de Valência. Tal como na Palestina há dois mil anos, as multidões acorriam cheias de admiração para ouvir a Boa Nova e ver Jesus.
Foi essa emoção profunda que todos viveram à passagem da figura venerável de Bento XVI: É o Papa! O doce Cristo na terra!…
Mas a presença do Papa neste 5º Encontro Mundial das Famílias é também a expressão de seu desejo de estar “todos os dias” com cada um de seus filhos e filhas, em cada família, na sua, leitor, para animá-la a manter-se fiel ao Evangelho.
Também a de ser veículo de transmissão da Fé para os seus membros e para a sociedade. Por isso, ao se despedir, ele exclamou: “Levo-vos no meu coração”.
Um breve resumo da estada de Bento XVI no 5º Encontro Mundial das Famílias, em Valência, nos fará sentir mais vivamente o desejo do Santo Padre de que as famílias cristãs sejam fiéis à sua vocação de santidade.
“É o Papa! O Papa está chegando!”
Eram 11h30 da manhã de 8 de julho, em Valência. A multidão se acotovelava ao longo das ruas pelas quais passaria o cortejo papal rumo à Catedral.
A cidade estava inundada das cores branca e dourada, para saudar o Vigário de Cristo. As bandas de música, desde cedo, davam uma nota festiva a esta ensolarada manhã de verão.
De repente, algumas pessoas olharam para o céu e viram um avião escoltado por aeronaves militares. Ouviu-se um clamor: “É o Papa! O Papa está chegando!” Os sinos de todas as igrejas começaram a repicar, irromperam aplausos e houve um redobrar de entusiasmo.
Logo após o desembarque do ilustre visitante no aeroporto de Manises, os Reis da Espanha e toda a Família Real, junto com as autoridades nacionais e locais, deram-lhe uma calorosa recepção, com troca de afetuosas saudações e a execução do Hino Pontifício e da Marcha Real.
O poder de atração do Vigário de Cristo
Depois o cortejo papal dirigiu-se à estação do metrô onde, poucos dias antes, 42 pessoas haviam falecido num trágico acidente. Lá chegando, rezou pelas vítimas e por seus familiares. Os aplausos não cessaram enquanto o Papa esteve ali presente, e o público cantava: “Não estamos sozinhos, Bento está conosco”.
Retomando o caminho para o centro da cidade, ele foi acompanhado por cantos, aclamações e aplausos ininterruptos. Homens, mulheres, jovens, crianças e anciãos o saudavam e homenageavam.
Muitos choravam de emoção ao vê-lo passar. “Viva o Papa!” – era a exclamação que repercutia por todo lado. “Viva Bento XVI!” – gritavam mil vozes.
Foi indescritível o sucesso desse ancião que carrega sobre seus ombros o peso de toda a Igreja.
Era comum ouvir-se o comentário de que só o Papa e a Igreja têm esse poder de “convocatória” – que líder político, social, artístico, é capaz de mobilizar e entusiasmar tanta gente?
Todos estavam tomados de uma alegria evidentemente sobrenatural. Havia uma luz que se irradiava da augusta figura de Bento; era aquela mesma luz que de Belém, passando pelo Gólgota e por uma sucessão contínua desde São Pedro, chegava até Valência – o Lumen Christi.
Um milhão e meio de fiéis rezam com o Papa
Sua Santidade chegou à Catedral onde teve um encontro com o episcopado espanhol e entregou ao presidente da Conferência Episcopal uma mensagem aos Bispos do País.
Da Catedral, foi a pé até a Basílica de Nossa Senhora dos Desamparados, Padroeira de Valência.
Ali, Sua Santidade encantou os habitantes da cidade, dirigindo, em língua valenciana, uma prece a Nossa Senhora: “Ante a Geperudeta (termo carinhoso pelo qual eles designam sua Padroeira) quero dizer-Lhe: amparai-nos noite e dia em todas as necessidades, já que sois, Virgem Maria, a Mãe dos Desamparados”.
Estas palavras desencadearam uma interminável salva de palmas.
Ao ser avistada a figura do Pontífice, na praça, houve uma nova explosão de entusiasmo e alegria, à qual se somava o ondear elegante de milhares de bandeiras de muitos países, movendo-se nas mãos dos peregrinos.
Era a hora do Ângelus; quando se fez silêncio, ouviu-se a voz firme do Papa entoando a conhecida prece: “O Anjo do Senhor anunciou a Maria!” Após abençoar a multidão, foi para o Palácio Arquiepiscopal, onde ficou hospedado.
Às 17 horas, Bento XVI fez uma visita protocolar aos Reis da Espanha, que o esperavam no Palácio da Generalitat. O encontro com a Família Real foi muito cordial e quase familiar.
Ao voltar, decidiu ele cruzar a pé a Praça, em direção ao Palácio Arquiepiscopal, e foi alvo de novas manifestações de entusiasmo e carinho da população.
No fim da tarde, Sua Santidade dirigiu-se ao altar instalado na Ponte Monteolivete, onde se realizou um ato com testemunhos de diversas pessoas a favor da família, encerrado por um discurso do Papa.
Foi realmente emocionante para os cerca de um milhão e 500 mil fiéis que estavam presentes.
Por volta de meia-noite ele retirou-se, e os peregrinos começaram a vigília festiva e de oração pela família, a qual durou até as 9h30 do dia seguinte, quando teve início a Missa celebrada pelo Santo Padre.
A grande Missa de encerramento
Na manhã do dia 9, um milhão e 500 mil fiéis reuniram-se novamente na Ponte Monteolivete, para assistir à solene Missa com a qual o Papa encerraria o Encontro Mundial das Famílias.
Na Consagração, ele utilizou uma relíquia preciosíssima: o Santo Cálice da Última Ceia, que é venerado há muitos séculos na Catedral de Valência.
O gigantesco altar tinha 2.700 metros quadrados de superfície na parte central, mais 2.500 na área perimetral. A um lado, estava a imagem de Nossa Senhora dos Desamparados, Padroeira de Valência, alvo de grande devoção na cidade.
Muitos casais que estavam celebrando bodas de ouro foram colocados em um lugar destacado, atrás do altar, decorado com milhares de flores brancas e amarelas, cores da bandeira pontifícia.
Participaram da cerimônia litúrgica 50 Cardeais, 450 Bispos e três mil sacerdotes, além dos monarcas espanhóis e numerosas autoridades civis.
No início da Missa, o Arcebispo de Valência, Dom Agustín García Gasco, dirigiu ao Santo Padre umas breves palavras de saudação e agradecimento.
Nesta encruzilhada dos tempos, Vossa Santidade disse recentemente que o amor é a única revolução capaz de salvar o mundo e o homem.
Queremos que este 5º Encontro se converta, com vosso discurso de ontem às famílias e vossa homilia desta manhã, em ponto de partida de novas e mais diretas formas de comunicação do Magistério para todas as famílias do mundo.
Durante a homilia, as palavras do Santo Padre foram acolhidas em numerosas ocasiões com aplausos pelos assistentes:
A família, baseada no matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher, exprime uma dimensão relacional, filial e comunitária, e é o âmbito onde o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de um modo integral.
Após a Celebração, o Papa rezou o Ângelus e anunciou que o 6º Encontro Mundial das Famílias será realizado em 2009, na cidade do México.
Momento especialmente emocionante foi o da despedida, no aeroporto. Em breves palavras à multidão ali reunida para um último encontro e uma derradeira bênção, disse o venerável Pontífice:
Obrigado por vossa presença aqui. Viestes de todos os continentes do mundo, afrontando não poucos sacrifícios e oferecendo-os ao Senhor. Levo-vos comigo em meu coração. Meus sentimentos se unem à minha prece para que o Todo-Poderoso vos abençoe hoje e sempre.