Na abadia de Maria Refugie da cidade holandesa de Uden, uma religiosa da ordem fundada por Santa Brígida despertou fortemente a atenção de alguns Arautos do Evangelho em missão nesse país.

Jovem e inteligente, ela levava uma vida apagada aos olhos do mundo, cheia de austeridades e sacrifícios. Entretanto, seu rosto irradiava constantemente alegria e felicidade.

Como explicar esse paradoxo? A própria freira – Irmã Bernadete, vice-priora do mosteiro – lhes deu a resposta.

Arautos do Evangelho: Como a Irmã conheceu sua vocação?

Irmã Bernadete: Com uma experiência semelhante à de São Paulo a caminho de Damasco. Meus pais eram bons católicos, mas eu não era católica praticante.

Em 1992 acompanhei minha mãe em uma peregrinação a Lourdes. Eu tinha curiosidade de ver o corpo incorrupto de Santa Bernadete em Nevers, quanto ao resto da peregrinação, interessava-me menos.

Quando desci do ônibus em frente ao convento onde a Santa viveu durante tantos anos, passava-se comigo algo de estranho, que eu não conseguia entender.

Entrei na capela e vi o corpo de Santa Bernadete, tive a intenção de aproximar-me, venerar as relíquias rapidamente e sair. Porém, não consegui: caí de joelhos e chorei muito durante uns 20 minutos.

Mais tarde tentei acender umas velas em homenagem à Santa numa pequena gruta fora da capela, mas não consegui. Minha mãe também não entendia o que estava acontecendo comigo.

Já na viagem de retorno, fiz uma chamada telefônica para romper com algumas amizades mundanas. Só me interessava então por assuntos religiosos, sobre a Fé, a bíblia, etc.

De retorno à minha cidade, comecei a frequentar a igreja diariamente e decidi tornar-me freira. Foi uma decisão difícil para os meus pais, pois sou filha única, porém, aceitaram o fato, vendo minha alegria ao tomar essa resolução. 

Arautos: A Irmã leva uma vida austera e sacrificada. Porém, está sempre contente. Qual é o segredo dessa alegria?

Irmã Bernadete: Olhando para o crucifixo que temos no coro, entendi o amor infinito de Deus para cada um de nós. Ele deu-se inteiramente a nós.

Decidi retribuir a esse amor infinito seguindo as suas pegadas, fazendo o que Ele quer, atendendo os seus desejos e não querendo jamais apartar-me d’Ele. Não é fácil, porém, com ajuda da graça, não é impossível. E creio que aqui está o segredo da minha felicidade.

Arautos: A irmã teria uma mensagem especial para os jovens?

Irmã Bernadete: Sim, claro. Somente cumprindo os desejos de Deus para cada um de nós é que seremos felizes. Ele não nos pede uma vida fácil. Veja os Santos, todos eles tiveram de lutar para fazer a vontade de nosso Criador.

Porém, o amor deles era mais forte do que as dificuldades. A única coisa importante na vida é fazer a vontade de Deus, nunca a nossa, e seguir-Lhe os passos.

Jovens, nunca sigais vossos caprichos, mas aquilo que Jesus quer de vós. E assim sereis muito felizes nesta vida e na vida futura.