Como outrora o Apóstolo Tomé, incontáveis homens de nosso século estão sempre propensos a tomar uma atitude de ceticismo ante as maravilhas da Religião. Querem provas.

E Deus muitas vezes condescende em dá-las de modo inegável, como o Santo Sudário de Turim e a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe estampada no rústico manto do índio Juan Diego.

O milagre eucarístico de Lanciano é uma dessas manifestações da divina bondade.

Lá estão, guardados há mais de doze séculos, um pedaço de carne e cinco fragmentos de sangue solidificado.

Uma tradição multissecular, corroborada por importantes documentos, atesta que se trata da Carne e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, surgidos da hóstia e do vinho consagrados no ano de 750.

Mas, para o homem cético de nossos dias, que valor têm essa tradição e esses documentos? Vale a pena conhecer o pronunciamento da Ciência moderna a respeito.

A opinião de um conceituado cientista

Já nos anos de 1574, 1637, 1770 e 1886 essas relíquias foram objeto de investigações de especialistas, com os deficientes recursos técnicos de cada época.

Em 1970 o Arcebispo de Lanciano, Dom Perantoni, e o Padre Provincial dos franciscanos conventuais de Abruzzos decidiram submetê-las a um novo e rigoroso exame científico. 

A tarefa foi confiada ao Dr. Eduardo Linoli, professor de Anatomia, de Histologia, de Química e de Microscopia Clínica, coadjuvado pelo Prof. Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena.

O Dr. Linoli extraiu parcelas das sagradas relíquias em novembro de 1970, para fazer as análises em laboratório. Quatro meses depois, ele apresentou um relatório detalhado dos vários testes efetuados. Resumidamente, suas conclusões estão descritas a seguir.

Não há como negar que se trata de carne verdadeira de um coração humano, constituída do tecido muscular estriado do miocárdio. O sangue também é verdadeiro, de natureza humana. Ambos, carne e sangue, pertencem ao grupo sanguíneo AB. 

Este dado foi complementado pelo Dr. Linoli no mês passado, numa entrevista à conceituada agência católica Zenit.

Declarou ele que “o grupo sanguíneo é o mesmo do homem do Santo Sudário de Turim, e é particular porque tem as características de um homem que nasceu e viveu nas zonas do Oriente Médio”.

As proteínas contidas no sangue estão divididas normalmente, em proporções percentuais idênticas às do sangue fresco comum.

E não há indício algum de sal ou de substâncias conservantes utilizadas na antiguidade com a finalidade de mumificação. 

O Prof. Linoli descarta ainda a hipótese de o pedaço de carne ter sido extraído do coração de um cadáver.

Esclarece ele que somente uma mão especializada em dissecação anatômica teria podido fazer um corte uniforme de uma víscera côncava e tangencial à superfície dessa víscera.

Ademais, se o sangue tivesse sido extraído de um cadáver, se teria rapidamente alterado, por deliquescência ou putrefação.

Conclusões confirmadas por uma comissão da OMS

O relatório do Prof. Linoli foi publicado em Quaderni Sclavo in Diagnostica1 e despertou grande interesse no mundo científico.

Em 1973, o Conselho Superior da Organização Mundial da Saúde nomeou uma comissão científica para conferir as conclusões do médico italiano.

Em 15 meses de trabalho, ela efetuou um total de 500 exames e, no final, confirmou os resultados publicados pelo Dr. Linoli. 

Quanto à natureza do pedaço de carne, a Comissão declarou tratar-se de um tecido vivo porque responde rapidamente a todas as reações químicas próprias aos seres vivos.

Reconheceu também que a conservação dessas relíquias ao longo de mais de doze séculos não é explicável cientificamente.

Pode-se, pois, afirmar com toda certeza que a Ciência, chamada a testemunhar, deu um seguro apoio à crença da autenticidade do Milagre Eucarístico de Lanciano.

 


1 1971, fasc. 3, Gráfica Meini, Siena.