A medalha Pro Ecclesia et Pontifice vem para mim, e para as Sociedades de Vida Apostólica que temos a honra de conduzir, num momento muito oportuno.

Ela nos enche de alegria porque no sermão de Vossa Eminência ficou patente um ponto muito ressaltado do nosso carisma, que é a devoção a Nossa Senhora. 

Temos um empenho total de uma entrega completa em relação a Ela. E o sermão de Vossa Eminência não poderia ser mais lógico e cheio de sabedoria, no referente a esse dado fundamental.

Um Arcebispo heroico

O Cardeal acaba de falar do heroísmo de outros que aqui se encontram no dia de hoje.

Porém, ele mesmo foi um grande herói porque nasceu e se desenvolveu sob regime comunista, na Eslovênia, sofrendo perseguições. Tem um irmão, Andrej Rodé, que foi mártir do comunismo. 

Ele próprio, Cardeal, teve de sair do país. Quando regressou, o fez como Arcebispo de Liubliana.

Ali, ele enfrentou todas as dificuldades, deixando a bandeira da Igreja Católica Apostólica Romana, não só elevada, mas sobretudo com um brilho que ela não tinha antes de nosso Eminentíssimo Cardeal ter governado essa Arquidiocese.

Carisma para conhecer e conduzir as almas 

Ele tem um carisma para conhecer e conduzir as almas, ou seja, o discernimento dos espíritos. O carisma é uma dádiva gratis data por Deus com vistas a beneficiar terceiros.

E tenho observado o quanto o nosso Cardeal é assistido pelo Espírito Santo, na sua função de Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o quanto ele analisa e sabe pesar as coisas.

Ele tem as fórmulas perfeitas. É um homem de passos firmes, mas macios, de mãos também muito enérgicas, mas cheias de suavidade, e sabe resolver situações com uma categoria única. 

Uma palavra sobre a nossa devoção ao Papa

Além do dito a respeito do Cardeal, é indispensável dedicar umas palavras à Cátedra de Pedro, da qual me vem esta honrosa medalha. 

Eu fui formado por um líder católico do Brasil, Plinio Corrêa de Oliveira, que, entre muitas outras virtudes, ensinou-me a amar o Papa.

Em um artigo no Legionário, na época órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo, ele externa de forma belíssima o que está no meu coração e no de todos os Arautos a respeito do Papa:

Tudo quanto na Igreja há de santidade, de autoridade, de virtude sobrenatural, tudo isto – mas absolutamente tudo sem exceção, nem condição, nem restrição – está subordinado, condicionado, dependente da união à Cátedra de Pedro.

As instituições mais sagradas, as obras mais veneráveis, as tradições mais santas, as pessoas mais conspícuas, tudo enfim que mais genuína e altamente possa exprimir o Catolicismo e ornar a Igreja de Deus, tudo isto se torna nulo, estéril, digno do fogo eterno e da ira de Deus, se separado do Sumo Pontífice.

Conhecemos a parábola da videira e dos sarmentos. Nessa parábola, a videira é Nosso Senhor Jesus Cristo, os sarmentos são os fiéis.

Mas como Nosso Senhor Se ligou de modo indissolúvel à Cátedra Romana, pode-se dizer com toda segurança que a parábola seria verdadeira entendendo-se a videira como a Santa Sé, e os sarmentos como as várias dioceses, paróquias, Ordens Religiosas, instituições particulares, famílias, povos e pessoas que constituem a Igreja e a Cristandade.

Isto tudo só será verdadeiramente fecundo na medida em que estiver em íntima, calorosa, incondicional união com a Cátedra de São Pedro.1

O amor a Cristo e ao Papa se confundem

Continua ele:

“Incondicional”, dissemos, e com razão. Em moral, não há condicionalismos legítimos. Tudo está subordinado à grande e essencial condição de servir a Deus. Mas, uma vez que o Santo Padre é infalível, a união a seu infalível magistério só pode ser incondicional.

Por isto, é sinal de condição de vigor espiritual, uma extrema susceptibilidade, uma vibratilidade delicadíssima e vivaz dos fiéis por tudo quanto diga respeito à segurança, glória e tranquilidade do Romano Pontífice.

Depois do amor a Deus, é este o mais alto dos amores que a Religião nos ensina. Um e outro amor se confundem até.

Quando Santa Joana d’Arc foi interrogada por seus perseguidores que queriam matá-la, e que para isto procuravam fazê-la cair em algum erro teológico, por meio de perguntas capciosas, ela respondeu: “Quanto a Cristo e à Igreja, para mim são uma só coisa”.

E nós podemos dizer: “Para nós, entre o Papa e Jesus Cristo não há diferença”. Tudo o que diga respeito ao Papa diz respeito direta, íntima, indissoluvelmente, a Jesus Cristo.2

A presença do Cardeal nos une mais ao Papa

De fato, estamos inteiramente unidos ao Papa. Esta medalha é símbolo dessa união, e para mim tem um grande valor. 

Porém, mais do que esta condecoração, faz-me sentir a união com o Santo Padre a pessoa deste Cardeal posto pela Providência em nosso caminho.

Cardeal, nós sabemos, vem do latim de cardo, cardinis, que significa gonzo, dobradiça. A porta gira, abre e fecha em dobradiças e o termo “cardeal” tem origem nesta imagem: os cardeais são as “dobradiças” que ligam o mundo ao Papa. 

Por isso, as palavras de Vossa Eminência e todo o carinho manifestado nesta ocasião, esta cerimônia, a medalha Pro Ecclesia et Pontifice, marcarão a fundo a história dos Arautos do Evangelho, da Sociedade Virgo Flos Carmeli, da Sociedade Regina Virginum e de outras instituições que surgirem no futuro. 

Na base de tudo isso está a figura de nosso queridíssimo Cardeal. O nosso coração tem gravado por dentro, indelevelmente, o nome de Franc Rodé!

 

Excertos das palavras de agradecimento de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A Guerra e o Corpo Místico. In: O Legionário, 16/04/1944.
2 Idem, ibidem.