Por iniciativa do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, e organizado pela Arquidiocese de Madri, realizou-se nas modernas instalações da Instituição Teresiana, em Los Negrales, nas cercanias de Madri, o Primeiro Congresso Mundial das Televisões Católicas.
Esse grande evento contou com 250 participantes de 48 países. Além desses, muitos outros que se inscreveram na última hora tiveram de contentar-se em segui-lo pela internet.
A presença de mais de 100 jornalistas espanhóis e estrangeiros acreditados demonstra quanto o tema era esperado e necessário, sobretudo tomando-se em consideração que se calcula haver mais de mil instituições televisivas católicas no mundo.
Estiveram presentes o Cardeal Rouco Varela, Arcebispo de Madri; Dom John Patrick Foley, Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais; o Cardeal Bernard Agré, Arcebispo emérito da Costa do Marfim; Dom Manuel Monteiro de Castro, Núncio Apostólico na Espanha.
Também estiveram diversos Bispos e encarregados dos meios de comunicação social do Episcopado espanhol, e autoridades da Municipalidade de Madri.
Tratando-se de um Congresso católico, a celebração da Sagrada Eucaristia era sempre o primeiro ato do dia.
Bento XVI: as televisões católicas devem ser “fiéis à sua identidade católica”
Iniciando os trabalhos, foi lida uma mensagem do Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado de Sua Santidade, transmitindo os votos do Santo Padre para esse encontro:
A Igreja se pergunta agora, não mais se deve usar os meios de comunicação, mas como usá-los para cumprir melhor e fielmente o mandato missionário de Cristo. […]
É necessária, pois, uma grande unidade entre a Santa Sé e os Episcopados para animar e sustentar essas instituições televisivas – e as que surjam no futuro –, orientando-as de modo que sejam fiéis à sua identidade católica.
“Deter e superar a ambiguidade informativa”
Ao dar as boas-vindas aos participantes, o Cardeal Rouco Varela destacou que, através da televisão, o anúncio do Evangelho pode chegar quantitativamente a lugares, ambientes e pessoas não atingíveis por outras vias de comunicação, tradicionais ou não.
Segundo explicou, a vivacidade e plasticidade expressivas, próprias do meio televisivo, podem informar e formar o telespectador com uma “positividade em seus conteúdos e uma capacidade dialética” capazes de “deter e superar a falsidade e ambiguidade informativa” em torno das verdades centrais da Fé e dos acontecimentos da vida da Igreja.
Nenhum outro meio de comunicação social tem essa capacidade.
“Vida pessoal e coletiva concorde com o Evangelho”
Dom John Patrick Foley comentou como há anos se vem sentindo a necessidade de um encontro amplo das instituições católicas de televisão.
Ele fez uma ressalva: não podemos limitar-nos a difundir alguns programas de conteúdo católico, mas precisamos ter, “antes de tudo e sobretudo, uma vida pessoal e coletiva concorde com o Evangelho”.
Devemos fazer refulgir na mídia a catolicidade
Dom Eugênio Romero Pose, Bispo auxiliar de Madri e professor do Seminário de São Dâmaso, encarregou-se de transmitir os aspectos doutrinários do significado de uma televisão católica.
Em sua brilhante conferência, discorreu sobre os deveres da catolicidade, a qual “impõe exigências muito próprias e singulares no âmbito da Comunicação”, e em concreto nos meios audiovisuais.
Para Dom Eugênio, os católicos devem deixar patente que sua identidade é inseparável de sua pertença eclesial, ressaltando sobretudo a nota da catolicidade.
Hoje, disse ele, “estamos sendo cobrados pelo que São Panciano escrevia na Hispania do século IV: ‘Meu nome é cristão e meu sobrenome, católico’. O qualificativo de católico é que o torna visível”.
Assim devemos fazer refulgir na mídia nosso nome de atribuição, de pertença à Igreja Católica e, desse modo, “não será desfigurada a mensagem evangélica”.
A santidade como meta da evangelização e comunicação
Dom Eugênio abordou um tema que, para alguns, pode parecer surpreendente: a necessidade de a mídia católica viver e propagar o ideal de santidade.
Pois, para que a presença dos cristãos seja efetiva nos meios de comunicação, é “imprescindível a firme profissão da Fé, que conduz à santidade”.
A singularidade cristã não ficará patente na mídia se não for apresentada “a imagem da santidade, a figura dos Santos”.
Recordou também que a missão essencial da Igreja é “a evangelização de todos os homens e de todos os povos”, sempre em nome de Jesus Cristo, para a salvação da humanidade.
Lembrou ainda Dom Eugênio que “um dos mais urgentes desafios para os católicos na mídia” é o de dar resposta adequada ao problema do pluralismo religioso.
Isso no âmbito de um pluralismo cultural relativista que ameaça a vida, a instituição familiar, seculariza a consciência, fragmenta a ética e nega ou relativiza o significado da afirmação da unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja.
Mais adiante, o conferencista ressaltou que o Magistério recente da Igreja “afeta de cheio os católicos que são porta-vozes da comunidade ante o mundo, para que não fragmentem a correta concepção teológica católica”.
E a confissão de catolicidade da parte do comunicador católico será tal que “não poucas vezes o conduzirá ao martírio”.
Dom Eugênio concluiu lembrando que a evangelização nunca é uma simples comunicação intelectual, nem o resultado de programas e estratégias, mas sim um processo vital, uma transformação, uma conversão de nossa existência.
Para isso, acrescentou, é preciso não esquecer que “a catolicidade tem sua bússola e seu centro estável no ministério do Sucessor de Pedro”.
E argumentou com estas palavras do então Cardeal Ratzinger: “Uma Igreja que só quer ser ‘católica’ sem ter parte com Roma, perde precisamente por isso sua catolicidade”.
Essa foi a base teológica e doutrinária sobre a qual se desenvolveu o Congresso.
Projetos para aumentar a colaboração e eficiência
Dois projetos se destacaram por despertar mais interesse e suscitar mais intervenções dos participantes.
O primeiro foi a criação de um Banco de Programas Católicos, a ser utilizado por todas as televisões e produtoras católicas do mundo.
Para depositar nesse banco um programa, a produtora teria de apresentar uma carta do Bispo local ou do encarregado diocesano, certificando que é um programa católico. Outro requisito essencial seria a exigência de muita qualidade de produção.
Esse projeto favoreceria a divulgação de inumeráveis programas que, de outro modo, não chegariam ao conhecimento de todos os católicos. Mas alguns levantaram dúvidas sobre sua viabilidade.
O segundo, muito mais ousado, conta com o apoio do Pe. Federico Lombardi, diretor do Centro Televisivo Vaticano e porta-voz do Papa.
Esse projeto está sendo levado adiante pela equipe da Agência Zenit, dirigida brilhantemente pelo jornalista Jesus Colina, que foi quem o apresentou.
Um grande lance nos meios de informação católicos, através da Internet, televisão, rádio e celular, transmitindo notícias em tempo real e centradas na pessoa e nos ensinamentos do Papa.
Sem dúvida, um projeto gigantesco que colocará os serviços de informação católicos em condições de competir eficazmente com as grandes empresas noticiosas do mundo.