Quem visitou a cidade de Lourdes, na França, certamente já teve sua atenção atraída por um castelo medieval que domina toda a região.

Contudo, poucos são os conhecedores de sua história e de sua senhora feudal. Tal dama o conquistou de um pagão, chamado Mirat, no início do século IX, mediante a ajuda de um virtuoso Bispo e de um grande imperador.

Carlos Magno estava com seu exército no Condado de Horre. Já havia sitiado várias cidadelas, cujas débeis tentativas de resistência pouco ou nada adiantaram contra seu braço implacável.

A única praça que ainda se sustentava mediante um interminável cerco era Mirambel, pois, além de se encontrar em um local estratégico, pertencia a Mirat, guerreiro experimentado e de valor.

O imperador esteve a ponto de levantar o cerco, por julgá-lo inútil, mas o Bispo de Puy-en-Velay interveio, afirmando que convenceria Mirat a entregar a fortaleza.

Com a anuência de Carlos Magno, o Bispo partiu como embaixador a fim de iniciar as tratativas.

Após longas discussões, o duro coração do guerreiro pagão abrandou-se, e o prelado fez-lhe então a proposta que desde o início desejava apresentar: “Já que não quereis ceder vosso castelo ao imperador, cedei-o a uma Senhora incomparavelmente superior e mais dadivosa, a Rainha do Céu e da terra, Maria Santíssima, Senhora de Puy!”

Mirat, assumido pela graça, concordou e pediu o Batismo, que em pouco tempo realizou-se na catedral de Puy. Na mesma ocasião foi armado cavaleiro e escolheu o nome de Lorus, o que mais tarde legou a denominação de Lourdes ao seu feudo, ou melhor, ao de Nossa Senhora.

Daí em diante, até a Revolução Francesa, todos os condes de Horre passaram a pagar anualmente, na mesma catedral, um tributo a Maria Santíssima.

Portanto, quando Nossa Senhora revelou-Se enquanto a Imaculada Conceição, Ela quis fazê-lo num local de que era oficialmente Senhora feudal!