As saborosas receitas da variada culinária portuguesa muitas vezes se ligam a fatos históricos ou são fruto de grandes cozinheiros que legaram à posteridade alguns de seus conhecimentos. Entre eles se destaca o Abade de Priscos.

Nascido em 29 de março de 1834, no concelho de Vila Verde, Braga, fez nessa cidade seus estudos teológicos. Foi responsável por diversas paróquias até estabelecer-se em Priscos por 47 anos. Faleceu em 24 de setembro de 1930. 

Apesar de ser dedicado pároco, ele é lembrado na História por seus incomuns dotes culinários.

Para dar um toque original aos seus pratos, costumava percorrer os montes de sua Braga natal para colher ervas selecionadas. Eram também dignas de nota suas sobremesas, entre as quais cabe destacar o célebre Pudim do Abade de Priscos.

Sua fama como chef foi se difundindo, a ponto de o seu Arcebispo encarregá-lo dos banquetes oficiais da arquidiocese.

Quando o rei Luís I de Portugal visitou Póvoa de Varzim, a 3 de outubro de 1887, este sacerdote foi convidado pelas autoridades locais a dirigir o banquete de recepção.

Na ocasião foi servido um delicioso prato, cujo sabor nenhum dos presentes conseguiu identificar. 

Dom Luís, notório gourmet, quis conhecer a composição dessa novidade culinária. Grande foi a surpresa geral ao se saber tratar-se, nada mais, nada menos, de… palha!

Ficava assim comprovado como o êxito de um prato depende mais da arte do cozinheiro que da matéria-prima utilizada, e que mesmo com poucos recursos se pode comer com qualidade.