Celebra-se hoje a memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria invocada com o título: “Rainha”. É uma festa de instituição recente, embora sejam antigas a sua origem e devoção. […]

Mas agora perguntemo-nos: o que quer dizer Maria Rainha? É só um título unido a outros, a coroa, um ornamento com outros? O que quer dizer? O que é esta realeza?

Como já se indicou, é uma consequência do seu estar unida ao Filho, do seu estar no Céu, isto é, em comunhão com Deus; Ela participa na responsabilidade de Deus pelo mundo e no amor de Deus pelo mundo. 

Jesus foi proclamado Rei na Cruz

Existe uma ideia vulgar, comum, de rei ou rainha: seria uma pessoa com poder e riquezas. Mas este não é o tipo de realeza de Jesus e de Maria.

Pensemos no Senhor: a realeza, o ser rei de Cristo está imbuído de humildade, serviço e amor: é sobretudo servir, ajudar e amar. 

Recordemos que Jesus foi proclamado rei na Cruz com esta inscrição redigida por Pilatos: “rei dos judeus” (cf. Mc 15, 26). Naquele momento na Cruz mostra-se que Ele é rei; e como é rei?

Sofrendo conosco, por nós, amando até ao fim, e assim governa e cria verdade, amor e justiça. Ou pensemos também noutro momento: na última Ceia inclina-se para lavar os pés aos seus.

Portanto, a realeza de Jesus nada tem a ver com a dos poderosos da Terra. É um rei que serve os seus servidores; assim demonstrou durante toda a sua vida. 

E o mesmo é válido para Maria: é rainha ao serviço de Deus e da humanidade, é rainha do amor que vive o dom de si a Deus para entrar no desígnio da salvação do homem.

Ao Anjo, responde: Eis-me, sou a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38), e no Magnificat canta: Deus considerou a humildade da sua serva (cf. Lc 1, 48). Ela auxilia-nos.

É rainha precisamente amando-nos, ajudando-nos em todas as nossas necessidades; é a nossa irmã e serva humilde.

Confiemo-nos à Rainha Celeste

E assim já chegamos ao ponto: como exerce Maria esta realeza de serviço e amor?

Velando sobre nós, seus filhos: os filhos que se dirigem a Ela na oração, para Lhe agradecer ou para Lhe pedir a sua tutela maternal e a sua ajuda celestial, talvez depois de se ter extraviado pelo caminho, oprimidos pela dor ou angústia, pelas vicissitudes tristes e difíceis da vida.

Na serenidade ou na escuridão da existência, dirijamo-nos a Maria, confiando-nos à sua intercessão contínua, para que do Filho nos possa alcançar toda a graça e misericórdia necessárias para o nosso peregrinar ao longo das sendas do mundo. 

Àquele que rege o mundo e tem nas suas mãos o destino do universo dirijamo-nos confiantes, por meio da Virgem Maria.

Ela, desde há séculos, é invocada como Rainha dos Céus; oito vezes, depois da recitação do santo Rosário, é implorada nas ladainhas lauretanas como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos e das Famílias.

O ritmo destas antigas invocações e preces diárias, como a Salve Regina, ajuda-nos a compreender que a Virgem Santa, como nossa Mãe ao lado do Filho Jesus na glória do Céu, está sempre conosco, no curso cotidiano da nossa vida.

Portanto, Rainha é título de confiança, alegria e amor. E sabemos que Aquela que tem nas suas mãos em parte o destino do mundo é boa, nos ama e nos ajuda nas nossas dificuldades.

Caros amigos, a devoção a Nossa Senhora é um elemento importante da vida espiritual. Na nossa oração, não cessemos de nos dirigir com confiança a Ela.

Maria não deixará de interceder por nós junto do seu Filho. Olhando para Ela, imitemos a fé, a disponibilidade completa ao desígnio de amor de Deus, o acolhimento generoso de Jesus.

Aprendamos a viver de Maria. Maria é a Rainha do Céu próxima de Deus, mas é também a Mãe que está perto de cada um de nós, nos ama e ouve a nossa voz. 

 

Excertos da Audiência Geral em Castel Gandolfo, 22/8/2012.