Passaram-se 550 anos desde 5 de janeiro de 1457, quando o Cardeal Domenico Capranica, Arcebispo de Fermo, fundou o Colégio que tomou o seu nome, destinando para isso todos os seus bens e o seu palácio junto de Santa Maria in Aquiro, onde pudessem ser acolhidos os jovens estudantes chamados ao sacerdócio.

A recém-criada instituição era a primeira no seu gênero em Roma. Reservada inicialmente aos jovens provenientes desta cidade e de Fermo, alargou em seguida a hospitalidade a alunos de outras regiões italianas e de diversas nacionalidades.

O Cardeal Capranica faleceu menos de dois anos depois, mas a sua fundação já tinha iniciado o seu caminho, que continua até hoje, tendo sido fechado apenas um decênio, de 1798 a 1807, durante o período da chamada República Romana.

Dois Papas foram alunos do Capranica: Bento XV, por quase quatro anos, que vós justamente considerais “Parens alter”, pelo afeto especial que sempre nutriu pela vossa casa; e depois, por um período mais breve, o Servo de Deus Pio XII.

Os meus Predecessores, alguns dos quais foram visitar-vos em circunstâncias especiais, sempre demonstraram benevolência pelo vosso Colégio. 

Também este nosso encontro se realiza, além de ser em memória de Santa Inês, no contexto de um significativo aniversário da vossa instituição.

Gênese do Colégio Capranica

Nesta perspectiva histórica e espiritual é útil questionar-nos sobre as motivações que impeliram o Cardeal Capranica a fundar esta próvida obra, e acerca do valor que elas conservam para vós, atualmente.

Antes de tudo, é preciso lembrar que o fundador teve experiência direta dos colégios das Universidades de Pádua e de Bolonha, onde foi estudante, e também de Sena, Florença e Perúgia.

Tratava-se de instituições nascidas para hospedar jovens versados nos estudos e não pertencentes a famílias abastadas.

Ao tomar alguns elementos desses modelos, idealizou um que fosse exclusivamente destinado à formação dos futuros sacerdotes, com atenção preferencial para os candidatos menos abastados.

Dessa maneira precedeu de mais de um século a instituição dos “seminários” realizada pelo Concílio de Trento.

Formação teológica e espiritual dos seminaristas

Contudo, não focalizamos ainda a motivação de fundo da providencial iniciativa: ela consiste na convicção de que a qualidade do clero depende da seriedade da sua formação.

Ora, nos tempos do Cardeal Capranica faltava uma cuidadosa seleção dos aspirantes às sagradas Ordens: às vezes eles eram examinados sobre literatura e canto, mas não sobre teologia, moral e direito canônico, com imagináveis repercussões negativas sobre a Comunidade eclesial.

Eis porque, nas Constituições do seu Colégio, o Cardeal impôs aos estudantes de teologia a aproximação aos melhores autores, especialmente Tomás de Aquino; aos de direito, a doutrina do Papa Inocêncio III; e a todos a ética aristotélica.

Depois, não se contentando com as lições do Studium Urbis, ele garantiu repetições suplementares dadas por especialistas diretamente no Colégio.

Esta organização dos estudos estava inserida num quadro de formação integral, centrada sobre a dimensão espiritual, que tinha como pilares o Sacramento da Eucaristia quotidiana e o da Penitência pelo menos mensal, e era apoiada pelas práticas de piedade prescritas ou sugeridas pela Igreja.

Também a educação caritativa, quer na vida fraterna comum, quer na assistência aos doentes, tinha uma grande importância; igualmente a que hoje chamamos de “experiência pastoral”.

De fato, estava previsto que nos dias festivos os alunos prestassem serviço na Catedral ou nas outras igrejas do lugar.

Por fim, uma valiosa contribuição formativa era dada pelo próprio estilo comunitário, caracterizado por uma forte co-participação nas decisões relativas à vida do Colégio.

Modelo para os seminários diocesanos

Encontramos aqui a mesma escolha de fundo que em seguida farão os seminários diocesanos, naturalmente com um sentido mais completo de pertença à Igreja particular, ou seja, a escolha de uma séria formação humana, cultural e espiritual, aberta às exigências próprias dos tempos e dos lugares.

Queridos amigos, peçamos ao Senhor, por intercessão de Maria Santíssima e de Santa Inês, que o Almo Colégio Capranica prossiga nesse seu caminho, fiel à sua longa tradição e aos ensinamentos do Concílio Vaticano II.

A vós, queridos alunos, faço votos de que renoveis todos os dias, do fundo do coração, a vossa entrega a Deus e à Santa Igreja, conformando-vos cada vez mais a Cristo Bom Pastor, que vos chamou a segui-Lo e a trabalhar na sua vinha.

Agradeço-vos esta agradável visita e, enquanto vos garanto minhas orações, concedo com afeto a todos vós, e às pessoas a vós queridas, uma especial Bênção Apostólica.

 

Discurso à comunidade do Almo Colégio Capranica, 19/1/2007.