Inaugurou-se em março passado, no Vaticano, a exposição Uma Senhora vestida de sol – A imaculada Conceição nas obras dos grandes mestres, promovida pela Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, para assinalar os 150 anos do dogma da Imaculada Conceição.

Nela os visitantes podem admirar 100 preciosas obras (pinturas, esculturas, manuscritos, objetos litúrgicos) que cobrem um arco cronológico e temático de cerca de mil anos. 

A este respeito, Dom Mauro Piacenza, Presidente da Pontifícia Comissão promotora do evento, prestou à Agência FIDES (órgão da Congregação para a Evangelização dos Povos) as seguintes declarações.

FIDES: Vossa Excelência comanda um patrimônio imenso, que representa um testemunho direto da vida da Igreja e, portanto, de sua missão no curso dos séculos…

Dom Piacenza: Sim, com efeito, o empenho artístico é um testemunho da vida da Igreja e, pois, de sua missão.

Os bens culturais são definidos como um testemunho vivo da ação da Igreja no mundo, guiada pelo Espírito Santo para levar o Evangelho aos povos, isto é, aos pagãos de todos os tempos, além de nutrir espiritual e culturalmente os fiéis.

FIDES: Testemunhar o Evangelho através de uma educação apoiada nos bens culturais pode ainda hoje aproximar de Cristo os homens?

Dom Piacenza: A Igreja pode encontrar nas expressões artísticas um instrumento privilegiado de encontro e de confronto com as gerações contemporâneas, realizando neste sentido a própria vocação missionária através da promoção cultural e da evangelização cristã.

As múltiplas manifestações que encontram na beleza uma linguagem universal e um estímulo para caminhar em direção ao sagrado, representam o tesouro espiritual de toda cultura que chega ao amadurecimento quando, pelo anúncio do Evangelho, favorece a conversão cristã e, em consequência, o autêntico desenvolvimento.

FIDES: Falemos da arte e de sua relação com o prazer estético.

Dom Piacenza: A arte deve impelir à transformação do mundo em sua atraente beleza ordenada à verdade e ao bem. Neste contexto, o prazer estético é um sinal que leva ao prazer de compartilhar a vida ao lado de outros.

A heresia estética ou hedonista, que marcou as culturas da modernidade, deve poder resolver-se em uma renovada era ética, graças ao empenho das artes liberais.

Os artistas têm, portanto, grande responsabilidade ética, pois é considerável a influência da arte sobre as pessoas.

Os artistas autênticos devem ser contados entre os maiores benfeitores da humanidade, pois alimentam o senso qualificador, essencial do homem, que é a sua espiritualidade.

Por meio de suas obras, eles dizem e cantam o divino, produzindo fascínio e escuta, pois a beleza faz ressaltar as ideias. As suas obras manifestam o proprium do homem, de ter interlocução com seus semelhantes, comunicando emoções e intuições.

FIDES: Que relação existe entre arte e experiência mística?

Dom Piacenza: Uma estreitíssima relação, porque a arte aponta propriamente para a intrínseca abertura do homem para Deus. A arte abre a consciência para o Absoluto, impulsionando as almas ao culto de Deus em espírito e verdade.

O belo é o esplendor das formas sensíveis, o sagrado é o esplendor da glória de Deus. O esplendor das formas sensíveis é fruto e expressão da contemplação da glória de Deus.