“Quem crê nunca está sozinho”. Estas palavras, pronunciadas pelo Papa Bento XVI na Missa de inauguração do seu pontificado, foram escolhidas como lema para a Viagem Apostólica que ele realizou, de 9 a 14 de setembro, a Munich, Altötting e Regensburg.
Uma ocasião única para o povo bávaro que, acolhendo o Santo Padre, revitalizava suas raízes cristãs.
Em Munich, diante da Mariensäule
No dia 9 setembro o avião papal aterrissou às 15h30m no Aeroporto Franz Joseph Strauss, em Munich. Deu-se ali a cerimônia de boas-vindas, na presença de altas autoridades alemãs e bávaras. Bento XVI cumprimentou a todos com estas palavras:
É com profunda emoção que piso pela primeira vez, depois da minha elevação à Cátedra de Pedro, a terra alemã bávara. Volto à minha Pátria, ao meio do meu povo, com o programa de visitar alguns lugares que tiveram uma importância fundamental na minha vida.
O Papa terminou suas palavras com a tradicional saudação católica bávara Grüß Gott, e partiu para a Marienplatz – a praça central de Munich – onde, trinta anos antes, os fiéis haviam acolhido o então Mons. Ratzinger como Arcebispo dessa cidade.
Ali ergue-se a Mariensäule, a Coluna de Nossa Senhora, testemunho da profunda devoção dos bávaros à Mãe de Deus, diante da qual o Papa elevou uma belíssima oração a Maria.
Assim rezou: “Abençoai-nos, abençoai esta cidade e este país! Mostrai-nos Jesus, o fruto bendito do vosso ventre! Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”.
No domingo, dia 10, o Santo Padre permaneceu em Munich, onde celebrou Missa na esplanada de Neue Messe.
De tarde, percorrendo aquelas ruas que lhe traziam tantas recordações, tantas lembranças e tantas saudades, dirigiu-se à Catedral, o templo no qual, em 1977, recebeu a ordenação episcopal.
Altötting, aos pés da Padroeira da Baviera
Na Baviera, centenas de igrejas e santuários dedicados a Nossa Senhora testemunham a devoção do povo a Maria.
São lugares para onde aflui, durante todo o ano, um grande número de peregrinos, para depositar aos pés da Mãe de Deus seu amor e piedade, e Lhe pedir auxílio em suas aflições e dificuldades.
O coração dessa devoção é o Santuário de Altötting, onde se encontra a imagem da Padroeira da Baviera.
Bento XVI, ao visitar seu país, não poderia deixar de estar na casa da Mãe dos Bávaros; e assim, no dia 11, ele para lá se dirigiu, venerou a milagrosa imagem na Gnadenkapelle e celebrou uma Missa na Praça do Santuário.
Foi uma liturgia mariana, tendo como centro o episódio das Bodas de Caná. Repercutiu especialmente nos corações este trecho da homilia do Santo Padre:
No diálogo com Jesus, vemo-La realmente como Mãe que suplica, que intercede. […] Maria não dirige um verdadeiro pedido a Jesus, mas diz-Lhe somente: “Não têm vinho”.
[…] Não Lhe pede algo específico, e ainda menos que Ele exerça o seu poder, realize um milagre, produza vinho.
Simplesmente confia a situação a Jesus, deixando-Lhe a decisão sobre como agir.
Assim, nas palavras simples da Mãe de Jesus identificamos dois elementos: por um lado, a sua solicitude carinhosa pelos homens, a atenção materna com que sente a dificuldade do próximo; vemos a sua bondade cordial e a sua disponibilidade para ajudar.
Esta é a Mãe para a qual as pessoas, há gerações, acorrem em peregrinação aqui em Altötting.
Marktl am Inn, a cidade natal
No mesmo dia, o Papa dirigiu-se à sua cidade natal, Marktl am Inn. Não fez ali nenhum pronunciamento, dada a grande emoção em rever a localidade que o viu pequenino.
Profundamente recolhido, Bento XVI visitou a Paróquia de Santo Osvaldo, onde recebeu o Batismo, onde deu o primeiro dos luminosos passos que o levariam a ser Vigário de Cristo. Foi uma visita curta, mas cheia de significado.
Regensburg: o Papa dá uma aula na Universidade
A esplanada de Islinger Feld, em Regensburg, estava lotada por uma compacta multidão de fiéis na manhã do dia 12 de setembro, Festa do Nome de Maria. Uma vez mais, o Papa ressaltou a nota mariana de sua Viagem Apostólica:
Ouvimos hoje, no Evangelho, como o Senhor a dá [Maria] como Mãe ao discípulo predileto e, neste, a todos nós.
Em todos os tempos, os cristãos acolheram com gratidão esse testamento de Jesus, e junto à Mãe encontraram sempre de novo aquela segurança e aquela confiante esperança que nos fazem felizes em Deus e alegres em nossa Fé n’Ele.
Acolhamos, também nós, Maria como estrela de nossa vida, que nos introduz na grande família de Deus! Sim, quem crê nunca está sozinho!
Ainda em Regensburg, Bento XVI teve um encontro com os representantes da ciência, na Aula Magna da Universidade, e esteve presente nas Vésperas Ecumênicas na Catedral.
Um dia de tranquilidade
O dia 13 foi reservado para um programa privado do Pontífice. Ele almoçou com seu irmão, Mons. Georg Ratzinger, e juntos realizaram uma tocante visita ao cemitério de Ziegetzdorf, onde estão enterrados seus pais e sua irmã. O Papa passou a tarde na casa de sua família, em Pentling.
Freising, onde tudo começou
“Adsum, aqui estou”. Assim respondeu Joseph Ratzinger, em 29 de junho de 1951, ao ser chamado pelo Bispo na cerimônia de sua ordenação presbiteral, na Catedral de Freising.
Essa mesma igreja que o viu seminarista, que presenciou sua ordenação, o recebe agora como Vigário de Cristo!
Com efeito, para o último dia da Viagem Apostólica de Bento XVI, estava reservada essa comovente visita. Como disse ele,
este é para mim um momento de alegria e de grande gratidão. Emergem as lembranças de minha ordenação, quando estava aqui prostrado por terra e – como que envolvido pela Ladainha de Todos os Santos, pela intercessão de todos os Santos – me dava conta de que nesse caminho não estamos sós, mas que a grande multidão dos Santos caminha conosco.
Após um encontro com os presbíteros e diáconos da Baviera, o Papa partiu para o aeroporto de Munich. Ali estava preparada a cerimônia de despedida, na qual ele, emocionado, pronunciou as palavras conclusivas de sua Viagem Apostólica:
Ao despedir-me de minha amada Pátria, confio o presente e o futuro da Baviera e da Alemanha à intercessão de todos os Santos que viveram no território alemão servindo fielmente Cristo e experimentando em sua existência a verdade das palavras que acompanharam, como lema, as várias fases desta visita: “Quem crê nunca está sozinho”.
[…] A todos um cordial “Vergelt’s Gott” e “até logo”, se Deus quiser.