Quando a graça de Deus é derramada sobre os homens, não há poder mundano capaz de opor-se a ela. Verificou-se isto mais uma vez nos quatro dias da visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido.
O que ali aconteceu de 16 a 19 de setembro constituiu uma surpresa para os próprios católicos, os quais tinham sido submetidos durante meses a um bombardeio de notícias pessimistas.
Uma coisa ficou evidente: as previsões de fracasso não correspondiam ao que ia no fundo das almas.
O lema da viagem foi o mesmo do Cardeal Newman – O coração fala ao coração – e não podia ser mais apropriado, especialmente no tocante ao povo britânico.
Embora tidos como reservados e arredios às manifestações de emoção, na realidade, ingleses e escoceses são profundamente emotivos e prezam o calor humano.
Eles sentem necessidade de se comunicar de coração a coração, e quem melhor do que o Santo Padre para atender a esse anseio?
Durante a viagem de Roma a Edimburgo, um jornalista perguntou a Bento XVI se ele não tinha receio pela maneira como seria acolhido, tendo em vista as polêmicas e oposições que cercaram a preparação da visita.
“Devo dizer que não”, respondeu o Papa. E recordou que previsões negativas antecederam também suas viagens apostólicas à França, apontado como o país mais anticlerical da Europa, e à República Tcheca, que seria o país mais irreligioso do continente.
Nenhum desses maus presságios se realizaram. Por isso, ele ia à Grã-Bretanha “com grande coragem e com alegria”.
No “Palácio da Santa Cruz”, audiência com a Rainha
O Santo Padre desembarcou em Edimburgo, capital da Escócia, às 10:30h da manhã, sendo saudado no aeroporto pelo Príncipe Philip, esposo da Rainha Elizabeth II, pelo Primeiro Ministro da Escócia, Alex Salmond, e outras personalidades religiosas e civis. Dali seguiu em automóvel fechado para o encontro com a Rainha.
No Palácio Real de Holyrood teve lugar a cerimônia de boas-vindas, quando o Papa foi recebido pela Rainha Elizabeth II e centenas de autoridades.
Após o discurso da Soberana, Bento XVI agradeceu o convite para visitar oficialmente o Reino Unido e suas cordiais palavras de saudação em nome do povo britânico.
Depois acrescentou: “O nome Holyroodhouse, a residência oficial de Vossa Majestade na Escócia, recorda-nos a ‘Santa Cruz’ e indica as profundas raízes cristãs ainda presentes em cada camada da vida britânica”.1
Relembrou em seguida o Santo Padre que desde os primeiríssimos tempos os monarcas da Inglaterra e da Escócia eram cristãos e muitos deles – como Santo Eduardo o Confessor e Santa Margarida da Escócia – exerceram seu poder soberano à luz do Evangelho, modelando profundamente ambas as nações na linha do bem, de tal modo que a mensagem cristã tornou-se parte integral do pensamento, língua e cultura do povo britânico.
Dirigiu também palavras de louvor à Grã-Bretanha por haver se levantado contra as tiranias do “ateísmo extremista”, na Segunda Guerra Mundial.
Por fim, o Sumo Pontífice realçou o fato de que o Reino Unido se esforça por ser “uma sociedade moderna e multicultural”. E concluiu manifestando um desejo: não se permita que o fundamento cristão de suas liberdades seja obscurecido “pelas formas mais agressivas de secularismo”.
O calor do povo escocês
No percurso entre o Palácio Real e a Residência Arquiepiscopal, a realidade foi um cabal desmentido a todas as previsões pessimistas: 125 mil escoceses ocuparam as ruas centrais de Edimburgo, festejando o Papa com música de gaitas de fole, trajes típicos e muitas bandeiras.
Para aquecer mais ainda os corações, até o clima colaborou, proporcionando um dia ensolarado, quando tudo fazia prever a habitual atmosfera sombria.
Estava quebrado o “encantamento” preparado pelos poucos inconformados, e dada a nota de entusiasmo que permaneceria durante toda a estada do Santo Padre no Reino Unido.
À tarde, o Papa dirigiu-se de automóvel a Glasgow, a maior cidade da Escócia, um grande e tradicional centro católico.
No Bellahouston Park, quase às 18 horas, o sol brilhava, “um caso raro na Escócia” como comentava o blog ao vivo do Daily Telegraph: “O parque está banhado por uma luz magnífica enquanto o Papa continua a celebração”.2
Cerca de 65 mil pessoas assistiram à Missa. As primeiras palavras da homilia papal calaram a fundo nas almas:
O Evangelho de hoje recorda-nos que Cristo continua a enviar os seus discípulos pelo mundo, para anunciar a vinda do seu Reino e levar a sua paz ao mundo, passando de casa em casa, de família em família, de cidade em cidade.
Eu vim ao meio de vós, filhos espirituais de Santo André3, como arauto desta mesma paz, e para vos confirmar na Fé de Pedro.
Particularmente importante, como destacou a mídia britânica, foi a exortação dirigida aos jovens, presentes ali em grande número:
Meus queridos jovens católicos da Escócia. Exorto-vos a levar uma vida digna de Nosso Senhor e de vós mesmos.
Existem numerosas tentações que deveis enfrentar todos os dias – a droga, o dinheiro, o sexo, a pornografia e o álcool – que segundo o mundo vos darão a felicidade, mas na verdade trata-se de realidades destruidoras, que criam divisão.
Só existe uma coisa que permanece: o amor pessoal de Jesus Cristo por cada um de vós. Procurai-O, conhecei-O e amai-O, e Ele tornar-vos-á livres da escravidão da existência sedutora mas superficial, frequentemente proposta pela sociedade contemporânea.
Houve vários momentos de verdadeira emoção, cujo auge quiçá tenha se dado quando a imensa multidão cantou a tradicional canção escocesa Auld lang syne, que celebra as grandes e verdadeiras amizades.
Encontro com “futuros Santos do século XXI”
Na manhã do dia 17, já em Londres, Sua Santidade – que completava 81 anos – se dirigiu ao St. Mary’s University College de Twickenham, tradicional instituição católica no prestigioso bairro de Richmond, onde foi recebido por autoridades religiosas e civis, educadores e quatro mil alunos das escolas católicas.
O encontro do Papa com as crianças deu-se num ambiente de intimidade e carinho de parte a parte, constituindo uma verdadeira festa em família.
Meninos e meninas ingleses, escoceses e galeses entregaram presentes ao Papa, e este lhes manifestou sua esperança de que entre eles “haja alguns futuros Santos do século XXI”.
Paternalmente, advertiu-os de que bens passageiros como a celebridade e o dinheiro não são suficientes para dar a felicidade, a qual só pode ser encontrada em Deus.
Dirigindo a palavra aos professores, o Papa relembrou que a educação não pode ser meramente utilitarista. Afirmou:
Ela diz respeito, sobretudo, à formação da pessoa humana, à sua preparação para viver plenamente a própria vida – em poucas palavras, refere-se à educação para a sabedoria. E a verdadeira sabedoria é inseparável do conhecimento do Criador.
Fez uma elogiosa referência a personalidades britânicas que compreenderam essa dimensão transcendente do ensino: os beneditinos que acompanharam Santo Agostinho, apóstolo da Inglaterra, os discípulos de São Columba, São Davi de Gales e seus companheiros, e a Venerável Mary Ward.
Histórica e simbólica visita ao Westminster Hall
Um dos pontos culminantes dessa viagem foi a simbólica visita do Santo Padre ao Westminster Hall.
Ali o acolheram solenemente, ao som das trombetas reais, os membros do Governo e do Parlamento, além de expoentes da sociedade civil, do mundo acadêmico, cultural e empresarial. Cerca de duas mil pessoas, de acordo com a BBC.
Em seu caloroso discurso de saudação, o Presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, lembrou as históricas relações entre o Reino Unido e a Igreja Católica, incluindo os períodos turbulentos desde Henrique VIII, que fizeram muitos mártires, alguns dos quais julgados e condenados naquele salão, como é o caso de São Tomás More.
Na sua resposta, o Santo Padre recordou a figura do
grande estudioso e estadista inglês, admirado por crentes e não crentes, em virtude da integridade com que foi capaz de seguir a sua própria consciência, mesmo à custa de contrariar o seu soberano, de quem era um “bom servidor”, porque tinha preferido servir primeiro a Deus.
O dilema enfrentado por More naquelas difíceis circunstâncias – dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus – proporcionou ao Pontífice tecer algumas considerações a respeito do “justo lugar que o credo religioso conserva no processo político”.
Questões fundamentais como essa do processo contra Tomás More, observou ele, continuam a apresentar-se, na vida política, levando cada nova geração a indagar:
Quais são as exigências que os governos podem impor razoavelmente aos seus próprios cidadãos? Que autoridade é possível interpelar, para resolver os dilemas morais?
E caso o processo democrático baseie seus princípios morais apenas no consenso social, deixará evidente sua fragilidade.
Pois, embora as normas objetivas que governam o reto agir sejam acessíveis à razão, esta pode ser distorcida e manipulada por ideologias, caso não tenha os corretivos da Religião.
O Papa manifestou, então, sua preocupação pelo fato de o Cristianismo estar sendo marginalizado inclusive “em nações que atribuem um grande valor à tolerância” – caso do Reino Unido –, chegando-se a ponto de considerar que “os cristãos que desempenham funções públicas deveriam, em determinados casos, agir contra a própria consciência”.
Tendo em vista essa situação, o Santo Padre convidou seus ouvintes a procurarem modos de promover e encorajar o diálogo entre a fé e razão, em todos os níveis da vida nacional.
“A vossa disponibilidade neste sentido já se manifestou no convite sem precedentes que me dirigistes hoje” – acrescentou.
Na parte final de seu discurso, após tecer considerações sobre o progresso verificado na cooperação entre o Reino Unido e a Santa Sé, Bento XVI concluiu:
Os Anjos que nos observam da magnífica abóbada desta antiga Sala recordam-nos […] que Deus vela constantemente sobre nós, para nos guiar e nos proteger.
E nos exortam a reconhecer a contribuição vital que o credo religioso deu e continua a oferecer à vida da Nação.
Encarregado de cuidar da unidade do rebanho de Cristo
No dia 17, Bento XVI foi convidado pelo Arcebispo anglicano de Cantuária, Rowan Williams, para uma cerimônia ecumênica na Abadia de Westminster, tão carregada de recordações da Inglaterra católica.
O Papa deu início ao ato, agradecendo ao Senhor pela oportunidade de estar, junto com os representantes de outras confissões cristãs, “nesta magnífica Abadia dedicada a São Pedro, cuja arquitetura e história falam de maneira deveras eloquente a propósito da nossa comum herança de Fé”.
Agradeceu a Deus também por permitir-lhe, “como sucessor de São Pedro na Sé de Roma, realizar a presente peregrinação ao túmulo de Santo Eduardo, o Confessor”, um rei que continua a ser “um modelo de testemunho cristão e um exemplo daquela verdadeira grandeza para a qual o Senhor nas Escrituras chama os seus discípulos”.
O Santo Padre referiu-se também à necessidade de reconhecer os desafios que se apresentam hoje aos cristãos, não só no relativo à unidade, mas também no compromisso de proclamar ao mundo o nome de Cristo.
A fidelidade à palavra de Deus, afirmou,
exige de nós uma obediência que nos leve juntos a uma compreensão mais profunda da vontade do Senhor, uma obediência que deve ser livre do conformismo intelectual ou da fácil adaptação ao espírito do tempo.
E acrescentou:
Esta é a palavra de encorajamento que desejo deixar-vos esta tarde, e faço-o em fidelidade ao meu ministério de Bispo de Roma e Sucessor de São Pedro, encarregado de um cuidado particular pela unidade da grei de Cristo.
A indispensável missão dos leigos
No dia 18, na praça da Catedral católica de Westminster e em parte de uma rua adjacente, alguns milhares de jovens acompanharam a celebração através de um telão, pois o interior da igreja estava lotado. A cerimônia revestiu-se de grande solenidade.
Em sua homilia, o Papa começou por afirmar como, naquele encontro entre o Sucessor de Pedro e seus filhos britânicos, “o coração fala ao coração”.
Como a celebração se realizava na “Catedral do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”, o Sumo Pontífice comentou o mistério desse Sangue Redentor, que nos explica a unidade entre o Sacrifício de Cristo na Cruz e o Sacrifício Eucarístico.
Sublinhou que a realidade do Sacrifício Eucarístico “esteve sempre no âmago da Fé Católica”.
E relembrou que na Inglaterra muitas pessoas defenderam com intrepidez a Missa, muitas vezes ao preço da própria vida, forjando assim a devoção ao Santíssimo Sacramento que constitui uma característica do catolicismo nessas terras.
Acentuou também Sua Santidade a indispensável missão dos leigos, de agirem como fermento do Evangelho no meio da sociedade hodierna, e evocou, a este propósito, “as intuições e os ensinamentos” do Beato John Newman.
Fez votos de que “as profundas ideias deste grande inglês” continuem a inspirar os seguidores de Cristo em terras britânicas a defender intrepidamente as verdades morais imutáveis. Exclamou:
Como precisamos nós, na Igreja e na sociedade, de testemunhas da beleza da santidade, testemunhas do esplendor da verdade, testemunhas da alegria e da liberdade que nascem de um relacionamento vivo com Cristo!
Todos somos chamados a mudar o mundo
Na tarde do dia 18, depois de visitar a St. Peter’s Residence, uma casa de repouso para os anciãos, o Papa seguiu para o Hyde Park, onde se realizava a Vigília de Orações para a Beatificação do Cardeal Newman.
Ali o aguardavam 80 mil fiéis, enquanto outros 200 mil – segundo cálculos da polícia londrina – se postaram para aclamá-lo ao longo do trajeto.
Em seu discurso, afirmou o Papa: “Newman teve por muito tempo uma influência importante na minha vida e no meu pensamento, como o teve sobre muitíssimas pessoas além destas ilhas”.
Dirigindo-se especialmente aos jovens, acrescentou:
Newman, segundo a sua narração, repercorreu o caminho de toda a sua vida à luz de uma poderosa experiência de conversão, que teve quando era jovem.
Foi uma experiência imediata da verdade da Palavra de Deus, da realidade objetiva da revelação cristã, tal como fora transmitida na Igreja.
A partir dessa experiência, sentiu a vocação de ser ministro do Evangelho. E no final de sua vida, ele descreveu seu trabalho como “uma luta contra a tendência crescente a considerar a Religião como um fato meramente privado e subjetivo, uma questão de opinião pessoal”.
O Hyde Park é muito simbólico para a Igreja Católica inglesa, pois no local chamado Tyburn, em sua parte norte, foram martirizados 105 católicos entre 1535 e 1681.
O Papa recordou seu holocausto e fez uma paternal advertência aos fiéis incumbidos de proclamar Cristo e seu Evangelho no mundo hodierno:
Em Tyburn, um grande número de nossos irmãos e irmãs morreram pela Fé; […] Em nossa época, o preço que deve ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, afogado e esquartejado, mas muitas vezes significa ser indicado como irrelevante, ridicularizado ou ser motivo de paródia.
Voltando a um tema que foi várias vezes objeto de suas considerações ao longo dessa Viagem Apostólica, o Papa relembrou uma das meditações mais amadas do Cardeal Newman: “Deus criou-me para oferecer um serviço específico. Confiou-me um determinado trabalho que não confiou a outros”.
E tirou uma conclusão: “Cada um de nós tem uma missão, todos estamos chamados a mudar o mundo”.
Beatificação do Cardeal Newman
No dia 19, domingo, a Missa de beatificação do Cardeal Newman foi celebrada num clima de grande festa no Cofton Park, em Birmingham.
Quis o Papa, no início de sua homilia, chamar a atenção para o 70° aniversário da Batalha da Inglaterra, quando a aviação nazista bombardeou pesadamente diversas cidades inglesas, e prestar uma homenagem aos que resistiram “às forças daquela ideologia maligna”.
Todavia, prosseguiu ele, uma razão de grande júbilo para a Inglaterra os reunia ali: a beatificação do Cardeal Newman, um homem que “deu um eloquente testemunho” de vida santa como sacerdote, pregador, educador e escritor, inserindo-se numa “longa esteira de Santos e Mestres destas ilhas” como São Beda, Santa Hilda, Santo Aelredo e o Beato Duns Escoto.
Comentando o lema do Cardeal Newman – Cor ad cor loquitur (O coração fala ao coração) –, observou o Papa que ele
permite-nos penetrar na sua compreensão da vida cristã como chamada à santidade, experimentada como o intenso desejo do coração humano de entrar em íntima comunhão com o Coração de Deus.
Recordou ainda que, conforme acentuava o Beato John Newman, cada homem tem uma tarefa pessoal a cumprir, dada por Deus, “um ‘serviço bem definido’, confiado unicamente a cada indivíduo”.
Assim, cada pessoa tem sua missão, ninguém foi criado sem um objetivo específico.
Ressaltou também o Pontífice que a relação entre fé e razão era outra preocupação do novo bem-aventurado.
Suas intuições sobre o espaço vital da Religião revelada na sociedade civilizada, e sobre a necessidade de uma abordagem da educação, ampla em seus fundamentos e aberta a grandes perspectivas, não só foram importantes para a Inglaterra vitoriana, mas inspiram e iluminam os homens ainda hoje, em todo o mundo – explicou ele.
Na recitação do Angelus, o Papa assinalou que o Beato John Newman deu o nome de Maryvale (Vale de Maria) à sua primeira casa em Birmingham, e dedicou à Conceição Imaculada da Santíssima Virgem o Oratório por ele fundado.
Além disso, colocou a Universidade Católica da Irlanda sob a proteção de Maria, Sedes Sapientiæ. “De muitíssimos modos ele viveu o próprio ministério sacerdotal em espírito de devoção filial à Mãe de Deus” – concluiu Bento XVI.
Finalidade última de todas as atividades ecumênicas
No encontro com os Bispos da Inglaterra, Escócia e País de Gales, na capela do Oscott College, acentuou o Pontífice ter sido ali onde o Cardeal Newman, em 1852, “deu voz à nova confiança e vitalidade da comunidade católica na Inglaterra e no País de Gales”.
Declarou também ter ficado claro para ele, nessa Viagem Apostólica, quanto é profunda entre os britânicos “a sede da Boa Nova de Jesus Cristo”.
À vista disto, encorajou os Bispos a aproveitarem os serviços do recém-criado Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, e a envidarem esforços no sentido de envolver na missão da Igreja os novos movimentos eclesiais, muitos dos quais “têm um particular carisma para a evangelização”.
Lembrando-se das centenas de milhares de anglicanos desejosos de voltar à casa paterna, repetiu aos Bispos seu pedido de serem generosos na implementação da Constituição Apostólica Anglicanorum cœtibus.
Este deveria ser considerado um gesto profético que pode contribuir positivamente para o desenvolvimento das relações entre anglicanos e católicos.
Ajuda-nos a dirigir o olhar para a finalidade última de todas as atividades ecumênicas: a restauração da plena comunhão eclesial no contexto da qual o intercâmbio recíproco de dons dos nossos respectivos patrimônios espirituais serve como enriquecimento para todos nós.
O término de inesquecíveis dias
Na cerimônia de despedida, no Aeroporto de Birmingham, o Papa manifestou ao Primeiro Ministro, David Cameron, seu contentamento pelo encontro com o povo britânico, pela acolhida da Rainha e do Governo de Sua Majestade, bem como pela dedicação das autoridades, da polícia e dos serviços públicos.
Recordou “com íntima alegria” o tempo transcorrido com os católicos do Reino Unido e considerou particularmente emocionante ter celebrado com eles a beatificação do Cardeal Newman.
Quando o avião papal alçou voo – cena transmitida ao vivo pelas câmeras de televisão – poderia parecer que um ar de orfandade iria novamente tomar conta do país. Não é verdade.
Nada poderá romper os laços de ouro tecidos durante essa Viagem Apostólica, os quais falam da esperança de que a restauração da unidade é apenas uma questão de tempo.