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Comentários ao Evangelho


Viver na perspectiva da ressurreição
 
AUTOR: MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLÁ DIAS, EP
 
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À maliciosa questão proposta pelos saduceus, Nosso Senhor contrapõe a verdadeira visão a respeito da eternidade, ensinando-nos a considerar a vida humana pelo prisma sobrenatural.

Naquele tempo: 27 Aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28 e Lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: se alguém tiver um irmão casado e este  morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão. 29 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. 30Também o segundo 31 e o terceiro se casaram com a viúva. E as sim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32 Por fim, morreu também a mulher. 33 Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela”. 34 Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e s mulheres casam-se, 35 mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36 e já não poderão morrer, pois serão iguais aos Anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37 Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 38 Deus não é Deus dos mortos,mas dos vivos, pois todos vivem
para Ele” (Lc 20, 27-38).

I – Deus nos revela as realidades sobrenaturais

Imaginemos um conjunto de cegos de nascença vivendo isolados numa ilha, sem qualquer comunicação com pessoas de visão normal. Além de desconhecerem a luz, eles não teriam sequer noção do mundo exterior, como a grandeza do firmamento estrelado, a beleza de um panorama marítimo ou a imponência de uma montanha.

Suponhamos que alguém dotado de vista sadia fosse até essa ilha e passasse a instruir a população a respeito da realidade material, descrevendo a distinção entre a noite e o dia conforme o movimento do sol, o deslocamento silencioso das nuvens pelo céu ou a procedência de um som que se escuta ao longe. Se os cegos acreditassem na palavra deste que enxerga, logo começariam a
formar uma ideia do universo muito mais ampla e rica.

Ora, semelhante é a nossa situação perante Deus nesta terra: somos cegos porque não O vemos, mas Ele, desde sua visão perfeitíssima e eterna, serve-Se de diversos meios, dentre os quais as Sagradas Escrituras, para nos revelar as verdades sobrenaturais.

A Liturgia deste 32º Domingo do Tempo Comum se desenvolve em torno de uma dessas verdades: a ressurreição final.

“Prefiro ser morto pelos homens…”

O Segundo Livro dos Macabeus, proclamado na primeira leitura, narra o martírio de quatro dos setes irmãos presos junto com sua mãe durante a perseguição de Antíoco ao povo judeu. Querendo obrigá-los a apostatar da Religião, o tirano os submete a terríveis torturas, mas os jovens manifestam impressionante força de alma e não cedem. Um deles, antes de expirar, proclama: “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida!” (7, 14).

Com efeito, no fim dos tempos ressurgirão tanto os bons quanto os maus, mas para estes o fato de recuperarem os corpos será motivo de maior tormento. Enquanto os Bem-aventurados ressuscitarão sem nenhuma possibilidade de padecer dor ou qualquer incômodo físico, os condenados sofrerão em seus membros e em seus sentidos todos os horrores da “fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 13, 50).

Por exemplo, os precitos exalarão um terrível mau cheiro, que lhes causará constantes náuseas; dos que estiverem na glória, pelo contrário, emanarão perfumes extraordinários, com fragrâncias diferentes conforme as características
de cada alma.1

Cristo é o Primogênito entre os mortos

Já na segunda leitura, São Paulo frisa a esperança de alcançarmos no convívio com Deus essa “consolação eterna” (II Tes 2, 16), a qual nos dá ânimo e nos dispõe para as boas obras. E a Aclamação ao Evangelho lembra ser Nosso Senhor o Primogênito entre os mortos, isto é, o primeiro a ressurgir gloriosamente, tornando-Se causa de nossa ressurreição.