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Plinio Corrêa de Oliveira


São José, Protetor da Santa Igreja
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 18/01/2021
 
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Modelo de todas as grandes virtudes, São José foi o homem escolhido por Deus para estar à altura d’Aqueles com quem deveria conviver: Nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Santíssima. Apesar dessa insigne missão, pouco se sabe sobre ele, mas a Igreja, dotada de sabedoria, proclama-o seu Protetor e Patriarca.

Na ladainha de São José há varias invocações que nós poderíamos considerar. Creio que dessas invocações, depois das que dizem diretamente respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo, nenhuma é mais bonita do que a de Protetor da Santa Igreja Católica.

São José protetor da Igreja

Imaginem, agora, o que é ser o Santo Padroeiro da Igreja Católica.

Protetor de algo é de algum modo um símbolo daquilo que ele protege. Para conceberem isso precisam imaginar da seguinte maneira: considerem, por exemplo, alguém que é guarda de uma rainha. Essa pessoa, de algum modo, toma em si algo da realeza, e escolhem-se para ser os guardas da rainha os indivíduos mais capazes, os que tiveram maior coragem, os que nas guerras provaram maior dedicação à coroa.

São JoséO Anjo da Guarda da Igreja Católica por certo é o maior Anjo que existe no Céu. Porque das criaturas de Deus nenhuma tem a dignidade da Igreja. Exceção de Nossa Senhora, que é a Rainha da Igreja, ninguém pode se comparar à Igreja Católica. Nem qualquer Anjo, ou todos os Santos considerados cada um separadamente, têm a dignidade da Igreja Católica. Isso porque a Igreja envolve todos os Santos e é a fonte da santidade desses Santos. Portanto, um Santo nunca pode ter a dignidade igual a da Igreja. 

São José, pelo contrário, tem que ser alguém de tão alto, de tão excelso, que ele, por assim dizer, tem que ser o reflexo da Igreja. E nós podemos então considerar que o “thau” de São José, enquanto coidêntico com o espírito da Igreja Católica. Ele é o exemplar prototípico e magnífico da mentalidade, das doutrinas, do espírito da Igreja Católica. Aliás, podemos pode medir seu “thau”, sua vocação, por esse outro critério do “thau” dele, que é o fato de ser Esposo de Nossa Senhora e Pai adotivo do Menino Jesus e, portanto, estar proporcionado a Eles.

Alma excelsa

Se nós quisermos ter uma ideia da alma de São José, do espírito dele, acho que não encontraremos, eu ao menos não encontrei na minha vida inteira, uma pintura ou uma escultura que representasse a ele adequadamente.

Por exemplo, aqui no nosso oratório, os senhores têm uma imagem muito boa de São José. Como escultura é muito boa, mas não dá, a meu ver, aquilo que é a alma de São José. Seria preciso imaginar tudo quanto pensamos da Igreja Católica: toda a dignidade, toda a afabilidade, toda a sabedoria, toda a imensidade da Igreja, tudo quanto se pudesse dizer da Igreja Católica e imaginar isto realizado num homem. Assim, então, nós teríamos a fisionomia moral de São José. Eu quisera ver quem seria o artista capaz de compor a face de São José.

Devemos imaginar pelo menos o perfil moral desse Santo, a castidade de São José, a pureza ilibadíssima dele, e nós devemos nos aproximar dele com respeito, com veneração e pedir que nos conceda aquilo que nós tanto desejamos receber. Cada um se pergunte a si próprio, num exame de consciência de um minuto, qual é a graça que quer pedir a São José por ocasião da festa de hoje.

Graças a implorar

A primeira das graças a pedir seria a da devoção a Nossa Senhora. Outra é a de refletir tão bem o espírito da Igreja Católica quanto esteja nos desígnios da Providência ao nos ter criado e nos ter conferido o Santo Batismo. Outra graça que poderíamos pedir é a de sermos filhos da Igreja Católica, tendo inteiramente o espírito do Grupo, que é o espírito da Igreja enquanto vivendo numa unidade viva da Igreja onde esse espírito se refrata de um modo particular. Nós podemos pedir a pureza, a despretensão, pedir tudo, podemos escolher cada uma dessas coisas.

Podemos pedir todas essas coisas no seu conjunto. Às vezes é bom pedirmos uma coisa só – a graça nos leva a pedir uma coisa só –, às vezes é bom pedirmos tudo, porque há momentos em que a graça nos leva a sermos audaciosos e a pedir muita coisa ao mesmo tempo.

Então hoje, na festa de São José, conforme o movimento da graça interior em cada um de nós, devemos pedir alguma coisa a ele. E se não soubermos bem o que pedir, dizer a São José: “Meu bom São José, vede que eu sou meio palerma, dai-me Vós aquilo que eu preciso, uma vez que sequer sei o que me convém!” Eu acredito que do mais alto dos Céus ele sorri e dará com bondade alguma graça muito bem escolhida. (Extraído de conferências de 19/3/1969, 19/3/1970 e 19/3/1976) – (Revista Dr. Plinio, Março/2017, n. 228, pp. 14 à 18).

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