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São José


São José, testemunha do Natal do Redentor
 
PUBLICADO POR ARAUTOS - 12/12/2019
 
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Deus poderia ter ordenado aos seus Anjos que construíssem o mais belo palácio da História, para ali, vir ao mundo. Mas, não foram esses os desígnios divinos. Nosso Senhor nos dá uma lição ao escolher uma das menores cidades de Judá, a insignificante Belém, ‘casa do pão’, e ali, em lugar escondido e pobre, uma gruta. “E tu, Belém Efratá, pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá o que governará Israel, suas origens são do passado, de tempos imemoriais”, nos diz o profeta Miqueias (Mq 5, 1-3).Penetremos queridos irmãos novamente no livro: ‘São José: quem o conhece?’, de autoria de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias.

O Imperador César Augusto publica um edito para o censo da população de seu imenso Império. São José, zeloso de seus deveres, obedece com prontidão, apesar de Maria Santíssima estar próxima do parto. É provável que, em tais circunstâncias, somente fosse obrigado o chefe de família a apresentar-se para se registrar, mas, “ambos conheciam bem a profecia de Miqueias e sentiam que o desejo de Deus era que os dois se pusessem a caminho. Cumprir essa lei lhes exigia um incômodo deslocamento” (p. 209).

Comunica São José à sua Esposa a conveniência de partir. Ela, resignada e submissa, pois “sendo essa a determinação de Deus, Ele mesmo os proveria do necessário” (p. 210). Nazaré estava a cento e cinquenta quilômetros de distância, representava uma viagem de quase quatro dias, em meio das caravanas que cumpriam com o edital. Viagem árdua, estação fria, com muitas circunstâncias desagradáveis. Ela, “enquanto Mãe, sua alma delicada, cheia de piedade e adoração, sofria ao prever os incômodos, sofrimentos e privações que o Menino passaria ao nascer. Mas como nada devia perturbar o plano estabelecido sabiamente por Deus, soube levar tudo com uma paz soberana” (p. 211).

Como encontrar alojamento adequado? São José conhecia seus parentes, mas, nem todos eram bons. Buscando hospedagem percebe que “não havia lugar para eles” (Lc, 2-7). “Naquele tempo, as pousadas eram simples albergues de viagem. Nestes, os animais ficavam atados em um pátio de terra batida, diante do qual havia quartos muito inóspitos, quase sempre coletivos, onde as pessoas se instalavam em meio a uma promiscuidade enorme e sem nenhuma condição de higiene, especialmente quando as pousadas estavam cheias, como sucedeu em Belém nessa ocasião. Aquelas hospedagens não serviam para José e Maria, que estavam chamados à suma virgindade” (p. 213). O Menino Jesus não podia nascer em um lugar que não foi marcado por um sublime pudor. Buscou São José acolhida em parentes, mas, como bem sabemos, a negaram.

Dura prova passava o Santo Patriarca, comentava Plinio Corrêa de Oliveira: “Ia nascer o esperado das Nações, bate nas portas e é rejeitado… esta foi a primeira glória de São José, a especial bem-aventurança de ter sido rejeitado no momento mais augusto da História. Neste sentido, prenunciava em sua pessoa a rejeição muito mais amarga que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreria mais tarde, culminando na crucifixão e morte” (19-3-1966).

Depois de um dia de caminhada por toda a cidade, São José se encontrava com a alma partida vendo até que ponto o Deus humanado não era bem recebido.

O sol se punha, a temperatura caia e se aproximava a hora do Nascimento do Menino Deus, nos conta Monsenhor João Clá.

São José, “desprezado e expulso, era o demônio que atiçava a todos seus parentes contra ele. Chorando discretamente, se perguntava se não teria alguma culpa nesta rejeição. Não obstante, se mantinha muito tranquilo, confiando em que haveria algum desígnio mais alto em tudo isso. Por sua vez, Maria Santíssima não fazia nenhuma pergunta para não aumentar a dor de seu esposo, nem tomava a iniciativa de consolá-lo, pois queria que preenchesse até o final a conta dos méritos que a Providência lhe havia reservado para aquela ocasião” (p. 216).

Tão extrema situação lhe fez recordar o refúgio onde o menino se retirava para suas meditações: a gruta! Frequentada somente por animais e completamente distante, “fria, úmida e escura, não podia ser mais inóspita para ser o berço do Rei do universo” (p. 218).”Pouca ideia tinha São José, em meio daquela aflição, do altíssimo simbolismo que guardava esta circunstância. Deus queria mostrar que não necessitava um lugar esplendoroso para entrar na História da humanidade; lhe bastavam almas eleitas e providenciais como a Virgem Maria e São José: o resto o faria Ele” (p. 218)

Evidentemente, o lugar não estava à altura. São José se dispõem a limpar a gruta para receber a Mãe de Deus da melhor maneira possível. Pegando um simples presépio onde os animais comiam feno, o acondicionou com palha e algumas flores que ainda tinha a pradaria. “Com que esmero, carinho e piedade preparava tudo, pois se tratava do lugar onde ia nascer o Redentor!” (p. 220). Maria estava em paz, serena, resignada.

“Quando a Virgem chegou ao recinto, de tão pobre que era, se transformou no palácio mais belo de toda a História! Os Anjos acompanhavam a sua Rainha enchendo tudo com uma luz verdadeiramente extraordinária, que convertia a escura gruta em uma imagem do Céu. Maria Santíssima, por sua vez, cada vez se desprendia mais de toda sensibilidade terrena, envolta pela iminência deste mistério extraordinário: o Nascimento do Verbo” (p. 220-221).

Uma luz suave se irradiou em torno da Virgem Maria. São José vendo aproximar-se o instante supremo do Nascimento do Menino Deus, se retirou discretamente estupefato ante tanta grandeza.

“Mantendo sua intensidade durante vários minutos, durante os quais o inefável mistério se realizou: ‘Ela deu a luz um filho’ (Mt 1, 25). Milagre dos milagres! Transpondo o virginal e sagrado corpo e as vestes de sua Mãe, Jesus saiu do claustro materno como o sol atravessa um magnífico vitral, sem romper em nada sua virgindade, que guardava com amor divino. E, envolto em uma nuvem de luz, surgiu o Menino Deus ante a Virgem Maria. Ela, elevando um pouco os braços, tomou ao seu Filho e o abraçou. O parto, portanto, não teve nada de humano, nem supôs esforço algum de sua parte” (p. 224)

São Gregório de Nisa comenta este fato milagroso: “Oh, coisa admirável! A Virgem é Mãe e permanece Virgem. Eis aqui uma nova ordem da natureza! A Mãe e a Virgem são a mesma. Nem a virgindade impede o parto, nem o parto desfaz a virgindade”.

O Santo Infante, quando abriu os olhos, os fixou em sua Santíssima Mãe, a quem dirigiu um olhar verdadeiramente divino, sorrindo. Que cruzamento de olhares! Intercâmbio mais belo que este somente houve um: o último olhar na Cruz (p. 225). Pouco a pouco foi diminuindo a intensidade das luzes, São José levantou o olhar e pode ver a Virgem outra vez. Ela estava exultante de alegria e sustentava, junto ao seu peito, o mais belo dos meninos, envolto em brancos panos” (p. 226).

Aqui os deixo queridos leitores, não há espaço em um artigo para transmitir as maravilhas do Nascimento de Nosso Redentor. Que o Menino, a Virgem e São José lhes concedam abundantes bênçãos neste 2019 que se aproxima. (Por Padre Fernando Gioia, EP) – Traduzido por Emílio Portugal Coutinho – (Publicado originalmente em La Prensa Gráfica de El Salvador, 16 de dezembro de 2018).

 
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