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Santa Coleta - Data: 06 de Março 2020
 
 
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Na época em que Deus salvava a França por Santa Joana d'Arc e santificava a Suíça pelo bem-aventurado Nicolau de Flue, restabelecia por Santa Coleta a austeridade primitiva num ramo da família de São Francisco.

santa coleta_2...............jpgNasceu a santa no ano 1380, em Córbia, na Picardia. O pai, carpinteiro de profissão, chamava-se Roberto Boillet, e a mãe Margarida. Recebeu o batismo o nome de Coleta, isto é, Nicolina, por causa da devoção que os pais tinham a São Nicolau.

Foi educada no amor das humilhações e austeridades da penitência. O temor de ferir a virtude da pureza a fez renunciar a todas as companhias, mesmo à das pessoas do próprio sexo; ou, se às vezes via estas últimas, era só para lhes dar instruções salutares sobre as vaidades do mundo.

Seus discursos tinham então uma unção que, ajudava pela graça, tocava os corações mais insensíveis. A humildade era sua virtude favorita, e a alegria lhe aumentava na proporção do desprezo que se fazia de sua pessoa. Vivamente penetrada do sentimento de sua baixeza e de suas misérias, não ousava aparecer aos olhos do mundo sem corar.
A si mesma considerava como grandíssima pecadora e prevenia as menores recidivas de amor-próprio pela prática de toda sorte de humilhações.

Os pobres e os doentes achavam nela uma benfeitora, ou antes, mãe: servia-se com afeição que por si só teria sido capaz de suavizar-lhes o rigor da sorte. Impusera a si mesma a solidão na casa paterna, vivendo retirada num pequeno quarto onde partilhava o tempo entre a prece e o trabalho manual.

Alarmada com o perigo ao qual a beleza a expunha, pediu a Deus que lha tirasse e tornou-se tão magra e pálida que era apenas reconhecível. Cooperou na mudança, de seu lado, por meio de rudes macerações. Isso não impediu, contudo, que lhe restasse certo ar de majestade, doçura e modéstia, que edificava todos os que a viam. O pai e a mãe, que descobriam nela a orientação extraordinária em seus exercícios e lhe deixavam a tal respeito inteira liberdade.

Depois da morte de seus virtuosos pais, Coleta distribuiu aos pobres os poucos bens que eles lhe deixaram e se retirou entre as beguinas estabelecidas em Flandres na Picardia e na Lorena. Era uma sociedade de mulheres piedosas que subsistiam do trabalho de suas mãos e que, levando vida regularíssima sem fazer votos, mantinham uma espécie de meio entre as mulheres do século e as que se haviam consagrado a Deus na solicitude do claustro.

Não tendo encontrado bastante austeridade entre as companheiras, nossa bem-aventurada abandonou-as e tomou, a conselho de seu confessor, o hábito da ordem terceira de São Francisco, dita dos Penitentes. Três anos depois, foi ter entre as religiosas de Santa Clara, chamadas Urbanistas, do nome do Papa Urbano IV, que lhes mitigara a regra. Seu desígnio era trabalhar na reforma da ordem e reconduzi-la à primitiva pureza institucional.

A fim de se preparar para essa grande obra, cuja idéia lhe fora inspirada pelo espírito de Deus, encerrou-se, com permissão do abade de Córbia, num pequeno eremitério, onde passou três anos, toda ocupada em práticas da mais rigorosa penitência e favorecida por várias revelações celestes.

Foi ter em seguida entre as Clarissas de Amiens e de vários outros lugares; mas, persuadida de que em seu piedoso desígnio só conseguiria tanto quanto lhe fosse autorizado, fez a viagem de Nice à Provença, a fim de ali conferenciar como Papa sob o nome de Bento XIII. Ele recebeu-a com bondade, prometeu-lhe proteção, e deu-lhe o título de superiora geral das Clarissas, com pleno poder de estabelecer nessa ordem todos os regulamentos que julgasse próprios para contribuir à glória de Deus e à salvação das almas.

Coleta, inflamada de novo zelo, percorreu as dioceses de Paris, Beauvais, Noyon e Amiens, a fim de reconduzir às diferentes casas de sua ordem o verdadeiro espírito de São Francisco; mas experimentou grandes dificuldades da parte de todos aqueles que não sabiam discernir a obra de Deus; trataram-na mesmo de visionária e fanática. Sofreu com alegria as injúrias com que a cumulavam e pôs toda a confiança em Deus, que cedo ou tarde faz triunfar as empresas das quais sua glória é o princípio.

Retirou-se para a Sabóia, onde os espíritos estavam melhor dispostos; ali estabeleceu sua reforma, que logo depois foi adotada na Borgonha, em França, em Flandres e na Espanha. Além de várias antigas casas que a receberam, a bem-aventurada introduziu-a em dezessete novos conventos que fundou em vida, e todas essas religiosas foram em seguida santa coleta_3.............jpgdistinguidas das Urbanistas pelo nome de pobres Clarissas. Houve também várias comunidades de homens que se submeteram à reforma da bem-aventurada Coleta.

A serva de Deus tinha extraordinário amor pela pobreza: queria que tudo respirasse essa virtude nas igrejas e casas de sua ordem. Não usava sandálias e andava sempre descalça. Seu hábito era não somente de tecido grosseiro, mas de diferentes retalhos reunidos e costurados.

Inculcava fortemente às irmãs a necessidade de mortificar a vontade. Não tendo Jesus Cristo jamais feito, dizia ela, senão a vontade de seu Pai desde o primeiro instante de sua vida até o último, como poderíamos nós fazer a nossa?
Quem acrescentava, está firmemente ligado a seus sentidos, anda no caminho do inferno. A Paixão do Salvador era o assunto mais comum de suas meditações. Às sextas-feiras, aplicava-se a este santo exercício desde às seis horas da manhã até seis horas da tarde, sem tomar nenhum alimento. Durante todo esse tempo, seu espírito e coração se ocupavam somente com os sofrimentos de Jesus Cristo e os olhos se transformavam em abundante fonte de lágrimas.

O fervor por Jesus Cristo ainda redobrava na Semana Santa, Não podia moderar os transportes de amor durante o augusto sacrifício da missa e confessava-se frequentemente antes de assistir a ela, a fim de o fazer com maior pureza de alma. Por uma conseqüência de grade caridade que tinha pelo próximo, solicitava continuamente, por meio de orações fervorosas, a conversão dos pecadores e a salvação das almas do prugatório.

Enfim, nossa santa adoeceu em Gand e aí morreu, munida dos sacramentos da Igreja, a 6 de Março de 1447, aos sessenta anos de idade. Seu corpo dói exposto à veneração pública na Igreja do monastério de sua ordem, chamado Belém, depois transferida para Poligny no Franco-Condado, quando as pobres Clarissas de Gand aí se refugiaram para evitar as perseguições do imperador José II contra as casas religiosas.

Santa Coleta foi canonizada a 24 de Maio de 1807, festa da Santa Trindade. (Livro vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IV, p. 200 à 204)

 
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