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Santa Luísa de Marillac // São Clemente Maria Hoffbauer - Data: 15 de Março 2020
 
 
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beata luisa marillac_5.............jpgSanta Luísa de Marillac, viúva

Luísa nasceu em Paris no dia 15 de Agosto de 1591. Era filha de Luís de Marillac, senhor de Ferriers, conselheiro, então, do Parlamento, e de Margarida Le Camus sua segunda esposa.Pouco depois do nascimento, a pequenina Luísa perdeu a mãe. E o pai, tendo contraído terceiras núpcias, confiou-a aos cuidados das dominicanas de Poissy.

Alí, Luísa aprendeu a conhecer as verdades cristãs, e, em 1604, quando o pai faleceu, deixando-a sozinha no mundo, resolveu, depois de alguns anos, casar-se. Luísa desposou Antônio Les Gras, homem honesto, de boa conduta, cheio de temor de Deus, irrepreensível. Era em Fevereiro de 1613, e no fim deste mesmo ano, nascia-lhe o primeiro e único filho - Miguel. Dava-se Luísa Les Gras, naquela época, caridosamente, aos pobres.

Foi em 1619 que teve a feliz oportunidade de se encontrar com São Francisco de Sales, que as guiou, com mão firme, pela prova por que passou: em 1622, adoecia-lhe o esposo gravemente, e Luísa sentiu que aquilo era, dum certo modo, uma punição, uma vez que, quando solteira, tivera desejos de galgar a longa e pedregosa ladeira que a levaria à perfeição religiosa, e não o fizera.

Depois de um ano, sentiu-se mais descansada: a 4 de Maio de 1623 tomou a firme resolução de não mais se casar, entregando-se, toda inteira ao serviço de Deus, se, como o andamento da doença de Antônio o indicava, viesse a perder o bom Les Gras.

Luísa passou, em 1624, a viver sob a direção de São Vicente de Paulo. Era ainda o santo preceptor na casa de Gondi, e a ele lhe abriu a alma. Antônio Les Gras deixou o mundo no dia 21 de Dezembro de 1625 nos braços da esposa.Luísa principiou por mudar-se de casa. Estabeleceu-se na rua São Vítor, nas vizinhanças do Colégio Bons Enfants, que a senhora de Gondi dera a São Vicente. Miguel, entrando para o seminário de São Nicolau do Chardonnet, ia deixar mais liberdade à mãe para que pudesse consagrar-se à obra que ia iniciar-se.

A senhora Les Gras preparou-se, ardorosamente. E São Vicente, ocupado com a fundação das "Caridades" somente numa primeira conferência com suas filhas é que pode traçar o programa da missão que Deus havia confiado a Luísa: "aperfeiçoar-se sem cessar para sempre fazer melhor, conseguindo, assim, pouco a pouco, tornar-se mais perfeito e mais santo, para que se possa obrar bem ao redor de si mesmo."

E o tempo foi passando e Luísa seguia à risca tudo o que o grande santo lhe confiava. Em princípios de 1634, redigiu ela um curto plano, uma espécie de horário, que veio a ser o fundamento da regra das irmãs de caridade. Disse Vicente de Paulo, escrevendo sobre o assunto: "Isto está bom, e tão bom que não quero acrescentar nada."

E sob a palavra do Santo, o comentário do regulamento era uma exortação para que se fizesse tudo sempre do melhor modo. Na Capela de São Dionísio, Luísa de Marillac começou a aplicar as irmãs de caridade à instrução de meninas e ao ensinamento do catecismo. Na obra dos Meninos Encontrados, ao lado de São Vicente, foi operosa e incansável. E a senhora Les Gras sempre se ocupou dos "filhos" com uma maternal ternura, com ansiedade mesmo, levando Vicente de Paulo, duma feita, a lhe dizer:

- Por Deus, deixa teus filhos aos cuidados do Pai celeste, que os ama mais do que tu.

Aquele ansiedade, porém, vinha mostrar a maravilha interior duma alma que ardia, que levava vida intensíssima, embora o corpo, com a saúde que descambava, fosse, a pouco e pouco, perdendo a vitalidade e o desembaraço dos primeiros tempos.

Nas notas que Luísa de Marillac deixou às filhas encontra-se um amor imenso por Nosso Senhor, o desejo de a Ele se unir. E nos pobres, nos maltrapilhos alquebrados, de olhar triste e perdido, via o Cristo, o desejo supremo. A obra que levou a efeito foi árdua. As jovens e as viúvas que formou, porém, estavam todas cheias da maior boa vontade. E a pequena Companhia expandiu-se. Por toda a parte, as irmãs eram chamadas para exercer seu ministério.

A principal característica de sua obra foi a união de dois gêneros de vida: ação e contemplação. E o programa de Vicente de Paulo era seguido com precisão: Dissera ele: "As filhas da Caridade terão por convento um hospital, por cela um quarto de aluguel, por claustro as ruas da cidade ou as salas das casas de saúde, por termo a obediência, por freio o temor de Deus, por véu a santa modéstia."

Em 1640, a senhora Les Gras principiou a se ocupar com os galés, traçando uma regra própria para as filhas: "Este é um dos mais difíceis e mais perigosos terrenos, mas também é um trabalho dos mais meritórios e agradáveis a Deus. As irmãs que se derem, pela vontade de Deus, a este santo exercício, devem, dum lado, fazer todo o esforço para se tornarem dignas pela prática das virtudes, e doutro lado, encorajarem-se, tendo grande confiança em Nosso Senhor. Se bem que seja difícil impedir excessos de insolência, não se deixe de fazer todo o possível. Por meio da paciência, rogando a Deus por eles, como fazia Santo Estêvão pelos que o lapidaram, insista-se. Façam-se, muitas vezes por dia, orações particulares para invocar o Espírito Santo, a fim de que Ele tão bem purifique os pensamentos, palavras e ações, especialmente nas tentações de impureza, se as tiverem, que sejam como a luz do sol passando continuamente sobre o lixo, sem contudo, se manchar de modo algum.

Os últimos anos de Luísa de Marillac foram caracterizados por uma grande doçura e não menor paz. E a 4 de Fevereiro de 1660, tombou para não mais se levantar, presa duma inflamação aguda na espádua. Cheia de febre, mas exortando os filhos e as irmãs. No dia 15 de Março daquele ano entregou a alma a Deus. E o cura de São Lourenço que lhe estava à cabeceira disse-lhe, docemente: - Adeus, bela alma!

O corpo, depois de ter ficado exposto por todo o dia e mas meio do seguinte, foi enterrado na igreja de São Lourenço, na capela da Visitação, fazia suas devoções. Com grande singeleza, realizaram-se os funerais, porque, segundo sua vontade, era uma irmã de caridade. Em 1920, a 9 de Maio, era Luísa de Marillac beatificada por São Pio X.  (Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IV, p. 51 à 55)

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SÃO CLEMENTE MARIA HOFFBAUER, Confessor

Clemente Maria nasceu na Morávia no dia 25 de Dezembro de 1751, tendo sido batizado naquele mesmo dia, com o sao clemente m hofbauer_1.............jpgnome de João. Filho de modesto agricultor, perdeu o pai com sete anos, em 1758, e foi educado pela mãe. Maria Steer, piedosa mulher que lhe inspirou sentimentos da mais terna piedade.

Morto o pai, João foi obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da casa. Principiou, então, o menino, como ajudante de padeiro, em Zwain, onde viveu por três anos.Em 1771, passava o jovem a trabalhar com os premonstratenses de Bruck, cujo abade se propôs ensinar-lhe latim.Quando aquele bom homem, carinhoso com o discípulo, faleceu, João deixou o convento e foi viver como ermitão numa floresta, nas proximidades de Mulfrauen.

A força dum edito de José II vinha expulsar todos os ermitães do império, e João, abandonando aquelas paragens, fez-se para Budwitz, ali aprendendo, num instante a língua eslava. Conheceu então, Pedro Kunzmann, que ia fazer uma peregrinação a Roma, e o acompanhou.

De volta, pararam ambos em Tívoli, e o bispo Barnabé, Chiaramonti, depois Pio VII, conhecendo as disposições dos moços João e Pedro, chamou-os para si e lhes revestiu com o burel dos ermitães, impondo-lhes ao mesmo tempo, outros nomes: João passaria a ser, desde aquele dia, Clemente Maria, e Pedro, Emanuel.Os dois viveram, então, seis meses numa solitária floresta, perto do célebre santuário da Madona. Foi ali que o desejo, irresistível, de trabalhar pela salvação das almas se apossou de Clemente Maria. E, abandonando a cela, demandou para Viena, onde queria preparar-se para o estudo do ministério sagrado.

Estudou ele, na Universidade de Viena, filosofia, fazendo-se amigo dum bom rapaz, Tadeu Hubl.Em 1784, Clemente Maria e Tadeu estavam em Roma. E, um dia na Igreja de São Juliano, encantados com os padres da Congregação do Santíssimo Redentor, foram procurar o superior. E ao saber que aqueles padres trabalhavam pela salvação das almas mais abandonadas e que o fundador fora Afonso de Liguori, não titubearam.

No dia 19 de Março de 1785, Clemente Maria e Tadeu Hubl faziam profissão. E, no ano seguinte, estavam ordenados, prontos para, na pátria, distante, implantar a congregação do Santíssimo Redentor.Chegados que foram a Viena, viram os mosteiros fechados por José II. Passaram, então, à Polônia, onde uma surpresa aguardava, na forma dum monge calmo e doce, a Clemente Maria.sao clemente m hofbauer_2.jpg

Atravessando o Danúbio, Hoffbauer deu com aquele monge. Olharam-se por um só instante. E, de braços abertos, chorando de alegria, correram um para o outro, era Pedro Hunzmann, ou antes o Emanuel dos dias do bom e santo bispo Barnabé Chiaramonti. Clemente Maria, entusiasmado, contou ao bom companheiro o que havia feito, e acabou por lhe dizer do desejo que tinha de fundar um convento no Norte. E Emanuel, contaminado pelo entusiasmo do antigo amigo, solicitou sua admissão como irmão servente, uma vez que fora pedreiro.

Em Varsóvia, o núncio apostólico recebeu os três religiosos como se fossem enviados do alto, E disse: - Depois que os jesuítas foram suprimidos, milhares de pessoas ficaram sem padres que as confessassem, sem que lhes instruíssem os filhos, encaminhando-os nas vias do cristianismo. Perdem-se, perdem-se todos, e vós chegastes justamente a tempo para os salvar.

O rei, a pedido do Núncio, instalou os missionários em São Bennon, igreja nacional dos alemães. Varsóvia, então, encontrava-se num estado deplorável, e a libertinagem, desenfreada, campeava. Clemente Maria, incansável, principiou a trabalhar. E rezava, porque tudo era dificílimo: - Senhor Jesus, se tu não vieres em nosso auxílio, devemos partir ou morrer. Naquele mesmo dia, em que o Senhor se dirigira com aquelas palavras, um desconhecido foi procurá-lo. E, em suas mãos, deixou grande soma de dinheiro. (...)

Depois de um bombardeamento de Varsóvia, criou ele dois orfanatos. E as suas pregações, calando fundo da alma dos protestantes, levavam-nos a procurar a instrução, preparando-se para a abjuração. Uma outra missão surgiu em Mittau. Logo estabelecia o Santo duas outras: uma nas imediações de Varsóvia, El Ludkowa e outra em Radzumin. E Clemente Maria, sempre incansável, sempre ladeado dos bons amigos, trabalhava e trabalhava.

Contudo o Santo não devia ver o resultado de tão ingentes esforços, como dizia aos discípulos: "Os afazeres dasao clemente m hofbauer_4.jpg congregação não se conformarão senão depois de minha morte. Tende paciência, pois que, assim que deixar escapar o último suspiro, tereis conventos em abundância."

São Clemente Maria pregou pela última vez em 1820, no dia 8 de Março. Estava, então, na Áustria. A 15, sob altíssima febre, recebeu os derradeiros sacramentos. Depois da ação de graças, dormiu um pouco. Quando acordou, a sorrir, disse os primeiros versos de um cântico favorito: - Tudo em honra de meu Deus! Era meio-dia quando ouviu os sinos a dobrar. Exclamou aos que o assistiam: - Rezai! Angelus Domini!

Os assistentes ajoelharam-se, rezaram as três Ave-Marias e, ao se levantar, Clemente Maria já se fora para sempre dentre eles. Pio VII, quando soube daquela morte, da perda imensa que o mundo cristão sofria, disse: - A religião perdeu, na Áustria, o principal sustentáculo.

Segundo a bula de canonização, o corpo de Clemente Maria Hoffbauer foi sepultado no cemitério de Santa Maria de Enzerdorf. O túmulo foi objeto de veneração e lugar de peregrinação. Ora, os redentoristas de Viena, desejosos de possuírem os preciosos restos do santo missionário, de tê-los ao pé de sua casa, transferiram-nos para a igreja de Santa Maria Scalaris, quanto, então, uma mulher, doente do peito e desenganada pelos médicos, recuperou a saúde.

São Clemente Maria Hoffbauer foi canonizado, solenemente em 1909, a 20 de Maio, por São Pio X. (Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume V, p. 56 à 61)

 
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