Apóstolo da Inglaterra
De crucial importância para a extensão do manto da Santa Igreja sobre toda a Europa, Santo Agostinho de Cantuária é conhecido como primaz da Inglaterra.
A ilha, antes habitada e compartilhada por um povo belicoso e descentralizado, recebeu de braços abertos a figura católica enviada pelo Santo Padre.
Santo Agostinho inserido na História
A ilha britânica, jazendo nas profundezas do paganismo até o século V, viu uma centralização política que ainda não experimentara depois do poder romano: o rei de Kent, Edelberto, é aclamado como um personagem influente nos outros condados.
Os líderes dos saxões de Middlesex e de Essex, juntamente com os homens da Ânglia Oriental e da Mércia, reconheceram sua importância, e assim, a Cristandade para lá do Canal da Mancha sentiu que um novo reino se formava.
O Senhor da Gália, então, a fim de estabelecer uma sólida amizade, deu sua filha Berta em casamento a Edelberto, exigindo que suas crenças fossem respeitadas na ilha. O saxão concordou, resultando em uma nova oportunidade para a Igreja.
Nesta época, ocupava o sólio pontifício o portentoso Gregório Magno, que já tivera contato com a nação saxã antes. Passava ele pelo mercado romano quando viu alguns que cantavam melodias de sua terra natal. Maravilhado com a afinação e compostura, perguntou que povos eram estes.
— São anglos, senhor.
Ao que ele respondeu:
— Não são anglos, são Anjos!
Assim, ainda oportunamente feliz pela ida de Berta à ilha, prescreveu que quarenta monges fossem enviados com ela, para fazer crescer uma comunidade cristã em torno da futura rainha e lhe administrassem os Sacramentos e a doutrina católica. O líder destes escolhidos foi Agostinho, prior do Mosteiro Santo André.
Nas ilhas da Grã-Bretanha
Porém, chegando lá, Santo Agostinho se assustou com a ferocidade dos saxões e resolveu retroceder de volta à Roma, chegando até a Gália. Conversou com São Gregório Magno, que o admoestou, encorajando-o a ir trabalhar na messe de Cristo.
Santo Agostinho não hesitou mais e partiu, agora como abade do futuro mosteiro que abriria em terra saxãs.
Chegaram até o reino de Kent.
Edelberto os esperava lá e ficou impressionado ao ver o cortejo dos monges, que vinham cantando e andando em ordem, orientados por Santo Agostinho de Cantuária.
O rei deu permissão para que pregassem sua religião, mas proferiu um aviso de sábio discernimento:
Vossas palavras e promessas são muito justas, porém, como elas são novas para nós e de importância desconhecida, não posso simplesmente concordar com elas e desistir do que há muito tenho em comum com toda a nação inglesa.
Mas, vindo vós como estrangeiros de tão grande distância e, como posso notar, estando ansiosos para que nós também compartilhemos da crença naquilo que concebestes como bom e verdadeiro, nós não interferiremos.
Antes vos receberemos, em gentil hospitalidade, e trataremos de providenciar o suporte que vos for necessário para que vos estabeleçais.
Além disso, não faremos objeção à vossa vitória com muitos convertidos, de acordo com vosso credo.
Estava dada a aprovação real para a missão cristã em terras saxônicas.
Conversão do rei e ordenação de Santo Agostinho, Bispo de Cantuária
Santo Agostinho assumiu como Bispo a sede de Canterbury, em português Cantuária, no reinado de Kent. Logo que pôde, começou as obras de evangelização, consagrando uma sede para o descanso dos monges missionários.
O rei recebeu uma graça e pediu que fosse instruído na Fé Cristã. Pouco depois estava sendo batizado e recebendo das mãos de Agostinho o óleo santo da Crisma.
A notícia foi enviada a São Gregório Magno, que se felicitou profundamente com mais um território conquistado para Cristo.
Rapidamente, Santo Agostinho ajudou o Santo Padre, consoante a boa vontade do rei, a dividir as terras sob seu reinado em dioceses, e mandou outros Bispos que foram ocupando os espaços determinados: depois da sede de Canterbury, havia a de Londres e a de Rochester.
O Rei Edelberto facilitou a comunicação de Santo Agostinho com uma comunidade ao sul da Bretanha, que possuía uma certa herança cristã, a qual estava mesclada com costumes e crenças celtas. O Bispo da Cantuária tentou uma reconciliação, mas os segregados não quiseram ceder em pontos vitais da doutrina católica e deram as costas ao Santo.
Os últimos anos de Santo Agostinho de Cantuária foram dedicados à organização das obras cristãs que surgiam, bem como ao cuidado da família real com a fé recém-adquirida.
Morreu em 604, com mais de 60 anos, e jaz hoje na Catedral de Cantuária, onde iniciou seus trabalhos de conversão saxônica.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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