Dom Sérgio Eduardo Castrini, Arcebispo Metropolitano de Manaus, capital do Amazonas, publicou no jornal Amazonas em Tempo um artigo a propósito da festa de Nossa Senhora de Nazaré.
Conhecida como a Rainha da Amazônia, Ela arrasta milhões de devotos na famosa procissão do Círio de Nazaré.
Transcrevemos aqui excertos do artigo de Dom Sérgio.
Em todo o Brasil
Neste domingo (13/10/2019), milhares de pessoas reúnem-se em Belém do Pará e também em Manaus, na paróquia que tem como padroeira Nossa Senhora de Nazaré.
Um grande número de devotos acompanha a imagem na procissão.
Ontem (12/10), em todo o Brasil, multidões reuniram-se em procissões e concentrações para expressar carinho, devoção e confiança na proteção de Nossa Senhora Aparecida, venerando a pequena imagem que apareceu nas águas de um rio e que foi achada por pescadores que ganhavam o pão de cada dia.
Devoção a Nossa Senhora
Para os católicos, a devoção a Maria, a Mãe de Jesus, é natural e não precisa ser explicada nem justificada, muito embora haja longos tratados teológicos a respeito do assunto.
Encontrar-se com Jesus é encontrar-se com sua Mãe, nada mais natural.
Se o mistério da Encarnação é central no Cristianismo, e é real e biológico, nada mais evidente que reconhecer a participação da Mãe do Verbo Encarnado no mistério da salvação e nada mais humano que recorrer a Ela como auxílio e proteção.
Na história da evangelização e da missão, a piedade popular foi reconhecendo a presença de Maria na vida do povo, na vida das famílias e na vida da Igreja.
Nas horas de aflição e nas horas de alegria, nos momentos festivos e de solidão, as Ave-Marias rezadas com atenção ou despreocupadamente vão acompanhando a nossa história pessoal e comunitária.
Nossa Senhora é Mãe
Maria é Mãe, e basta isto para ser importante e fundamental.
Todos sabemos o que significa a figura materna nas nossas vidas. E sabem disto mais ainda aquelas que têm o privilégio de serem mães.
Repúdio
Dom Sérgio repudia dois crimes acontecidos contra mulheres nesta semana e aproveita a ocasião para indicar solução para que casos como esses não só sejam repudiados, mas que não sejam uma constante como vêm sendo nos últimos tempos:
É evidente que não se pode esperar milagres com a aprovação de uma lei. É preciso implementá-la e isto leva tempo. Mas tem um gosto amargo saber que a violência aumentou.
É claro que as razões são muitas. Mas fica evidente que não basta aparelhar o Estado e seus poderes constituídos com leis, é preciso reformar o próprio Estado e suas instituições para que de fato sirvam o povo, que é a razão de sua existência.
Solução em Maria
Que a devoção a Maria, tão presente no nosso país, nos ajude a construir uma nação pacífica e a sermos um povo não violento.
Oxalá no futuro possamos nos orgulhar de sermos um povo onde as mulheres não sofram violência impunemente. Nas celebrações em que participo, este é o meu pedido à Mãe de Jesus.
Que os corações sejam transformados e que a violência cesse.
E que, quando a violência acontecer, a justiça seja restaurada e que aos violentos não seja permitido agir sem que se preste contas à sociedade e que o Estado brasileiro esteja de fato, e não só de direito, a serviço dos mais vulneráveis, no caso, as mulheres.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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