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Catecismo


As indulgências
 
AUTOR: SEVERIANO ANTONIO DE OLIVEIRA
 
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Nem todos os católicos conhecem a fundo essa obra-prima dos cuidados maternais da Igreja para cada um de seus filhos.

Jubilosa e encantada, Santa Teresa, a Grande, viu certo dia subir radiante para o Céu a alma de uma religiosa que acabara de falecer. E ficou surpresa com o fato, por tratar-se de uma freira de vida muito simples. Depois, em um de seus colóquios com Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele explicou-lhe o motivo desse privilégio: “Ela sempre teve grande confiança nas indulgências concedidas pela Igreja; e sempre se esforçou para ganhar o maior número possível delas”.

Sempre se esforçou para ganhar o maior número possível de indulgências… por isto foi para o Céu, logo após a morte, sem passar pelo terrível fogo do Purgatório!

Não é isto o que todos nós também queremos? Pois, então, imitemos o exemplo dessa boa religiosa.

O Purgatório, lugar de expiação

Todos os homens, nesta vida terrena, cometem pecados. “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”, diz o Apóstolo São João (1Jo 1,8). Portanto, todos têm penas a pagar, neste mundo ou após a morte.

Quando o pecado é mortal, a pena devida é a condenação eterna ao fogo do inferno. A Confissão bem feita não só apaga a grave ofensa feita a Deus, mas também livra o pecador da pena eterna.

Não o livra, porém da pena temporal. Ele deverá fazer uma expiação para purificar sua alma das seqüelas do pecado, reparar pela glória de Deus ofendida, restaurar os danos causados à sociedade e à integridade da ordem universal.

Dá-se a essa expiação o nome de pena temporal, porque ela é limitada por um tempo, ou seja, não é eterna. O pecador a cumprirá, ou voluntariamente nesta terra, por penitências e boas obras, ou pelos sofrimentos purificadores do Purgatório, fixados para cada alma segundo a justíssima e santíssima Sabedoria divina.

A existência de um lugar de purificação após a morte, chamado Purgatório, é um dogma de Fé definido em vários concílios, sobretudo nos de Florença e de Trento. E o Catecismo da Igreja Católica dá ensinamento claro e preciso a este respeito: “Os que morrem na graça e amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. (…) Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos” (nº 1030 e 1032).

Perdão da pena temporal

Aqui entra a importância das indulgências. Elas redimem, isto é, apagam a pena temporal devida pelos pecados mortais já perdoados na Confissão, e pelos pecados veniais. O homem que morre em estado de graça e tenha recebido uma indulgência plenária, vai diretamente para o Céu, sem passar pelo Purgatório.

Elas constituem, pois, um dom de Deus, pelo qual Ele manifesta a plenitude de sua misericórdia. Basta estarmos em estado de graça, para a Igreja, nossa Mãe, confiar-nos esta chave do seu tesouro, chamada indulgência. Com ela, podemos, por assim dizer, “sacar” nos depósitos dos méritos infinitos de Jesus Cristo – aos quais se acrescem os da Santíssima Virgem e os de todos os Santos – para quitarmos não só nossas próprias dívidas para com Deus, como também as das almas do Purgatório.

Há duas categorias de indulgências: a plenária redime a totalidade das penas temporais devidas por uma alma; a parcial redime apenas parte dessas penas.

Qual o tamanho dessa parte? Depende da piedade de cada alma em questão. Eis o que diz o Manual das Indulgências, publicado pela CNBB: “O fiel que, ao menos com o coração contrito, faz uma obra enriquecida de indulgência parcial, com o auxílio da Igreja, alcança o perdão da pena temporal, no mesmo valor ao que ele próprio já ganha com sua ação“. Ou seja, em outros termos, quando alguém pratica um ato piedoso ou reza uma oração, Deus lhe concede a remissão de uma certa parte de suas penas temporais. Se esse ato ou essa oração é enriquecido pela Igreja de indulgência parcial, Deus dobra o valor da remissão concedida.

Então, quanto mais fervor houver na oração, maior será a parte da pena redimida.

Cuidados maternais da Igreja

Pondo à disposição dos fiéis o tesouro inexaurível das indulgências, a Santa Igreja tem por objetivo facilitar a todos a entrada no Reino dos Céus, para viverem eternamente felizes, no convívio com a Virgem Maria, os Anjos e Santos.

E ela faz isso com zelo materno e sabedoria divina. Pois, por um lado, nos oferece inúmeros recursos para diminuir o prazo da pena temporal. Por outro lado, ela leva os fiéis a, para obter as indulgências, praticar atos de Fé, Esperança e Caridade, rezar, freqüentar os Sacramentos, socorrer os carentes e necessitados de bens materiais e espirituais.

Todas essas são obras pelas quais o homem avança na via da santificação pessoal e ajunta para si um tesouro no Céu. Assim, as indulgências são uma obra-prima dos cuidados maternais da Igreja para todos os seus filhos.

Que cada um saiba tirar desse carinho de mãe todo o proveito para sua própria salvação e a de seus entes queridos!

E também para nossos irmãos da Igreja Padecente. Qualquer indulgência pode ser aplicada em benefício das almas do Purgatório. E, ninguém pratica a virtude da gratidão como elas.

Se rezamos ou fazemos sacrifícios por essas almas, depois elas intercedem por nós com especial empenho junto a Deus

Condições para ganhar indulgências

Para alguém ser capaz de lucrar qualquer indulgência – plenária ou parcial – é indispensável ser batizado, não estar excomungado, e encontrar-se em estado de graça.

Precisa também ter intenção, ao menos genérica, de ganhá-la, e deve praticar o ato prescrito para tal.

Mãe extremamente dadivosa, a Santa Igreja põe à disposição dos fiéis um grande número de atos enriquecidos de indulgência, tanto plenária quanto parcial. Abaixo, estão relacionados os mais comuns, aqueles mais fáceis de praticar no dia-a-dia de qualquer pessoa. O leitor que desejar a relação completa pode consultar o Manual das Indulgências, à venda nas livrarias católicas.

Plenária

Pode-se ganhá-la apenas uma vez em cada dia; só em artigo de morte é possível lucrar mais uma no mesmo dia.

Para receber uma indulgência plenária, é preciso, além das condições gerais mencionadas acima, confessar-se, comungar e rezar nas intenções do Sumo Pontífice.

Uma confissão vale para várias indulgências, cada comunhão vale apenas para uma. Convém que a comunhão e a oração sejam no mesmo dia, mas podem ser em dias diferentes, tanto antes quanto depois da execução da obra prescrita.

São as seguintes as “obras prescritas” mais comuns:

1 – Adoração ao Santíssimo Sacramento, de pelo menos meia hora.
2 – Leitura espiritual da Sagrada Escritura, pelo menos por meia hora.
3 – Exercício da Via-Sacra, quando feito piedosamente, percorrendo as 14 estações do caminho do Calvário legitimamente eretas.
4 – Recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório, na família, na comunidade religiosa ou numa piedosa associação.
5 – Receber com piedade e devoção a bênção dada pelo Sumo Pontífice a Roma e ao mundo; é válida a bênção recebida por rádio ou televisão.

Além desses, há mais de vinte outros atos enriquecidos com indulgência plenária, quando praticados em determinados dias ou circunstâncias. Por exemplo, dia de Finados, na primeira Missa de um sacerdote, etc.

Parcial

Dentro das condições gerais descritas acima, o fiel lucrará indulgência parcial toda vez que, estando ao menos de coração contrito, rezar a oração ou executar a ação indulgenciada.

Pode-se, portanto, lucrá-la um número indeterminado de vezes ao dia, dependendo apenas do empenho de cada fiel.

Ganha indulgência parcial:

1 – Quem, no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida, ergue o espírito a Deus com humilde confiança e faz uma piedosa invocação, mesmo que brevíssima e só em pensamento. Por exemplo: “Creio” – “Meu Deus!” – “Confio em Vós”. Qualquer um que esteja “no cumprimento do dever e na tolerância das aflições da vida” pode repetir uma invocação dessas mais de mil vezes num só dia!

2 – Quem, levado pelo espírito de fé, e com o coração misericordioso, faz um sacrifício no serviço dos irmãos que sofrem falta do necessário. Assim, dar alimento ou roupa a um pobre, visitar um doente, consolar os que sofrem, ensinar alguém a rezar, reconduzir às atividades paroquiais algum católico não-praticante – todos esses atos são exemplos de boa obra no serviço dos irmãos necessitados.

3 – Quem se abstém de coisa lícita e agradável, em espírito espontâneo de penitência. Podem ser atos simples, como deixar de comer uma fruta, etc.

4 – Há também um grande número de orações e atos enriquecidos com indulgência parcial: todas as ladainhas aprovadas pela autoridade competente, o Creio em Deus, o Magnificat, a Salve Rainha, o Lembrai-Vos, o Salmo 50 (Senhor, tem piedade), o sinal-da-cruz, a comunhão espiritual, etc.

Lucra ainda indulgência parcial o fiel que usa objetos de piedade (rosário, crucifixo, escapulário, medalha) bentos por qualquer sacerdote ou diácono.

(Revista Arautos do Evangelho, Set/2004, n. 33, p. 36-37)

 
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