A Quaresma é o período litúrgico de quarenta dias que vai da Quarta-feira de Cinzas até à Missa na Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa.
Nesses dias, a Igreja nos convida sobretudo para a conversão, mudança de vida e renúncias concretas aos prazeres corporais, tendo em vista a vida eterna que nos espera.
Não há salvação sem sacrifício.
Por isso separamos aqui algumas orientações práticas para você viver esse tempo quaresmal de forma mais intensa e fecunda.
Intensificação e fortalecimento dos momentos de oração
Primeiramente, seja pessoal ou em comunidade, a oração é fundamental no tempo da Quaresma.
É o momento de elevar a mente a Deus e a Nossa Senhora.
Por isso, não poupe esforços para intensificar e fortalecer esses instantes.
Que tal começar estabelecendo um horário no seu dia para rezar e refletir sobre algum trecho da Bíblia?
Confissão e pequenos atos de penitência
A Quaresma é um tempo propício para a penitência.
Conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC):
“Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, peregrinações em sinal de penitência, privações voluntárias como o jejum e a esmola, etc” (CIC § 1438).
Não se trata de um castigo, mas uma forma de buscar a santidade e a purificação.
Desse modo, não deve ser feita como obrigação, pelo contrário, com vontade, alegria e tendo consciência do propósito desta ação.
Esmola e caridade
“Tenhamos caridade e humildade e façamos esmolas, já que estas lavam as almas das nódoas dos pecados” (São Francisco).
Quaresma é tempo de caridade!
Por isso, veja o que você pode fazer por uma pessoa, família ou instituição que precise de doações.
Assim nos lembra São Leão Magno:
“Estes dias quaresmais nos convidam de maneira premente ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados”.
Prática da abstinência
Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: são os dois dias do ano em que a Igreja define jejum e abstinência obrigatórios.
A abstinência, em síntese, é abster-se do uso de carnes e seus derivados, exceto peixes e frutos do mar.
Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado catorze anos e tal obrigação se prolonga por toda a vida.
Grávidas, lactantes e doentes estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.
Nas demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades, a abstinência é obrigatória.
Contudo, no Brasil, há uma orientação específica da CNBB.
Esclarecimentos sobre o jejum
Para maiores esclarecimentos, confira também:
♦ O jejum é obrigatório para as pessoas entre dezoito e cinquenta e nove anos completos. Os demais podem fazer, mas sem obrigação.
♦ As grávidas, lactantes e doentes também estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia.
♦ Água e remédios são sempre permitidos.
♦ Pode-se praticar o jejum de diversos modos, tais quais:
- pão e água: também conhecido como jejum bíblico, consiste em pão e água durante todo o dia.
- à base de líquidos: tais quais chás, vitaminas, laticínios, menos caldos.
- abster-se de alguma das refeições: escolhe-se uma das refeições para não ser feita e comer moderadamente nas duas outras.
- jejum completo: só água durante o dia.
- O jejum eclesiástico: consiste em tomar uma única refeição completa até a saciedade (o que não significa empanturrar-se, mas comer o suficiente segundo a própria condição). Além dessa refeição única, que pode ser feita à hora do almoço, do jantar ou mesmo no café-da-manhã, a disciplina tradicional da Igreja reconhece a possibilidade de se tomarem duas outras refeições, ligeiras e bem modestas, ao longo do dia.
Contudo, para ser jejum, é necessário sentirmos fome. As demais mortificações, ou penitências, podem ser bem-vindas, porém não são jejum.
Nesse sentido é possível também estabelecer "jejum" da maledicência (fofoca), de palavras nocivas, de atitudes que vão contra os ensinamentos de Jesus.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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