A pequena semente de mostarda ao ser plantada, com o passar dos anos cresce vertiginosamente, transformando-se na maior de todas as hortaliças. Uma pessoa desconhecedora de botânica, querendo buscar uma relação de causa e efeito entre a semente e a árvore, teria um sobressalto. Como de tão pequeno grão pode surgir um tamanho arbusto?
Tal perplexidade também se dá em uma alma ausente de fé, que voltando seus olhos a um passado já muito distante, considera doces humildes pescadores, circundando um homem de semblante afável e acolhedor, ensinando verdades nunca antes proferidas por lábios humanos. Poderá crer que ali está a semente que fará germinar a maior árvore da terra, chamada Santa Igreja Católica Apostólica Romana?
Quem imaginaria que suas raízes se espalhariam por todo o mundo e que nações inteiras viriam abrigar-se em sua sombra? Este desconhece a seiva desta frondosa árvore. Sua origem é toda divina, brotada do flanco aberto de Jesus Cristo no alto da cruz. Esta árvore planta pelo Divino Agricultor tem um título que a todo católico é muito querido. É também chamado de mãe. Isto no sentido pleno da palavra que é o de gerar filhos. Mas com uma característica muito superior ao comum das mães. Estas, biologicamente, têm um período em que podem engendrar filhos e com o passar dos anos tal capacidade deixa de existir. A Santa Mãe Igreja não.
Ela é esta mãe tão fértil que engendra filhos em todas as épocas históricas e de acordo com suas necessidades. Assim, durante a invasão dos bárbaros ela gerou os beneditinos, uma instituição eminentemente civilizadora. No século XIII, marcado por um período de riqueza e opulência, ela fez nascer dois grandes filhos; os Franciscanos e os Dominicanos, que, desejando pobreza, traziam o equilíbrio à sociedade de então, No período da Pseudo-reforma, no qual muitas vezes se levantaram contra esta mesma mãe, ela outra vez dá a luz a mais um filho: a Companhia de Jesus. Esta, com todo ardor e desejo de conquista, não só respondeu às indagações suscitadas contra a Igreja, como também expande suas raízes pelo novo mundo.
No momento atual em que a Igreja passa por uma crise sem precedentes em sua história, onde estão estes novos filhos engendrados por ela para defendê-la?
Graças a Deus, sã muitas as instituições que neste período conturbado ela tem gerado. Várias, todavia, são ternas crianças, mas que estão alcançando sua maturidade para cumprir a honrosa missão de defendê-la. Peçamos a Deus para que sejamos também um destes filhos, que fiel e humildemente possam servir a sua santa mãe na implantação do Reino de Cristo na Terra.
Por Inácio Almeida
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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