O tema proposto para esta Plenária é particularmente atual: Pastoral familiar e casais em dificuldade.
Trata-se de um tema amplo e complexo, do qual desejais considerar apenas alguns aspectos, pois já tivestes a oportunidade de o enfrentar noutras ocasiões.
A respeito disto, gostaria de vos oferecer algumas sugestões para vossa reflexão e orientação.
“A família que reza unida, permanece unida”
Num mundo que está secularizando-se cada vez mais, é importante como nunca que a família crente tome consciência da própria vocação e da sua missão.
O ponto de partida para ela, em qualquer contexto e circunstância, é salvaguardar e intensificar a oração, uma oração incessante ao Senhor, para que a própria fé cresça e seja cada vez mais vigorosa.
Como escrevi na Carta apostólica Rosarium Virginis Mariæ: “A família que reza unida, permanece unida” (n. 14).
É verdade que, quando se vivem determinados momentos, o subsídio da ciência pode oferecer uma boa ajuda, mas nada poderá substituir uma fé fervorosa, pessoal e confiante, que se abra ao Senhor, que disse: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei” (Mt 11, 28).
O encontro com Cristo vivo, Senhor da Aliança, é a fonte indispensável de energia e de renovação, precisamente quando aumentam a fragilidade e a debilidade.
Eis por que é necessário recorrer a uma vida espiritual intensa, abrindo o espírito à Palavra de vida.
É necessário que no fundo do coração ressoe a voz de Deus, a qual, mesmo se por vezes parece calar-se, na realidade ressoa constantemente nos corações e acompanha-nos ao longo do caminho marcado pelo sofrimento, como aconteceu com os dois peregrinos de Emaús.
Deve reservar-se uma solicitude especial aos jovens casais, para que não se rendam face aos problemas e conflitos.
A oração, a frequência constante do sacramento da Reconciliação, a direção espiritual, nunca devem ser abandonadas com a intenção de as substituir por outras técnicas de apoio humano e psicológico.
Nunca deve ser esquecido aquilo que é fundamental, isto é, viver em família sob o olhar terno e misericordioso de Deus.
A riqueza da vida sacramental, no âmbito de uma família que participa na Eucaristia todos os domingos (cf. Dies Domini, 81), é, sem dúvida, o melhor antídoto para enfrentar e superar obstáculos e tensões.
Fragilidade da família sem a vida sacramental
Isto torna-se ainda mais necessário quando proliferam estilos de vida e se difundem modas e culturas que fazem duvidar do valor do matrimônio, chegando até a considerar impossível o dom recíproco dos esposos até à morte, numa jubilosa fidelidade (cf. Carta às Famílias, 10).
A fragilidade aumenta se predomina aquela mentalidade divorcista, que o Concílio denunciou com vigor, por que leva, muitas vezes, a separações e a rupturas definitivas.
Também uma educação sexual mal-concebida prejudica a vida da família. Quando falta uma preparação integral para o matrimônio, que respeite as etapas progressivas do crescimento dos namorados (cf. Familiaris consortio, 66), reduzem-se na família as possibilidades de defesa.
Ao contrário, não existe uma situação difícil que não possa ser enfrentada de modo adequado quando se cultiva um clima de vida cristã coerente.
O próprio amor, ferido pelo pecado, também é um amor redimido (cf. CIC, 1608). É evidente que, na ausência de vida sacramental, a família cede mais facilmente às insídias, porque permanece sem defesas.
Como é importante favorecer o apoio familiar para os casais, sobretudo jovens, por parte das famílias espiritual e moralmente sólidas! É um apostolado fecundo e necessário sobretudo neste momento histórico.
Conversar com os filhos é indispensável para sua formação
Gostaria de acrescentar, a este ponto, uma consideração sobre o diálogo que deve ser cultivado no processo formativo com os filhos. Falta, muitas vezes, o tempo para viver e dialogar em família.
Com frequência, os pais sentem-se despreparados e até receiam assumir, como é seu dever, a tarefa da educação integral dos seus filhos.
Pode acontecer que estes, precisamente devido à falta de diálogo, encontrem obstáculos sérios em ver nos seus pais modelos autênticos a imitar e vão procurar noutras partes modelos e estilos de vida que muitas vezes se manifestam falsos e lesivos da dignidade do homem e do verdadeiro amor.
A banalização do sexo, numa sociedade saturada de erotismo, e a falta de referências de princípios éticos, podem arruinar a vida das crianças, dos adolescentes e dos jovens, impedindo a sua formação para um amor responsável, maduro, e para o desenvolvimento da sua personalidade.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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