Através de vós, saúdo e abraço o clero, os religiosos e os fiéis leigos da Zâmbia. Recentemente, na Alemanha, tive ocasião de dizer:
Como pessoas de oração, cheias da sua luz, vamos ao encontro dos outros e, envolvendo-os em nossas preces, os fazemos entrar no âmbito da presença de Deus, o qual não deixará de fazer a sua parte.
Encorajo-vos, pois, a exortar vossos fiéis a consagrarem-se à oração e à santidade, descobrindo assim o tesouro de uma vida edificada na Fé em Cristo. Que eles convidem todos aqueles com os quais se encontrem a compartilhar este tesouro!
“Procurai educar o povo no valor e na prática da oração”
A luz da santidade, que resplandece naqueles que descobriram este tesouro, acende-se no momento do Batismo. No Batismo, Cristo liberta o fiel do domínio do pecado, tirando-o de uma existência repleta de medo e de superstição, e chamando-o a uma vida nova.
“Caríssimos, agora somos filhos de Deus […] e todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo” (I Jo 3, 2-3). Com efeito, o cristão deposita em Cristo sua confiança e pode ter sempre a certeza de que Ele o ouve e responde às suas orações.
Enquanto vos esforçais por preparar vosso povo para levar uma vida de santidade genuína, procurai educá-lo no valor e na prática da oração, especialmente da oração litúrgica, na qual a Igreja se une de forma sublime a Cristo, Sumo Sacerdote, na sua intercessão eterna pela salvação do mundo.
Além disso, a Igreja Católica encoraja os fiéis a praticarem formas de piedade popular.
Portanto, ensinai sempre ao vosso povo o valor da intercessão dos Santos, que são os grandes amigos de Jesus (cf. Jo 12, 20-22), e particularmente a especial intercessão de Maria, sua Mãe, que está sempre atenta às nossas necessidades (cf. Jo 2, 1-11).
Meus queridos Irmãos Bispos, estou certo de que continuareis a dedicar vossas vidas, com amor generoso, ao povo de Deus na Zâmbia. O Senhor escolheu-vos para o amparar e orientar no caminho da santidade.
Fazei isso mediante conselhos sábios, determinação constante e carinho paterno. No seu comentário sobre a Carta de São Paulo a Tito, São Jerônimo diz:
“Que o Bispo pratique a abstinência, no que diz respeito a todas as inquietações que podem agitar a alma: não se deixe inclinar para a cólera, esmagar pela amargura ou torturar pelo medo”.1
Isto é verdade de maneira especial nas vossas relações com os irmãos sacerdotes, que por vezes podem ser desviados pelas numerosas tentações da sociedade contemporânea.
Como pastores e pais dos vossos cooperadores na vinha, tendes o dever de comunicar-lhes sempre a alegria de servir o Senhor com o adequado desapego das coisas deste mundo.
Recordai-lhes que eles estão próximos do coração do Papa e presentes nas suas orações quotidianas.
Convosco, eu os encorajo a permanecerem firmes na Fé autêntica e aspirarem à esperança viva da posse jubilosa daquele tesouro eterno e incorruptível, conquistado para nós por Jesus Cristo (cf. I Pd 1, 4).
Compaixão de Cristo por todas as pessoas que sofrem
Cremos que a Igreja é santa. Quando encorajais vossos sacerdotes a levarem uma vida em conformidade com sua vocação, quando pregais o amor generoso e a fidelidade no matrimônio e quando exortais todas as pessoas a praticarem obras de misericórdia, recordai-lhes as palavras proferidas pelo próprio Senhor:
“Vós sois a luz do mundo […] Brilhe vossa luz diante dos homens de modo que, vendo vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos Céus” (Mt 5, 14-16).
A santidade é um dom divino que se patenteia no amor a Deus e no amor ao próximo. Queridos Irmãos, mostrai ao vosso povo o maravilhoso rosto de Cristo, levando uma vida de amor genuíno.
Manifestai a compaixão de Cristo de maneira especial pelos pobres, os refugiados, os doentes e todas as pessoas que sofrem.
Ao mesmo tempo, continuai a proclamar, no vosso ensinamento, a necessidade da honestidade, do afeto familiar, da disciplina e da fidelidade, que têm um impacto decisivo na saúde e na estabilidade da sociedade.
Vossa visita a Roma constitui um sinal visível da vossa busca pessoal de santidade e do vosso desejo ardente de agir como anunciadores do Evangelho, seguindo o exemplo heróico dos Apóstolos Pedro e Paulo.
São Mateus expressa da seguinte forma o mandato missionário da Igreja:
Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado.
E Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo (Mt 28, 19-20).
Este trecho é um manancial de grande esperança para todas as pessoas que dedicam suas energias ao ministério apostólico. Estas palavras nos recordam a presença constante e concreta de Cristo vivo na sua Santa Igreja Católica.
Exorto cada um de vós, bem como aqueles que cooperam convosco no vosso ministério, a meditardes sobre tais palavras e a renovardes vossa confiança no Senhor.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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