Uma mudança é instantânea por três razões. Antes de tudo, por causa da forma que é o término da mudança.
Se existe uma forma que comporta mais ou menos, como a saúde, o sujeito se apropria dela sucessivamente. E porque a forma substancial “não comporta mais e menos”, então acontece que ela é introduzida na matéria instantaneamente.
Uma segunda razão vem do sujeito, que, às vezes, se prepara progressivamente para receber a forma, como acontece com a água que aquece aos poucos. Quando, porém, o próprio sujeito já está na última disposição para a forma, recebe-a logo, como um corpo transparente se ilumina imediatamente.
Finalmente, da parte do agente, que possui um poder infinito. Por isso, pode logo dispor a matéria para a forma. Aliás é o que se relata no Evangelho, quando Cristo disse “‘Effettá’, isto é: ‘Abre-te’. Logo se lhe abriram os ouvidos, a língua se lhe desatou”.
Por essas três razões, a conversão eucarística se processa instantaneamente.
Porque a substância do Corpo de Cristo, que é o termo desta conversão, não comporta mais e menos. Porque nesta conversão não existe nenhum sujeito que se prepara progressivamente. Porque está em questão o poder infinito de Deus.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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