“Eu sozinho não posso suportar todo esse povo; ele é pesado demais para mim” – queixou-se Moisés ao Senhor. E concluiu aflito: “Em lugar de tratar-me assim, rogo-Vos que antes me façais morrer, se achei agrado a vossos olhos, a fim de que eu não veja a minha infelicidade!” Apiedando-se dele, Deus lhe respondeu:
Junta-me setenta homens entre os anciãos de Israel, que sabes serem os anciãos do povo e tenham autoridade sobre ele. Conduze-os à tenda de reunião, onde estarão contigo. Então descerei e ali falarei contigo. Tomarei do espírito que está em ti e o derramarei sobre eles, para que possam levar contigo a carga do povo e não estejas mais sozinho (Nm 11, 14-17).
Esses anciãos auxiliares de Moisés foram citados durante vários séculos nos documentos eclesiásticos para ilustrar a função dos cardeais em torno do Papa: ajudá-lo na condução da Igreja.
A instituição cardinalícia é resultado de um longo processo, cujas raízes se encontram já no século II da era cristã.
Roma era dividida em “paróquias”, ou “tituli”. O primeiro presbítero de cada “título” era conhecido como o principal, ou “cardeal”. O mesmo ocorria com os diáconos que administravam as regiões encarregadas do cuidado dos pobres.
Um documento de 499 traz a assinatura de 28 cardeais, presentes no Concílio de Roma.
Com o crescimento dos encargos papais, os Pontífices chamaram os bispos das cidades vizinhas para auxiliá-lo. Aí está a origem dos cardeais-bispos. A primeira diocese cardinalícia foi a de Albano, em 680.
Os cardeais foram recebendo encargos cada vez maiores, e passaram a se reunir semanalmente com o Papa – nos consistórios – para tomar decisões a propósito de administração e finanças, criação e supressão de dioceses, problemas dogmáticos e questões de disciplina, entre outros.
Sua importância cresceu ainda após o decreto “In nomine Domini”, de Nicolau II, em 1059, que regulamentava as eleições papais, instituindo-os como os únicos eleitores.
Refletindo a universalidade da Igreja, lentamente ocorreu uma internacionalização do colégio cardinalício, tendência que ganhou força com São Gregório VII (1073-1085).
A pari passu com o desenvolvimento do cardinalato, a Igreja foi instituindo os organismos que hoje compõem o belo tecido eclesial.
Tudo nasceu como em família, e foi adquirindo santidade, solidez jurídica e doutrinária, dando-lhe o vigor, não de uma instituição que não morre, nem mesmo chega à agonia, mas rejuvenesce sempre.
Em 24 de março, o Papa Bento XVI realizou o primeiro consistório de seu pontificado, criando quinze novos cardeais. Pouco antes, ao anunciar esse evento, recordara a tradição dos Papas de chamarem o colégio cardinalício de pars corporis nostri (parte de nosso corpo), tal deve ser sua união com o Pontífice.
Como desde os primeiros séculos, o Papa teve inteira liberdade na escolha, e embora não esteja envolvida aí a infalibilidade pontifícia, é certo que o Espírito Santo o iluminou.
Conscientes da importância dessas nomeações, para o futuro da Igreja, os Arautos do Evangelho têm nelas os olhos fixos, e oferecem suas orações nas intenções do Santo Padre a seu respeito.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas