Amados irmãos! Dou-vos as boas-vindas por ocasião do anual Curso sobre o Foro Íntimo. Agradeço ao Cardeal Mauro Piacenza as palavras com que introduziu este nosso encontro.
Durante um quarto de século a Penitenciaria Apostólica oferece, sobretudo a neopresbíteros e diáconos, a oportunidade deste curso, a fim de contribuir para a formação de bons confessores, conscientes da importância deste ministério.
Agradeço-vos este serviço precioso e encorajo-vos a levá-lo por diante com renovado empenho, fazendo tesouro da experiência adquirida e com sábia criatividade, para ajudar cada vez mais a Igreja e os confessores a desempenhar o ministério da misericórdia, que é tão importante!
Desejo, a este propósito, oferecer-vos algumas reflexões.
Curar como médico e absolver como juiz
Antes de mais nada, o protagonista do ministério da Reconciliação é o Espírito Santo.
O perdão que o Sacramento confere é a vida nova transmitida pelo Senhor Ressuscitado por meio do seu Espírito: “Recebei o Espírito Santo. A quantos perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; a quantos não perdoardes, não serão perdoados” (Jo 20, 22-23).
Por conseguinte, vós sois chamados a ser sempre “homens do Espírito Santo”, testemunhas e anunciadores, jubilosos e fortes, da Ressurreição do Senhor. Este testemunho lê-se no rosto, sente-se na voz do sacerdote que administra com fé e com “unção” o Sacramento da Reconciliação.
Ele acolhe os penitentes não com a atitude de um juiz nem com a de um simples amigo, mas com a caridade de Deus, com o amor de um pai que vê voltar o filho e vai ao seu encontro, do pastor que reencontrou a ovelha tresmalhada.
O coração do sacerdote sabe comover-se, não por sentimentalismo ou mera emotividade, mas pelas “vísceras de misericórdia” do Senhor!
Se é verdade que a tradição nos indica o dúplice papel de médico e juiz para os confessores, nunca esqueçamos que como médico é chamado a curar e como juiz a absolver.
A misericórdia é o coração do Evangelho
Segundo aspecto: se a Reconciliação transmite a vida nova do Ressuscitado e renova a graça batismal, então a vossa tarefa é doá-la generosamente aos irmãos. Doar esta graça.
Um sacerdote que não cuida esta parte do seu ministério, quer na quantidade de tempo dedicado quer na qualidade espiritual, é como um pastor que não se ocupa das ovelhas que se perderam; é como um pai que se esquece do filho perdido e não o espera.
Mas a misericórdia é o coração do Evangelho! Não esqueçais isto: a misericórdia é o coração do Evangelho! É a boa nova que Deus nos ama, que ama sempre o homem pecador, e com este amor o atrai a Si e o convida à conversão.
Não esqueçamos que os fiéis muitas vezes têm dificuldade de se aproximar do Sacramento, tanto por razões práticas como pela natural dificuldade de confessar a outro homem os próprios pecados.
Por este motivo é preciso trabalhar muito sobre nós mesmos, sobre a nossa humanidade, para nunca ser um obstáculo, mas favorecer sempre o aproximar-se da misericórdia e do perdão.
Mas, muitas vezes acontece que uma pessoa vem e diz: “Não me confesso há muitos anos, tive este problema, deixei a Confissão porque encontrei um sacerdote que me disse isto”, e vê-se a imprudência, a falta de amor pastoral, no que a pessoa conta.
E afastam-se, devido a uma experiência negativa na Confissão. Se houver esta atitude de pai, que vem da bondade de Deus, coisas assim nunca acontecerão.
Evitar o rigorismo e o laxismo
E é preciso evitar os dois extremos opostos: o rigorismo e o laxismo. Nem um nem outro fazem bem, porque na realidade não se ocupam da pessoa do penitente.
Ao contrário a misericórdia ouve deveras com o coração de Deus e quer acompanhar a alma no caminho da reconciliação. A Confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e de misericórdia!
Por fim, todos conhecemos as dificuldades que a Confissão encontra muitas vezes. São tantas as razões, quer históricas quer espirituais.
Contudo, nós sabemos que o Senhor quis fazer este imenso dom à Igreja, oferecendo aos batizados a segurança do perdão do Pai. É isto: a certeza do perdão do Pai.
Por isso, é muito importante que, em todas as dioceses e comunidades paroquiais, se cuide particularmente a celebração deste Sacramento de perdão e de salvação.
É bom que em cada paróquia os fiéis saibam quando podem encontrar os sacerdotes disponíveis: quando há a fidelidade, os frutos veem-se.
Isto é válido de modo particular para as igrejas confiadas às Comunidades religiosas, que podem garantir uma presença constante de confessores.
À Virgem, Mãe da Misericórdia, confiamos o ministério dos sacerdotes, e cada comunidade cristã, para que compreenda cada vez mais o valor do Sacramento da Penitência. À nossa Mãe confio todos vós e abençoo-vos de coração.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
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