Em que se assemelham Santa Blandina de Lyon, jovem mártir do século II, e o Papa São Pio X? Quais rasgos comuns podemos encontrar em São Clemente Romano e Santa Teresinha do Menino Jesus? Ou em São Francisco de Assis, São Damião de Molokai, Santo Inácio de Loyola e Santa Rosália de Palermo?
Dir-se-ia que as semelhanças entre eles são muito poucas, ou melhor, apenas o fato de todos terem sido canonizados.
A lista poderia se prolongar por páginas e páginas, e nela consignaríamos biografias, missões e espiritualidades as mais diversas, cada qual refletindo de forma única e fulgurante um aspecto diferente das infinitas perfeições do Criador.
“Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14, 2), ensina o Divino Mestre. A santidade de Deus é um universo inesgotável, e inesgotáveis são também os caminhos para chegar até ela, bem como as qualidades e carismas com que a Providência provê os homens para alcançá-la.
Há, entretanto, uma presença comum, sutil e misteriosa, que torna todos os Santos membros de um único Corpo. Assim a descreve o Apóstolo:
Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos (I Cor 12, 4-6).
O Paráclito é Amor e é n’Ele que se explicam e integram as variadas vocações dos Santos:
A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos esses dons, repartindo a cada um como Lhe apraz (I Cor 12, 7-11).
Somos membros do Corpo Místico de Cristo. Por muito diversas que sejam as vocações, a vida de cada cristão deve ser uma luta por manter aceso e sempre crescente em si o fogo da caridade.
A isso nos convida muito especialmente o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que encontrou nos ensinamentos de São Paulo a resposta para seus anseios: “No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor!”
A isso nos convidam também Santa Clara e São Francisco de Assis, Santa Faustina Kowalska, Santa Macrina, São Basílio Magno e todos os outros Santos sobre os quais se trata nesta edição.
Seja qual for o caminho pelo qual a Providência nos conduz, jamais devemos esquecer a primazia do amor. Porque um só é o Espírito e muito diversos são os dons.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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