Após rápido encontro com o presidente Jacques Chirac e outras autoridades, o Santo Padre dirigiu-se para a Gruta das Aparições, onde bebeu água da fonte milagrosa e dirigiu uma saudação aos enfermos presentes:
Junto convosco, irmãos e irmãs queridos, venho como peregrino perante a Virgem. Convosco compartilho este momento da vida marcado pelo sofrimento físico. (…) Peço-vos que me acompanheis nesta peregrinação para apresentar a Deus, por intermédio de Maria Virgem, todas as intenções da Igreja e do mundo.
O Papa encerrou com um período de recolhida oração pessoal sua visita à gruta.
À tarde, acompanhado de mais de cem mil fiéis, presidiu a uma esplendorosa recitação dos Mistérios Luminosos do Santo Rosário, percorrendo processionalmente os lugares mais significativos de Lourdes.
Em breve discurso antes da procissão, João Paulo II ressaltou que a gruta de Massabielle “tornou-se a sede de uma surpreendente escola de oração”, na qual a Imaculada Conceição ensina todos a contemplar cheios de amor o rosto de Cristo.
E encerrou com esta prece:
Tende piedade de mim, ó minha Mãe! Entrego-me inteiramente a Vós, para que me deis vosso Filho, a quem quero amar de todo o meu coração. Dai-me, ó minha Mãe, um coração que arda totalmente de amor a Jesus!
Deus não quer a morte do pecador
Nos próximos sábado e domingo – anunciou Sua Santidade, na audiência geral de 11 de agosto – realizarei uma peregrinação apostólica ao Santuário mariano de Lourdes.
Terei a alegria de celebrar naquele abençoado lugar a solenidade da Assunção de Maria Santíssima ao Céu.
O motivo dessa peregrinação é o sesquicentenário da definição dogmática da Imaculada Conceição de Maria, feita pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854.
No mesmo ato de louvor a Deus e à Virgem Maria, abraçarei os dois grandes mistérios marianos: a Imaculada Conceição e a Assunção ao Céu em corpo e alma.
Constituem eles, com efeito, o início e o fim da vida terrena de Maria, unificados no eterno presente de Deus, o qual a chamou a participar de um modo singularíssimo no evento salvífico da Redenção operada pelo Senhor Jesus Cristo. (…)
Qual é, efetivamente, a mensagem que quis o Senhor transmitir à humanidade através da Virgem de Lourdes? Em síntese, pode-se resumi-la numa famosa passagem da Sagrada Escritura: Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva (cf. Ez 33,11).
Dirigindo-se à jovem Bernadete, Maria quer recordar esta fundamental mensagem evangélica: a oração e a penitência são a via pela qual se pode afirmar a vitória de Cristo em cada indivíduo e na sociedade.
Para mudar a própria conduta, porém, é necessário escutar a voz da consciência, lá onde Deus instalou o senso do bem e do mal. Infelizmente, o homem moderno por vezes dá demonstrações de haver perdido de alguma maneira o senso do pecado.
Há necessidade de implorar para ele um renascimento interior que lhe possibilite redescobrir plenamente a santidade da Lei de Deus e das obrigações morais dela decorrentes.
Com estas intenções na alma, disponho-me a partir para o Santuário da Virgem Maria de Lourdes. Peço a todos acompanharem-me espiritualmente, a fim de que a peregrinação do Sucessor de Pedro seja rica em benefícios para todo o Povo de Deus.
Audiência geral de quarta-feira, 11/08/04.
Maria, primeira guardiã da fonte da vida
No rochedo de Massabielle, a Virgem Santa veio ao encontro de Bernadete, revelando-se como Aquela que está cumulada da graça de Deus e pedindo-lhe oração e penitência.
Ela indicou-lhe uma fonte de água e lhe fez sinal de beber. Esta água que jorra sempre fresca tornou-se um dos símbolos de Lourdes: símbolo da vida nova dada por Cristo àqueles que se voltam para Ele.
Sim, o Cristianismo é fonte de vida, e Maria é a primeira guardiã dessa fonte. Ela a mostra a todos, pedindo-lhes que renunciem ao orgulho, façam-se humildes, para se dessedentar na misericórdia de seu Filho e, assim, participar da vinda da civilização do amor.
Rememorando o mistério da Encarnação de Jesus, voltamo-nos agora para a Santíssima Virgem Maria e invocamos sua proteção para cada um de nós, para a Igreja e o mundo.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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