Ela se chamava Catarina, ou Zoé, para os mais íntimos. Sua maior alegria era levar a ração diária para a multidão de pombos que habitava a torre quadrada do pombal de sua casa.
Ao avistarem a camponesinha, as aves se lançavam em direção a ela, envolvendo-a, submergindo-a, parecendo querer arrebatá-la e arrastá-la para as alturas.
Cativa daquela palpitante nuvem, Catarina ria, defendendo-se contra as mais afoitas, acariciando as mais ternas, deixando sua mão deslizar pela brancura daquelas macias penugens.
Durante toda a vida, guardará nostalgia dos pombos de sua infância: “Eram quase 800 cabeças”, costumava dizer, não sem uma pontinha de tímido orgulho…
Catarina Labouré (pronuncia-se “Laburrê”) veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens.
Aos nove anos perdeu a mãe, uma distinta senhora pertencente à pequena burguesia local, de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar.
Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: “De agora em diante, Vós sereis minha Mãe!”
Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança.
A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa.
Essa encantadora guardiã de pombos, em cujos límpidos olhos azuis se estampavam a saúde, alegria e vida, assim como a gravidade e sensatez advindas das responsabilidades que cedo pesaram sobre seus jovens ombros, essa pequena dona de casa modelo (e ainda iletrada) teve seus horizontes interiores abertos para a contemplação e a ascese, conducentes a uma hora de suprema magnificência.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas