A Confissão é um dos mais palpáveis sinais da bondade de Deus.

Gravemente ofendido por aquele que peca mortalmente, Ele tem poder para fulminar com uma sentença de eterna condenação o pecador, e ao fazê-lo, praticaria apenas um ato de justiça.

Deixou-nos, entretanto, este Sacramento por meio do qual perdoa ao penitente todos os pecados, por mais graves e numerosos que sejam.

Requisitos para uma boa Confissão

Claro está que Deus poderia perdoar os pecados de outra maneira, mas expressou claramente sua vontade de fazê-lo através de um sacerdote no Sacramento da Reconciliação.

Disse Jesus aos Apóstolos: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no Céu” (Mt 18, 18).

Como nos beneficiarmos desse Sacramento?

Deus sumamente misericordioso, é também justo. Ele quer que, para utilizarmos bem esse maravilhoso recurso, nos submetamos a algumas condições sem as quais a Confissão não só de nada nos serviria, mas se tornaria nociva para a alma.

Quais são esses requisitos?

Sintetizando, a Igreja nos ensina que cinco coisas são imprescindíveis para uma boa Confissão:

  1. Fazer um bom exame de consciência;
  2. Ter dor dos pecados;
  3. Fazer o propósito de não mais cometê-los;
  4. Confessá-los;
  5. Cumprir a penitência imposta pelo confessor.

Mas, em que consiste precisamente cada uma dessas exigências?

Exame de consciência

Antes de tudo, deve-se fazer um exame de consciência.

O fiel desejoso de obter o perdão de suas faltas precisa, antes, auscultar sua alma, para saber quais pecados ainda não foram confessados. Não é necessário trazer à memória os pecados de toda a vida, mas apenas os cometidos desde a última Confissão bem-feita.

O exame de consciência precisa ser feito com cuidado, sem precipitação.

É importante rememorar os pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões, percorrendo, para esse fim, os Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, a lista dos pecados capitais e as obrigações de nosso próprio estado.

O exame deve abranger também os maus costumes a serem corrigidos e as ocasiões de pecado a serem evitadas.

Dor dos pecados

O mais importante para o penitente obter o perdão de Deus é o arrependimento, ou seja, ter um desgosto pela falta cometida e uma vontade firme de não mais recair nela.

Naturalmente, não há necessidade de derramar lágrimas pela dor dos pecados, mas é preciso, no íntimo do coração, se lamentar de ter ofendido a Deus, mais do que se nos tivesse ocorrido qualquer outra desgraça.

Sem arrependimento, a Confissão não tem nenhum valor.

Não é possível obter o perdão de Deus sem odiar a falta cometida e sem a disposição de jamais repeti-la.

Essa postura de alma deve estender-se a todos os pecados mortais, sem exceção.

Firme propósito

Havendo, de fato, arrependimento pelos pecados cometidos, se produzirá na alma o propósito, a firme vontade, resolutamente determinada, de nunca mais repeti-los e de fugir das ocasiões próximas, de evitar tudo o que induz ao mal: pode ser uma pessoa, um objeto, um lugar ou mesmo uma circunstância que me põe em perigo de ofender a Deus.

Acusar-se humildemente

É preciso contar ao padre todos os pecados mortais cometidos após a última Confissão bem-feita.

Se alguém oculta um só pecado grave propositalmente na Confissão, além de não receber o perdão de nenhum, acaba cometendo outro, por estar ofendendo algo sagrado instituído pelo próprio Cristo.

Ou seja, é ao próprio Jesus que se está mentindo.

A Confissão deve ser sincera. O penitente deve acusar ao sacerdote os seus pecados com objetividade, evitando desnecessárias delongas, que podem até prejudicar a clareza da matéria.

A falta de sinceridade quanto à maneira de acusar os pecados é outra tentação do demônio contra a qual é imprescindível precaver-se.

E também as desculpas podem ser ocasião de tentação: justificar os pecados, criando atenuantes, não se reconhecendo inteiramente culpado de suas próprias faltas ou colocando a culpa nos outros.

Cumprir a penitência

No fim da Confissão, o sacerdote impõe a penitência também chamada de “satisfação”.

Em geral, é uma oração ou uma obra boa, que o confessor ordena ao penitente como expiação de seus pecados.

Deus perdoa os que se confessam bem

Tudo na vida deve ser levado a sério e mais ainda as coisas relacionadas com Deus.

Por isso, devemos praticar com muita fidelidade os ensinamentos da Igreja acerca do Sacramento da Confissão, sempre confiantes de que, através dele, são perdoados todos os nossos pecados, somos auxiliados a não recair neles e nos é restituída a paz de consciência.

Nosso Senhor instituiu este Sacramento para todos os membros pecadores da sua Igreja, dando-lhes uma nova possibilidade de se encontrarem com Deus e de restaurarem a amizade com Ele.

Somente a Confissão bem feita perdoa, de fato, os pecados. Se alguém, por malícia ou vergonha, deixasse de acusar-se de um ou mais pecados, sua Confissão seria inválida.