No mês das vocações, quando a Igreja recorda os diversos chamados que Deus faz ao homem, a vocação para o sacerdócio ordenado sobressai-se pela sua abnegação e serviço.

Um sacerdote posto à prova

Um fato pode servir de medida sobre até onde chega a entrega e comprometimento de um homem à vocação que Deus lhe fez:

Estamos na Quaresma de 1873, na capital da filha primogênita da Igreja, Paris.

Em uma das mais importantes igrejas da cidade, tem-se a possibilidade de encontrar um grande sacerdote desenvolvendo uma pregação sobre o segredo de Confissão para os mais variados tipos de pessoas: nobres e plebeus, cultos e ignorantes, devotos e incrédulos.

Contudo, três destes últimos, não acreditando no que dizia aquele fogoso pregador, decidem colocá-lo à prova:

— Será que ele guardará um segredo de Confissão até mesmo se for necessário sacrificar sua própria vida?

Todos são unânimes em dizer que, ao chegar a este ponto, cederá.

Então, combinam tudo o que iriam fazer para colocar este ministro de Deus à prova.

Algumas horas mais tarde, chegam dois dos infiéis desesperados para o padre, dizendo:

— Senhor padre! Queira-nos fazer a bondade de entrar no carro e nos acompanhar até a casa de nosso amigo, pois ele está mal à morte.

O sacerdote, sem titubear, entra no veículo.

Um dos homens pede permissão para vendar-lhe os olhos, porque não queria que visse o caminho. O que ele consentiu.

Passados trinta minutos de percurso, chegaram ao destino.

Ao descer do carro, conduzem-no pela escadaria de um palacete até o quarto do doente, pois, apesar de já estarem no lugar, não lhe desvendam os olhos.

Ao ser levado rapidamente para o leito do pseudomoribundo, o atende em Confissão.

Terminado o atendimento, os dois companheiros do enfermo entram no quarto e obrigam o padre a descer por uma escadaria que leva para o subsolo da moradia.

Deus será testemunha que minha missão foi cumprida

Ao encontrar-se neste recinto da casa, retiram a venda do sacerdote e ameaçam-lhe com duas pistolas:

— Se não contares o que acabas de ouvir na Confissão, morrerás!

— Trata-se de um segredo de Confissão. Portanto, não será revelado – responde o ministro de Deus.

— Deixa de bobagens! Aqui ninguém nos verá e nem ficará sabendo o que se passará! Fala ou morrerás!

— Se é assim, estou em vossas mãos; podeis disparar o quanto quiserdes. Deus será testemunha que minha missão foi cumprida.

Ao terminar de dizer estas palavras, o padre abre os botões da batina, coloca-se de joelhos e lhes apresenta o peito para que comecem a atirar.

Os dois ímpios homens, ao verem tamanha coragem do sacerdote, oferecendo a própria vida para defender um segredo, levantam-no e pedem-lhe perdão pelo que haviam feito. Agora acreditavam que a Religião Católica é realmente a verdadeira.

Ainda tocados, manifestam o desejo de se confessarem para pedir perdão a Deus por tudo quanto tinham feito.

Dispostos a entregar a própria vida para defender o segredo da Confissão

O demônio pode nos tentar com a desconfiança, principalmente no período de Quaresma, quando ele vê que muitas pessoas lhes saem das garras por causa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo derramado por cada um de nós.

Então, o demônio, por possuir inteligência angélica, sopra esses maus pensamentos aos nossos ouvidos para que não nos beneficiemos desse inestimável tesouro.

Devemos sempre ter diante de nossos olhos que todos os sacerdotes da face da terra estão debaixo desta mesma obrigação e, por este motivo, estão dispostos, se necessário, a entregar a própria vida para defender os segredos que seus penitentes lhes confiaram.

Tendo bem presente esse ódio que os anjos decaídos têm pelo Sacramento da Confissão, aproveitemos este tempo de penitência e de conversão – a Quaresma – para nos beneficiarmos das torrentes de graças provindas do sagrado lado de Nosso Senhor, derramadas para remissão do pecados de cada um de nós.

Referência:
Fato baseado no livro: CHIAVARINO, Luiz. Confessai-vos bem. 4º ed. São Paulo: Paulinas, 1943.