Imaginemos a cozinha onde a mãe termina de enfeitar um bolo. Enquanto isso, o filhinho acompanha, fascinado pelas cores e pelo delicioso aroma. Concluído o serviço, ela guarda na geladeira e avisa:
— Agora vou sair, e você não toque neste bolo, pois é para o aniversário de seu irmão!
Dali a pouco o pequeno encontra-se sozinho na casa. Brinca um pouco no jardim, mas seu pensamento permanece em outro lugar… Não resiste e vai até a geladeira, “apenas para olhar”… Afinal, passa o dedinho pela saborosa cobertura… e acaba se servindo fartamente. Depois volta para o jardim, deixando por todos os cantos adocicadas e ingênuas impressões digitais.
Quando a mãe retorna, logo percebe as “marcas do crime”.
— Foi você?! — pergunta.
— Não, não fui eu! — responde o filho.
—Não, está mentindo. —indaga a mãe, e o pequeno logo enrubesce, ou seja, fica com o rosto "vermelho"...
Quem o ensinou que não se pode mentir? Ninguém… Em sua tenra idade, nem frequentou as aulas de Catecismo ainda. E nem sequer conhecia o sentido da palavra “mentir”. No entanto, seu rubor constituía a melhor prova de ter ele compreendido a maldade de uma mentira, simplesmente ao tomar contato com ela.
Intuir os primeiros princípios morais
Com efeito, as Sagradas Escrituras, a Tradição e a filosofia apontam para a existência de uma qualidade da alma humana: desde os primórdios do uso da razão, intuir os primeiros princípios morais, distinguindo o bem do mal, capacitando-a a orientar-se para a reta conduta.
“Imprimirei minha lei em suas entranhas e hei de inscrevê-la em seu coração” — afirma o próprio Deus (Jr 31, 33b)
A Escritura mostra que, já nos primórdios da sociedade, ainda sem possuir letras, os profetas ou juízes, bem como comum dos homens conheciam seus deveres morais.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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