Sabiamente celebrados pela Santa Igreja, os tempos litúrgicos são de inestimável riqueza.
Dessa forma, o Magistério da Igreja explica que são mais benéficas às almas as cerimônias litúrgicas do que os próprios documentos pontifícios.
Privação de alguns bens corporais em prol de um princípio superior
Ora, com o fim de cumprir com o preceito divino da penitência, é na Quaresma que a Igreja, com mais insistência, recomenda a prática do jejum.
Na atualidade, muitos são os que a consideram antiquada e incômoda. Contudo, o próprio Nosso Senhor jejuou quarenta dias antes de iniciar sua vida pública (Mt 4, 2) e recomendou-o aos seus discípulos na luta contra o demônio (Mt 17, 14-21).
Além das recomendações do Homem-Deus, que já seriam suficientes, há ainda os benefícios próprios do jejum.
Santo Agostinho afirma que “o jejum purifica a alma, eleva o espírito, submete a carne ao espírito, torna o coração humilhado e contrito, dissipa as trevas da concupiscência, extingue os ardores do prazer e acende a luz da castidade”.[1]
Assim, o que nos pede a Igreja neste tempo penitencial é que nos privemos de alguns bens corporais em prol de um princípio superior, visto que a natureza própria da penitência é a detestação do pecado por ser ofensa a Deus.[2]
Por conseguinte, nos mostra Dr. Plinio Corrêa de Oliveira que “a verdadeira alegria da vida não consiste em ter prazeres, mas sim na sensação de limpeza da alma que temos quando olhamos o sofrimento de frente e dizemos ‘sim’ para ele”.[3]