A forma on-line de acompanhar a Santa Missa não é a real; a Missa não é um espetáculo nem uma realidade virtual. Os fiéis devem estar presentes para cumprir o preceito e reviver a Paixão do Senhor.
Nosso Senhor, partindo deste mundo, deixou sua presença na Igreja Católica, especialmente através dos Sacramentos.
Os primeiros cristãos tinham uma participação litúrgica muito intensa, sendo a Santa Missa o verdadeiro centro da comunidade cristã.
Nos dias de hoje, mesmo tendo claro que é o núcleo de suas vidas e missão, muitos católicos sofrem a profunda influência dos ritmos do mundo moderno, que os desvia de Deus, Nosso Senhor.
A perseguição de Diocleciano
Se voltarmos ao ano 304, encontramos que o Imperador Diocleciano proibiu os cristãos, com grande severidade, de possuírem as Escrituras, de se reunirem para celebrar a Eucaristia e de construírem novos locais de culto. Os textos sagrados foram queimados, as igrejas demolidas e era proibido oficiar a Liturgia Sagrada.
No entanto, cristãos corajosos desafiavam o edito imperial. Em uma pequena cidade chamada Abissínia, perto da atual Tunísia, 49 cristãos foram surpreendidos durante uma Celebração Eucarística. Presos, foram levados para Cartago, onde foram interrogados.
Significativa foi a resposta de um deles ao procônsul, quando perguntado sobre o motivo pelo qual haviam transgredido a ordem do imperador:
— Sem medo celebramos a Ceia do Senhor.
Uma das mártires confessou:
— Sim, celebrei com meus irmãos, porque sou cristã.
A Missa fazia parte de suas vidas.
Após atrozes torturas, foram martirizados. Com a efusão de seu sangue, confirmaram sua fé; morreram, mas venceram.
O Papa Bento XVI refletia, lembrando este acontecimento: “Mesmo para nós não é fácil viver como cristãos, ainda que não existam essas proibições do imperador”, pois o mundo de hoje, “muitas vezes caracterizado pelo consumismo desenfreado, pela indiferença religiosa e pelo secularismo fechado à transcendência” (29/05/2005), o dificulta.
Neste momento, o mundo está em uma quarentena que, embora testemunhemos em muitos lugares uma flexibilização da mesma, não sabemos quando terminará.
Dentro das normas, deveriam permanecer fechados os locais que poderiam ter aglomeração, uma medida indiscutível para interromper a transmissão desta misteriosa doença, mantendo-se abertas farmácias, supermercados, bancos, lojas de ferragens, pet shops e bancas de jornais.
Algumas atividades foram liberadas
Atualmente, em diversos países, foram liberadas áreas, assim como momentos do dia em que se pode sair com crianças, praticar esportes individuais ou caminhar ao ar livre. Compreende-se que é uma maneira de evitar o efeito “panela de pressão” diante da situação de confinamento em que se encontram as famílias há quase dois meses.
Em certas nações, foi permitida a abertura das igrejas apenas para rezar, evitando qualquer tipo de celebração. Isso originou o clamor de muitos fiéis dizendo: “Não podemos viver sem a Missa!”
E não apenas fiéis. Recentemente Arcebispos e Episcopados pediram aos governos a permissão para se celebrar a Celebração Eucarística, com protocolos preventivos de separação, máscaras, desinfecção de espaços e número de pessoas.
Afirmam que os templos contam com espaço suficiente para acomodar fiéis sem riscos de contágio, respeitando as distâncias. Se um supermercado é capaz de manter a higiene, muito mais fácil será em uma igreja.
O necessário encontro presencial
Os pedidos foram aumentando. Solicitaram que as celebrações religiosas fossem incluídas na lista de atividades essenciais.
“A Igreja tem tanta força para curar como os médicos; estes curam o corpo, mas não basta”. “Uma pandemia não pode nos separar da Eucaristia”, pois “é o nosso alimento essencial”.
Muitos observam, com bom senso, que as celebrações virtuais têm sido um paliativo; mas é indispensável considerar que os Sacramentos não podem ser administrados por meio da tecnologia. O encontro presencial é necessário.
A forma on-line de acompanhar a Santa Missa não é a real, e muitos fiéis expressam sua preocupação. Não podemos nos acostumar a isso, a Missa não é um espetáculo, não é uma realidade virtual. Os fiéis devem estar presentes para cumprir o preceito e reviver a Paixão do Senhor.
Já podemos ver que, após quase dois meses, na Espanha, Itália e Alemanha começaram as Celebrações Eucarísticas, com um reduzido número de fiéis. Em outros países, o retorno está ocorrendo por estas semanas.
Os santuários de Lourdes e de Fátima reabrem suas portas. As basílicas de Roma prepararam-se para receber peregrinos. Dia a dia, as igrejas estão se abrindo.
Como podemos ver, a Igreja quer estar próxima, respeitando tudo o que é indicado da melhor maneira: higiene e segurança pessoal, distância social, evitar aglomerações.
O desconfinamento tem sido e é um verdadeiro quebra-cabeça para as autoridades. A flexibilização da quarentena é visível em várias regiões, cada lugar com suas circunstâncias próprias, número de infectados, baixo nível de infecção.
A Missa é essencial
Estamos em uma situação em que o essencial nos foi retirado: a Santa Missa.
Sua ausência – mesmo que tenhamos a oportunidade de participar virtualmente – nos ajuda a valorizá-la.
Dessa maneira, purificaremos nossos corações em relação à Esposa Mística de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja.
Nosso Senhor, partindo deste mundo no dia da Ascensão, nos prometeu: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). Ele deixou sua presença na Igreja Católica, especialmente através dos Sacramentos.
Que nossa esperança se fortaleça, confiando que em breve retornaremos a um convívio próximo com as celebrações, que agora temos à distância e virtualmente.
Quando retornarmos às igrejas, lembraremo-nos do Salmo 65, que canta na alegria: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122, 1).