Cidade do Vaticano (Segunda, 26-01-2009, Gaudium Press) Acompanhado por uma menina eritreia, o Papa falou à multidão de fiéis na Praça de São Pedro neste domingo, após a benção mariana do Ângelus, sobre unidade cristã - citando São Paulo e o ano-novo lunar nos países asiáticos -, a Jornada Mundial dos Doentes e o cinquentenário do Concílio Vaticano II. O pontífice reservou especial atenção também à Caravana da paz da Ação Católica de Roma.

Sobre unidade, Bento XVI fez um apelo partindo do evangelho que recorda a conversão do apóstolo Saulo. Ele lembrou que a ligação que existe entre algumas religiões cristãs é histórica, de forma que uma não anula outra: "Antes de encontrar o Senhor pelo caminho de Damasco, São Paulo já era um crente, antes de hebreu fervoroso, e por isso não passou da sem fé à com fé, dos ídolos a Deus, nem teve de abandonar a fé hebraica para aderir a Cristo", recordou Bento XVI.

O Papa afirmou que o evangelho é a salvação e o caminho para a conversão e a unidade: "Saulo se converteu porque, graças à luz divina, acreditou no Evangelho. Nisto consiste a sua e a nossa conversão: no crer em Jesus morto e ressuscitado e no abrir-se à iluminação da sua graça divina. Naquele momento Saulo compreendeu que a sua salvação não dependia das boas obras realizadas segundo a lei, mas pelo fato que Jesus morreu também por ele, o perseguidor, e ressuscitou."

Falando da Terra Santa, Bento XVI afirmou que é importante que os fiéis que lá vivem, como também os peregrinos que a visitam, "ofereçam a todos o testemunho de que a diversidade de ritos e de tradições não deve constituir um obstáculo ao respeito mútuo e à caridade fraterna, mas riqueza na multiplicidade."

Na homilia, o Papa afirmou que a conversão de São Paulo nos oferece o modelo e nos indica a estrada para caminhar rumo à plena unidade: "De fato, a unidade requer uma conversão: da divisão à comunhão, da unidade ferida à unidade restaurada e plena. Esta conversão é dom de Cristo ressuscitado, como aconteceu com São Paulo".

O papa concluiu a homilia recordando que em 25 de janeiro de 1959 exatos cinquenta anos atrás, o Papa João XXIII manifestou pela primeira vez o desejo de convocar "um Concílio Ecumênico para a Igreja Universal".

"Permanece aberto diante de nós o horizonte da plena unidade. Trata-se de uma tarefa árdua, mas entusiasta para os cristãos que querem viver em sintonia com a Oração do Senhor: 'a fim de que todos sejam um, para que o mundo creia'".

Pombas pela paz

Ao final da oração, o pontífice cedeu excepcionalmente o microfone à Miriam, uma "menina eritreia, hoje romana" - como ele mesmo disse -, integrante da Ação Católica de Roma, que declarou: "é só de Jesus que precisamos".

A menina afirmou que a paz é o "único e verdadeiro negócio" e recordando, depois, a importância que os shopping centers têm na nossa sociedade, disse que quem se deixa levar pelo consumismo se ilude "de que os produtos possam trazer felicidade. Nós, ao contrário, descobrimos algo que queremos compartilhar: somente Jesus pode satisfazer os nossos desejos, aqueles verdadeiramente importantes. Eis porque este ano não fazemos outra coisa senão repetir: ‘a mim te basta'. Sim, é a amizade com Jesus o nosso único desejo."

Miriam pediu em seguida que seja dada a "todos a possibilidade de crescer econômica e culturalmente". Recordando o empenho dos jovens da Ação Católica para o comércio justo e solidário, concluiu: "Querido Papa, vos pedimos para que ore junto a nós por todos os nossos contemporâneos que vivem situações de pobreza, opressão e guerra. Pregamos a Deus para que ilumine os corações de quem governa as nações por um comércio mais respeitoso e para que cessem todos os conflitos, que são incapazes de resolver os problemas."

Ao final da oração, o Papa, junto à Miriam e uma outra menina, soltou duas pombas brancas, em uma saudação especial para a Caravana da paz da Ação Católica da diocese de Roma.