Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 30-01-2019, Gaudium Press) "Enquanto a humanidade tiver sede de Cristo, daquele coração missionário se continuará a formar religiosas e religiosos generosos que desejam colocar-se à disposição do grande projeto que é o anúncio do Evangelho."

Card. Filoni preside comeração dos 150 anos da Família Lavigerie.jpg

O prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, cardeal Fernando Filoni, presidiu uma missa em Roma, na igreja de São Luís dos Franceses, em comemoração dos 150 anos de fundação da Família Lavigerie.

Uma família religiosa que compreende as missionárias de Nossa Senhora d'África, conhecidas como as irmãs brancas, e os missionários d'África, os chamados padres brancos.

Comemorar a fundação desses 150 anos traz à memória a figura do cardeal Charles Martial Allemand Lavigerie, primeiro, bispo de Nancy e, depois, arcebispo de Argel - capital da Argélia (1867) e delegado apostólico do Saara.

Cardeal Charles Lavigerie e a era missionária

Em sua homilia proferida durante a celebração Eucarística, o Prefeito da Propaganda Fidei afirmou:
"Impressiona-nos, do purpurado, seu grande intuito missionário, sua perspicaz visão eclesiológica, a paixão que o induzia a não ignorar o mundo complexo do norte islâmico África", afirmou o prefeito de Propaganda Fide.

Tratava-se dos anos da grande "era missionária" que estava levando o Evangelho ao mundo no Séc. XIX, recordou o Cardeal Filini´, antes de prosseguir:

Hoje "a obra das missionárias e dos missionários da África se estende em numerosos países do continente negro e em outras regiões do mundo. Podemos dizer que aquele pequeno baobá, árvore símbolo da África, plantado por Lavigerie, cresceu estendendo seus ramos no continente inteiro, sob cuja sombra solidária muitos encontraram acolhimento e cujos frutos de amizade, de resgate humano, de zelo apostólico nutriram aqueles que dele se alimentaram".

Perguntando...

Mas qual papel têm ainda hoje as mulheres e os homens membros da Família Lavigerie?

"A paixão missionária deve envolver todos, tem recordado Francisco: bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos, famílias e até mesmo as crianças, missionárias junto a suas coetâneas. A missionariedade não é uma opção, um complemento na vida da Igreja, mas é a sua essência, porque uma Igreja sem impulso missionário é estéril", destacou o Cardeal Filoni, e logo continuou:

Nesse sentido, "o coração missionário da Igreja jamais cessou de bater, sempre com a mesma trepidação, o mesmo entusiasmo e a mesma paixão".

Para o Cardeal, a Igreja anseia também hoje, mais do que nunca, responder ao mandato de Jesus ressuscitado de levar o Evangelho a todos os povos, "no desejo profundo de configurar as Igrejas locais à realidade das muitas culturas, embora no contexto da única catolicidade que une todos na mesma fé".

Evitar o risco de tornar-se burocratas do sagrado

Responder ao mandato do Senhor "é ainda hoje a razão principal da existência da Família Lavigerie na qual cresce e se aperfeiçoa, em tantos homens e mulheres, a própria doação missionária. Aqui, nesta família - disse o purpurado dirigindo-se aos missionários da África -, vocês aprofundam o mistério de Cristo e da sua Igreja, se configuram a uma salutar visão teológica para não se perder na babel humana e tecnológica que prevalece em nossas sociedades atuais; nelas aprendem ainda evitar o risco de tornar-se burocratas do sagrado".

O prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos destacou que "Efetivamente, não se trata de ter pessoas com um pouco mais de cultura ou de educação humana e social, nem de satisfazer as exigências de instituições que demandam pessoas qualificadas para as necessidades culturais, que, no entanto, são também úteis na Igreja. Na família de vocês cada um é fundamentalmente chamado a ter o conhecimento de Cristo, caminho, verdade e vida; daquele Cristo que pretendem levar ao mundo."

Ser missionário hoje: características

O cardeal Filoni sublinhou três características que não devem faltar no missionário de hoje: fraternidade, evangelização, eclesiologia.

Fraternidade: fraternidade, "nova fronteira do cristianismo", que, segundo o Papa Francisco, "permanece sendo a promessa não mantida da modernidade, (...) especialmente entre os povos e as nações, se mostra muito enfraquecido".

A evangelização "se insere na experiência concreta onde se desenvolve a história dos homens e das mulheres do nosso tempo, colhendo sempre o sentido da vida humana e da experiência dos povos, que devem ser compreendidos e estimados".

Eclesiologia: "A Igreja custodia e leva os sinais da bênção de Deus, destinados a todo homem e mulher, para além das comunidades de pertença e das expressões religiosas às quais aderem". (JSG)

(Da Redação Gaudium Press,com informações L'Osservatore Romano.)