Cidade do Vaticano (Quarta, 04-02-2009, Gaudium Press) Em uma ação que pode ser interpretada como a definitiva posição do Vaticano sobre a polêmica, a Secretaria de Estado da Santa Sé divulgou hoje nota em que exige uma retratação "pública e inequivocável" do bispo lefebvriano Richard Williamson, que em uma entrevista minimizou o número de judeus mortos no Holoocausto e negou a existência das câmaras de gás.
"O bispo Williamson, para uma admissão a funções episcopais na Igreja, deverá tomar, de modo absolutamente inequivocável e público, distância de suas posições concernentes ao Holocausto, desconhecidas pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão", diz determinado trecho do comunicado.
A nota esclarece também outros pontos controversos desencadeados com o fim da excomunhão dos bispos da Fraternidade San Pio X. O texto afirma, entre outras coisas, que todos os quatro religiosos da fraternidade "recomungados" devem ter "total adesão à doutrina e à disciplina da Igreja", uma referência às discordâncias dos prelados das modernizações litúrgicas estabelecidas pelo Concílio Vaticano II, que motivaram seu afastamento e, posteriormente, sua excomunhão da Igreja.
"Conforme já publicado anteriormente, o Decreto da Congregação para os Bispos, datado de 21 de janeiro, era um ato através do qual o Santo Padre vinha benignamente ao encontro dos reiterados pedidos do superior geral da Fraternidade San Pio X. Sua Santidade quis acabar com um impedimento que prejudicava a abertura de uma porta para o diálogo. O Papa agora espera que igual disponibilidade seja expressa pelos quatro bispos com a total adesão à doutrina e à disciplina da Igreja.
Ainda conforme o comunicado do Vaticano, a anulação da excomunhão livra a Fraternidade de uma "gravíssima pena canônica", mas não altera sua situação jurídica, já que o grupo "não goza de nenhum reconhecimento religioso na Igreja Católica".
"Para um futuro reconhecimento da Fraternidade San Pio X, é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI."
Alemanha
O comunicado publicado hoje pela Secretaria de Estado do Vaticano não é uma resposta somente aos lefebvrianos. Ele vem à luz um dia após a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, ter pedido para que o Papa Bento XVI deixasse "bem claro que não se pode negar o Holocausto". Padre Federico Lombardi, diretor da sala de imprensa da Santa Sé, respondeu dizendo que o Papa já havia mostrado sua "plena e indiscutível solidariedade" com os judeus e afirmou que o Holocausto era um "fato histórico provado".
Também a presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Charlotte Knobloch, tinha exigido do Vaticano uma retratação "mais que um distanciamento ou pedido de desculpas". O bispo de Ratisbona, Gerhard-Ludwig Müller, qualificou a polêmica de "campanha" contra o papa Bento XVI.