Uma solene Missa celebrada no dia 10 de outubro pelo Cardeal Ângelo Sodano na Basílica de São Pedro – seguida de Bênção do Santíssimo Sacramento – marcou o início do Ano da Eucaristia.

Ao final, João Paulo II proferiu o discurso inaugural destes doze meses de graças especiais, o qual foi transmitido ao vivo para Guadalajara (México), onde o Cardeal Jozef Tomko, Legado Papal, presidia o ato de abertura do 48° Congresso Eucarístico Internacional, o primeiro do milênio.

Oração do Papa a Jesus Sacramentado

Com esta comovente oração sua Santidade encerrou o grandioso ato:

“Mane nobiscum, Domine”! Como os dois discípulos do Evangelho, Vos imploramos, Senhor Jesus: ficai conosco! 

Vós, Divino Caminhante, conhecedor de nossos caminhos e de nossos corações, não nos deixeis prisioneiros das sombras da noite.

Amparai-nos no cansaço, perdoai nossos pecados, orientai nossos passos pela via do bem. Abençoai as crianças, os jovens, os anciãos, as famílias e particularmente os enfermos. Abençoai os sacerdotes e as pessoas consagradas. Abençoai toda a humanidade.

Na Eucaristia Vos fizestes “remédio de imortalidade”: dai-nos o gosto de uma vida plena, que nos ajude a caminhar nesta terra como peregrinos seguros e alegres, olhando sempre a meta da vida sem fim.

Ficai conosco, Senhor! Ficai conosco! Amém.

Congresso Eucarístico Internacional

A participação dos católicos mexicanos no Congresso Eucarístico de Guadalajara – realizado entre 10 e 17 de outubro – superou todas as expectativas, não só enquanto quantidade, mas, sobretudo, no que diz respeito ao fervor e entusiasmo.

Um milhão e meio de pessoas acompanharam a procissão do Santíssimo Sacramento pelo centro da Cidade de México, dia 14; e cerca de quatro milhões de fiéis aclamaram com ardor Jesus Sacramentado, a Virgem Maria e o Papa, por ocasião da peregrinação à Basílica da Virgem de Zapopan, na terça-feira, dia 12.

A esse magnífico evento compareceram 35 Cardeais, 250 Bispos e mais de mil sacerdotes, além de peregrinos de 87 países, para apresentar a Jesus Sacramentado seus atos de adoração e seus propósitos de intensificar a ação evangelizadora.

Destaca-se, neste sentido, a afirmação do Cardeal Dom Cláudio Hummes, Arcebispo de São Paulo, em sua homilia no dia 11: “Este Congresso Eucarístico será o vigor do Espírito Santo para a missão. Queremos sair deste encontro renovados, para fazermos missão neste novo milênio”.

Nova Carta Apostólica

Em razão do Ano da Eucaristia, o Papa João Paulo II publicou a Carta Apostólica Ficai conosco, Senhor, datada de 7 de outubro, festa de Nossa Senhora do Rosário. Dela, destacamos alnguns trechos:

Prosseguindo no sulco do ensinamento dos Padres, dos Concílios Ecumênicos e dos meus próprios Predecessores, convidei várias vezes a Igreja a refletir sobre a Eucaristia. (…)

Nesta Carta Apostólica, é meu propósito sublinhar tal continuidade de orientação, para que seja mais fácil a todos individuar o seu alcance espiritual. (…) 

Grande mistério, a Eucaristia! Mistério que deve ser, antes de tudo, bem celebrado.

É preciso que a Santa Missa seja colocada no centro da vida cristã e que, em cada comunidade, tudo se faça para celebrá-la decorosamente, segundo as normas estabelecidas, com a participação do povo, valendo-se dos diversos ministros no desempenho das atribuições que lhes estão previstas, e com uma séria atenção também ao aspecto de sacralidade que deve caracterizar o canto e a música litúrgica. (…)

De modo particular, torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da presença real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo.

A tal respeito, as normas recordam – como ainda recentemente tive ocasião de reafirmar – o relevo que deve ser dado aos momentos de silêncio, quer na celebração, quer na adoração eucarística.

Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo.

A presença de Jesus no sacrário deve constituir como que um pólo de atração para um número cada vez maior de almas enamoradas d’Ele, capazes de permanecerem longamente a escutar sua voz e, de certo modo, a sentir o palpitar de seu coração: “Saboreai e vede como é bom o Senhor!” (Sal 34/33, 9).

Que a adoração eucarística fora da Missa se torne, durante este ano, um compromisso especial para as diversas comunidades religiosas e paroquiais.

Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com nossa fé e nosso amor as negligências, esquecimentos e até ultrajes que nosso Salvador Se vê obrigado a suportar em tantas partes do mundo.

Aprofundemos na adoração nossa contemplação pessoal e comunitária, servindo-nos também de subsídios de oração baseados sempre na Palavra de Deus e na experiência de tantos místicos antigos e recentes.

O próprio Rosário, visto no seu sentido profundo, bíblico e cristocêntrico, poderá ser um caminho particularmente adaptado para a contemplação eucarística, atuada em companhia e na escola de Maria.