A solicitude que [São Luís Beltrán] demonstrava pelos interesses temporais da comunidade era apenas um reflexo de outra solicitude muito mais terna com que ele velava pela perfeição de seus religiosos. […]
Um religioso que recebera o hábito no convento de Santo Onofre comunicava nestes termos ao Pe. Antist suas impressões a respeito de São Luís como superior:
Na época de minha profissão, fiz com o Pe. Luís uma Confissão geral. Quando cheguei a um pecado de minha vida no mundo, a vergonha me fez hesitar. Então o bom padre exclamou: “Quererias, pois, seguir os passos de Judas, não te acusando deste pecado?” E mo descreveu com exatidão.
A partir de então, eu não conseguia escapar de um certo pavor todas as vezes que o encontrava, pois ele conhecia evidentemente minhas menores faltas, mesmo as ocultas. Com frequência ele me advertia.
Por exemplo, eu acabara de escrever uma carta sem prévia autorização. O padre prior me disse: “Escreveste uma carta”. Em outra ocasião, revelou-me uma falta da qual ninguém poderia suspeitar.
Quando manifestei meu espanto, ele respondeu: “Não te perturbes. Revelei-te esta falta para que não tenhas dificuldade alguma em confessá-la a mim, que já a conheço”. […]
Essa maravilhosa prerrogativa poderia inspirar um certo temor. Realmente, se ela fosse dada a um homem qualquer, causar-nos-ia intolerável suplício a ideia de nossos mais secretos pensamentos se desdobrarem aos seus olhos como a página de um livro.
Mas esse favor divino – reservado aos Santos e usado sempre com doçura, humildade, caridade, para o bem das almas – deve inspirar a todos os religiosos de bom espírito uma ilimitada confiança.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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