A educação católica é um dos desafios mais importantes da Igreja, hoje comprometida na promoção da nova evangelização num contexto histórico e cultural em transformação constante.
Nesta perspectiva, gostaria de chamar a vossa atenção para três aspectos.
Levar a identidade católica ao encontro da sociedade multicultural
O primeiro diz respeito ao valor do diálogo na educação. Recentemente, desenvolvestes o tema da educação para o diálogo intercultural na escola católica, com a publicação de um documento específico.
Com efeito, as escolas e as Universidades católicas são frequentadas por numerosos estudantes não cristãos, ou até não crentes.
Os institutos de educação católicos oferecem a todos uma proposta educacional que visa o desenvolvimento integral da pessoa e que corresponde ao direito de todos, de aceder ao saber e ao conhecimento.
Mas são igualmente chamados a oferecer a todos – no pleno respeito pela liberdade de cada um e dos métodos próprios do ambiente escolar – a proposta cristã, ou seja, Jesus Cristo como sentido da vida, do cosmos e da História.
Jesus começou a anunciar a boa nova na “Galileia das nações”, encruzilhada de populações diferentes por raça, cultura e religião. Sob alguns pontos de vista, este contexto parece-se com o mundo contemporâneo.
As profundas transformações que levaram à propagação cada vez mais vasta de sociedades multiculturais exigem de quantos trabalham nos campos escolar e universitário, o compromisso em itinerários educativos de confronto e de diálogo, com uma fidelidade intrépida e inovadora, que saiba levar a identidade católica ao encontro das diversas “almas” da sociedade multicultural.
Penso com apreço na contribuição oferecida pelos Institutos religiosos e pelas demais instituições eclesiais com a fundação e a gestão de escolas católicas em contextos de acentuado pluralismo cultural e religioso.
Não se pode educar sem coerência e testemunho
O segundo aspecto refere-se à preparação qualificada dos formadores. Não se pode improvisar. Devemos ser sérios!
No encontro que tive com os Superiores-Gerais, salientei que hoje a educação é dirigida a uma geração em fase de mudança e que, portanto, cada educador – e a Igreja inteira, como Mãe educadora – é chamado a “mudar”, no sentido de saber comunicar com os jovens que estão à sua frente.
Gostaria de me limitar a evocar os lineamentos da figura do educador e da sua tarefa específica. Educar é um gesto de amor, é dar vida.
E o amor é exigente, requer que utilizemos os melhores recursos, que despertemos a paixão e que nos coloquemos a caminho com paciência, juntamente com os jovens.
Nas escolas católicas, o educador deve ser antes de tudo muito competente, qualificado e, ao mesmo tempo, rico de humanidade, capaz de permanecer no meio dos jovens com um estilo pedagógico, para promover o seu crescimento humano e espiritual.
Os jovens têm necessidade de qualidade do ensino e igualmente de valores, não apenas enunciados, mas testemunhados. A coerência é um fator indispensável na educação dos jovens.
Coerência! Não se consegue fazer crescer, não se pode educar, sem coerência: coerência e testemunho.
Por isso, o próprio educador tem necessidade de uma formação permanente.
Portanto, é preciso investir a fim de que professores e dirigentes possam manter alto o seu profissionalismo e também a sua fé e a força das suas motivações espirituais.
E, ainda nesta formação permanente, tomo a liberdade de sugerir a necessidade de retiros e de Exercícios espirituais para os educadores.
É preciso promover cursos sobre esta temática, mas também é necessário fazer cursos de Exercícios espirituais e retiros para rezar, pois a coerência é um esforço, mas principalmente uma dádiva e uma graça. E devemos pedi-la!
Entrar intrepidamente no areópago das culturas atuais
O último aspecto refere-se às instituições de estudo, ou seja, às escolas e Universidades católicas e eclesiásticas.
O cinquentenário da Declaração conciliar, o 25º aniversário da Ex corde Ecclesiæ e a atualização da Sapientia Christiana impelem-nos a meditar seriamente sobre as numerosas instituições de formação espalhadas pelo mundo inteiro.
Mas também, sobre a sua responsabilidade de manifestar uma presença viva do Evangelho nos campos da educação, da ciência e da cultura.
É necessário que as instituições acadêmicas católicas não se isolem do mundo, mas saibam entrar intrepidamente no areópago das culturas contemporâneas e estabelecer um diálogo, conscientes do dom que podem oferecer a todos.
Caríssimos, o terreno da educação é um grande canteiro aberto, no qual a Igreja está sempre presente mediante as suas instituições e os seus programas.
Hoje é necessário incentivar ulteriormente este compromisso em todos os níveis, renovando a tarefa de todos os protagonistas envolvidos, na perspectiva da nova evangelização.
Neste horizonte, agradeço-vos todo o trabalho que levais a cabo e ao mesmo tempo invoco, por intercessão da Virgem Maria, a assistência constante do Espírito Santo sobre vós e vossas iniciativas.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
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