“Por meio da Igreja chegareis a Cristo que vos aguarda”

Queridos jovens,
É uma felicidade encontrar-me convosco aqui em Colônia nas margens do Reno! Viestes de várias partes da Alemanha, da Europa, do mundo, fazendo-vos peregrinos após os Magos do Oriente.

Representais incontáveis multidões de irmãos e irmãs nossos os quais, sem o saber, esperam que nos respectivos céus apareça a estrela que os conduza a Cristo, Luz dos Povos, a fim de n’Ele encontrar a resposta que sacie a sede de seus corações.

Quero dizer a todos insistentemente: abri vosso coração a Deus, deixai-vos surpreender por Cristo! Dai-lhe o “direito de vos falar” durante estes dias. Abri as portas de vossa liberdade ao seu amor misericordioso.

Apresentai a Cristo vossas alegrias e vossas tristezas, deixando que Ele ilumine com sua luz vossa mente e acaricie com sua graça vosso coração.

Nestes dias abençoados de alegria e de desejo de compartilhar, fazei a experiência libertadora da Igreja como lugar da misericórdia e da ternura de Deus para com os homens. Na Igreja e por meio da Igreja chegareis a Cristo que vos aguarda.

Em quem posso confiar?

Mateus refere no seu Evangelho a pergunta que ardia no coração dos Magos: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” (2, 2). Procurar Jesus era o objetivo de sua longa viagem a Jerusalém.

Por isso suportaram fadigas e sacrifícios, sem ceder ao desânimo e à tentação de voltar atrás. Também nós viemos a Colônia porque sentimos no coração, se bem que de forma diferente, a mesma pergunta que induziu aqueles homens do Oriente a pôr-se a caminho.

É verdade que hoje já não procuramos um rei, mas estamos preocupados pela situação do mundo e perguntamos: onde encontro os critérios para a minha vida, os critérios para colaborar de modo responsável na edificação do presente e do futuro do nosso mundo?

Em quem posso confiar? Onde está Aquele que pode dar-me a resposta satisfatória aos anelos do coração?

Uma encruzilhada: que caminho seguir?

Fazer estas perguntas significa, antes de tudo, reconhecer que o caminho não termina enquanto não se encontra Aquele que tem o poder de instaurar o Reino universal de justiça e de paz pelo qual os homens aspiram, se bem que não saibam construí-lo sozinhos.

Fazer tais perguntas significa, além disto, procurar Alguém que não se engana e não pode enganar, e por isso é capaz de oferecer uma certeza tão firme que vale a pena viver por ela e, se necessário for, também morrer por ela.

Queridos amigos, quando se apresenta no horizonte da existência uma resposta como esta, é preciso saber tomar as decisões necessárias.

É como alguém que se encontra numa encruzilhada: que caminho seguir? O que é sugerido pelas paixões ou o que é indicado pela estrela que brilha na consciência?

Nós também devemos fazer nossa opção

Os Magos, tendo ouvido a resposta em “Belém de Judá, porque assim escreveu o profeta” (Mt 2, 5), decidiram continuar o caminho até chegar ao final, iluminados por esta palavra.

Foram de Jerusalém a Belém; ou seja, a partir da palavra que lhes indicava o lugar onde se encontrava o Rei que buscavam foram até o encontro com aquele Rei, o qual é ao mesmo tempo o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

A nós também foi-nos dito aquela palavra. Nós também devemos fazer nossa opção. Na realidade, pensando bem, esta é precisamente a experiência que fazemos na participação em cada Eucaristia.

Com efeito, em cada Missa o encontro com a Palavra de Deus nos introduz na participação do mistério da Cruz e Ressurreição de Cristo, e deste modo nos faz entrar na Mesa Eucarística, na união com Cristo.

Em cada altar está presente Aquele que os Magos viram deitado sobre palhas: Cristo, o Pão Vivo descido do Céu para dar a vida ao mundo, o verdadeiro Cordeiro que dá sua própria vida para a salvação da humanidade.

Iluminados pela Palavra, é sempre em Belém – a “Casa do pão” – onde poderemos ter esse impressionante encontro com a indizível grandeza de um Deus que se humilhou a ponto de fazer-se pobre no presépio e dar-se como alimento no altar.

A felicidade que procurais está na Eucaristia

Queridos jovens, a felicidade que procurais, a felicidade que tendes o direito de saborear tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, oculto na Eucaristia.

Só ele dá plenitude de vida à humanidade! Com Maria, dizei o vosso “sim” ao Deus que deseja entregar-se a vós.

Repito-vos hoje o que disse no início do meu pontificado:

Quem deixa entrar Cristo (na própria vida) nada perde – nada, absolutamente nada – do que torna a vida livre, bela e grande. Não! Somente com essa amizade se abrem as portas da vida.

Só com essa amizade se desdobram realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com essa amizade experimentamos o que é belo e o que liberta.

Convencei-vos plenamente: Cristo nada tira do que em vós existe de formoso e grande; em vez disso, leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo.

 

Discurso na festa de acolhimento, 18/08/2005.

Os Santos nos indicam o caminho da felicidade

Queridos jovens,
Em nossa peregrinação com os misteriosos Magos do Oriente, chegamos ao momento que São Mateus relata no seu Evangelho: “Entraram na casa (sobre a qual parou a estrela), viram o Menino com Maria e, caindo de joelhos, O adoraram” (Mt 2, 11).

Eles eram dessas pessoas que “têm fome e sede de justiça”. Uma fome e sede que os levou a empreender o caminho; fizeram-se peregrinos para alcançar a justiça que esperavam de Deus e para se colocarem a seu serviço.

A vida do Santo revela a riqueza do Evangelho

Os Magos que vêm do Oriente são apenas os primeiros de uma longa lista de homens e mulheres que em sua vida buscaram constantemente com os olhos a estrela de Deus, buscaram o Deus que está próximo de nós, seres humanos, e nos indica o caminho.

É a multidão dos Santos – conhecidos ou desconhecidos – por meio dos quais o Senhor nos abriu ao longo da História o Evangelho, folheando suas páginas; e o está fazendo ainda.

Em suas vidas se revela a riqueza do Evangelho como em um grande livro ilustrado. São a estrela luminosa que Deus deixou no transcurso da História, e continua deixando ainda.

Os Bem-Aventurados e os Santos são pessoas que não  buscaram obstinadamente a própria felicidade, mas que quiseram simplesmente entregar-se, porque foram alcançados pela luz de Cristo.

Deste modo, eles nos indicam a via para sermos felizes e nos mostram como se consegue ser pessoas verdadeiramente humanas.

Nas vicissitudes da História, foram eles os verdadeiros reformadores que tantas vezes levantaram a humanidade dos vales escuros nos quais está sempre o perigo de se precipitar.

Não são as ideologias que salvam o mundo

Os Santos, dissemos, são os verdadeiros reformadores. Quero agora reafirmar de maneira mais radical ainda: só dos Santos, só de Deus, provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo.

No século passado vivemos revoluções cujo programa comum foi nada esperar de Deus, mas tomar totalmente nas próprias mãos a causa do mundo para transformar suas condições.

E vimos que, deste modo, se tomou um ponto de vista humano e parcial como critério absoluto de orientação. A absolutização do que não é absoluto, mas relativo, se chama totalitarismo. Não liberta o homem, mas o priva de sua dignidade e o escraviza.

Não são as ideologias que salvam o mundo, mas somente dirigir o olhar ao Deus Vivo, que é nosso criador, o garantidor de nossa liberdade, o garantidor daquilo que é realmente bom e autêntico.

A revolução verdadeira consiste unicamente em olhar para Deus, o qual é a medida do que é justo e, ao mesmo tempo, é o amor eterno. E o que pode nos salvar senão o amor?

Também hoje Cristo nos convida a ir adorá-Lo

“Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e caindo de joelhos O adoraram” (Mt 2, 11). Queridos amigos, esta não é uma história distante, de tempos atrás. É uma presença. Aqui, na Hóstia consagrada, Ele está diante de nós e entre nós.

Como naquela época, Ele se oculta misteriosamente em um santo silêncio e, como naquela época, revela precisamente assim o verdadeiro rosto de Deus.

Por nós se fez grão de trigo que cai na terra e morre, e dá fruto até o final do mundo (cf. Jo 12, 24). Ele está presente, como outrora em Belém. E nos convida a essa peregrinação interior que se chama adoração.

Ponhamo-nos agora a caminho para esta peregrinação do espírito, e peçamos a Ele que nos guie.

 

Discurso na vigília com os jovens, 20/08/2005.

 A Eucaristia deve ser o centro de nossa vida

Queridos jovens,

Com a Celebração Eucarística nos encontramos naquela “hora” de Jesus, da qual fala o Evangelho de João. Mediante a Eucaristia, esta sua “hora” se converte em nossa hora, sua presença no meio de nós.

“Isto é meu Corpo entregue em sacrifício por vós. Este cálice é a Nova Aliança selada com meu Sangue”. E assim distribui o pão e o cálice, e, ao mesmo tempo, dá-lhes a tarefa de voltar a dizer e fazer sempre em sua memória aquilo que estava dizendo e fazendo naquele momento.

A Eucaristia deve chegar a ser o centro de nossa vida.

Não deixeis de participar na Missa dominical!

Não se trata de positivismo ou ânsia de poder, quando a Igreja nos diz que a Eucaristia é parte do domingo. Na manhã de Páscoa, primeiro as mulheres e depois os discípulos tiveram a graça de ver o Senhor.

Desde então souberam que o primeiro dia da semana, o domingo, seria o dia d’Ele, de Cristo. O dia do início da criação seria o dia da renovação da criação. Criação e Redenção caminham juntas. Por isto é tão importante o domingo.

É bonito que hoje, em muitas culturas, o domingo seja um dia livre. Mas esse tempo livre fica vazio se nele não está Deus.

Queridos amigos! Às vezes, em princípio, pode resultar incômodo ter de programar no domingo também a Missa. Mas se nisso vos empenhardes, constatareis mais tarde que é exatamente isso o que dá sentido ao tempo livre.

Não vos deixeis dissuadir de participar na Eucaristia dominical, e ajudai também os demais a descobri-la. Certamente, para que dela emane a alegria de que necessitamos, devemos aprender a compreendê-la cada vez mais profundamente, devemos aprender a amá-la.

Comprometamo-nos a isso, vale a pena! Descubramos a íntima riqueza da Liturgia da Igreja e sua verdadeira grandeza: não somos nós que fazemos festa para nós, mas sim o próprio Deus vivo que prepara uma festa para nós.

Com o amor à Eucaristia redescobrireis também o Sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus permite sempre iniciar de novo nossa vida.

Ajudai os homens a descobrir Jesus Cristo!

Quem descobriu Cristo deve levar outros para Ele. Não se pode guardar para si mesmo uma grande alegria. Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que indica o caminho: Jesus Cristo!

Eu sei que vós, como jovens, aspirais a coisas grandes, que quereis comprometer-vos por um mundo melhor.

Demonstrai isso aos homens, demonstrai-o ao mundo, que espera exatamente este testemunho dos discípulos de Jesus e que, sobretudo mediante vosso amor, poderá descobrir a estrela que como crentes seguimos.

Caminhemos com Cristo e vivamos nossa vida como verdadeiros adoradores de Deus!

 

Homilia na Missa de Encerramento da JMJ, 21/08/2005.