A imitação de Jesus Bom Pastor é, para cada sacerdote, o caminho obrigatório para sua santificação e a condição essencial para exercer responsavelmente o ministério pastoral. 

Se isto é válido para os presbíteros, é ainda mais válido para nós, estimados irmãos Bispos.

Aliás, é importante não esquecermos que uma das tarefas essenciais do Bispo é precisamente a de ajudar, mediante o exemplo e o apoio fraterno, os sacerdotes a seguirem fielmente a sua vocação e a trabalharem com entusiasmo e amor na vinha do Senhor.

A união com Cristo, segredo da fecundidade do ministério

A este propósito, na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis, o meu venerado predecessor João Paulo II pôde observar que o gesto do sacerdote, quando põe as suas mãos nas mãos do Bispo no dia da ordenação presbiteral, compromete ambos: o sacerdote e o Bispo.

O neopresbítero escolhe confiar-se ao Bispo e, por sua vez, o Bispo compromete-se a salvaguardar aquelas mãos.1

Em última análise, esta é uma tarefa solene que se configura para o Bispo como responsabilidade paterna, ao conservar e promover a identidade sacerdotal dos presbíteros confiados aos seus cuidados pastorais, uma identidade que hoje, infelizmente, vemos posta à prova pela secularização crescente.

Portanto, o Bispo – continua a Pastores gregis

procurará sempre comportar-se com os seus sacerdotes como pai e irmão que os ama, escuta, acolhe, corrige, conforma, busca a sua colaboração e cuida o melhor possível do seu bem-estar humano, espiritual, ministerial e econômico.2

De modo especial, o Bispo é chamado a alimentar nos sacerdotes a vida espiritual, para favorecer neles a harmonia entre a oração e o apostolado, olhando para o exemplo de Jesus e dos Apóstolos, que Ele chamou, como nos diz São Marcos, antes de tudo para que “permanecessem com Ele” (Mc 3, 14).

Efetivamente, uma condição indispensável para que produza frutos de bem é que o presbítero permaneça unido ao Senhor; aqui está o segredo da fecundidade do seu ministério: somente se estiver incorporado em Cristo, autêntica Videira, dará fruto. 

O tempo consagrado à oração é sempre o melhor utilizado

A missão de um presbítero e, com maior razão, de um Bispo, comporta hoje em dia uma quantidade de trabalho que tende a absorvê-lo continua e totalmente.

As dificuldades aumentam e as incumbências vão-se multiplicando, também porque nos encontramos diante de realidades novas e de maiores exigências pastorais. 

Todavia, a atenção aos problemas de todos os dias e às iniciativas destinadas a conduzir os homens pelo caminho de Deus nunca devem distrair-nos da união íntima e pessoal com Cristo, desta permanência com Ele.

O fato de estarmos à disposição das pessoas não deve diminuir nem ofuscar a nossa disponibilidade para o Senhor. 

O tempo que o sacerdote e o Bispo consagram a Deus na oração é sempre o melhor utilizado, pois que a oração é a alma da atividade pastoral, a “linfa” que lhe infunde vigor, é o sustentáculo nos momentos de incerteza e de desânimo, e a nascente inesgotável de fervor missionário e de amor fraterno para com todos.

Modos de prolongar a ação santificadora da Eucaristia 

No centro da vida sacerdotal está a Eucaristia. Na Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, sublinhei o modo como “a Santa Missa é formadora no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configuração a Cristo e reforça o sacerdote na sua vocação”.3

Por conseguinte, a celebração eucarística ilumine toda a vossa jornada e a dos vossos sacerdotes, imprimindo a sua graça e a sua influência espiritual nos momentos tristes ou alegres, agitados ou tranquilos, de ação ou de contemplação. 

Um modo privilegiado de prolongar no dia a misteriosa ação santificadora da Eucaristia é a recitação devota da Liturgia das Horas, assim como a adoração eucarística, a lectio divina e recitação contemplativa do Rosário.

 

Excerto do discurso por ocasião do encontro com os Bispos ordenados durante o último ano, 21/09/2009.

1 Cf. Pastores gregis, n.47.
2 Idem, ibidem.
3 Sacramentum caritatis, n.80.