“Identificado como homem, se humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2, 7 8).

Estimados jovens, tenho a impressão de vislumbrar nessa palavra de Deus sobre a humildade uma mensagem importante e mais atual do que nunca para vós, que desejais seguir Cristo e fazer parte da sua Igreja.

Não tenhais medo de ser diferentes

A mensagem é a seguinte: não sigais o caminho do orgulho, mas sim o itinerário da humildade.

Ide contra a corrente: não escuteis as vozes interessadas e sedutoras que hoje, de muitas partes, difundem modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso, custe o que custar, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser.

De quantas mensagens, que chegam até vós, sobretudo através dos mass media, vós sois destinatários!

Sede vigilantes! Sede críticos! Não sigais a onda produzida por essa poderosa ação de persuasão.

Prezados amigos, não tenhais medo de preferir os caminhos “alternativos”, indicados pelo amor autêntico; um estilo de vida sóbrio e solidário; relacionamentos afetivos sinceros e puros; um compromisso honesto no estudo e no trabalho; e o profundo interesse pelo bem comum.

Não tenhais medo de ser diferentes e criticados por aquilo que pode parecer uma derrota ou estar fora de moda.

Os vossos coetâneos, mas inclusive os adultos, e especialmente aqueles que parecem mais distantes da mentalidade e dos valores do Evangelho, têm uma profunda necessidade de ver alguém que ousa viver em conformidade com a plenitude de humanidade, manifestada por Jesus Cristo.

O caminho da humildade é a vereda da coragem!

Queridos amigos, o caminho da humildade não é, portanto, a vereda da renúncia, mas sim da coragem. Não é o êxito de uma derrota, mas o resultado de uma vitória do amor sobre o egoísmo e da graça sobre o pecado.

Seguindo Cristo e imitando Maria, devemos ter a coragem da humildade; temos de confiar-nos humildemente ao Senhor, porque só deste modo poderemos tornar-nos instrumentos dóceis nas suas mãos: permitindo-Lhe fazer em nós grandes coisas. O Senhor realizou maravilhas em Maria e nos santos! [...]

Estimados jovens, como vedes, a humildade que o Senhor nos ensinou e que os santos puderam testemunhar, cada qual segundo a originalidade da sua própria vocação, constitui um estilo de vida de modo algum renunciatário.

Olhemos, sobretudo, para Maria: na sua escola, também nós, como Ela, podemos fazer a experiência daquele sim de Deus à humanidade da qual derivam todos os sins da nossa vida. É verdade, os desafios que deveis enfrentar são numerosos e grandes!

Porém, o primeiro deles permanece sempre o do seguimento de Cristo até ao fim, sem reservas nem compromissos. E seguir Cristo significa sentir-se como uma parte viva do seu corpo, que é a Igreja.

A Igreja é a nossa família

Não podemos definir-nos discípulos de Jesus, se não amamos e não seguimos a sua Igreja. A Igreja é a nossa família, na qual o amor ao Senhor e aos irmãos, sobretudo na participação eucarística, nos faz experimentar a alegria de poder antegozar já agora a vida futura que será totalmente iluminada pelo Amor.

O nosso compromisso quotidiano consista em vivermos aqui na Terra como se estivéssemos lá no alto. Portanto, sentir-se Igreja é uma vocação à santidade para todos; é o compromisso diário a construir a comunhão e a unidade, vencendo toda a resistência e superando toda a incompreensão.

Na Igreja nós aprendemos a amar, educando-nos para a recepção gratuita do próximo, a atenção solícita às pessoas que se encontram em dificuldade, os pobres e os últimos.

A motivação fundamental que une os crentes em Cristo não é o sucesso, mas o bem, um bem que é tanto mais autêntico, quanto mais é compartilhado, e que não consiste antes de tudo no haver ou no poder, mas sim no ser.

É assim que se edifica a cidade de Deus com os homens, uma cidade que contemporaneamente cresce a partir da Terra e desce do Céu, uma vez que se desenvolve no encontro e na colaboração entre os homens e Deus (cf. Ap 21, 2-3).

Às novas gerações é confiado o porvir do planeta

Caros jovens, seguir Cristo comporta, além disso, o esforço constante em vista de dar a própria contribuição para a edificação de uma sociedade mais justa e solidária, onde todos possam gozar dos bens da Terra.

Bem sei que muitos de vós já se dedicam com generosidade ao testemunho da própria fé nos vários âmbitos sociais, atuando no setor do voluntariado, trabalhando para a promoção do bem comum, da paz e da justiça em todas as comunidades.

Um dos campos em que parece urgente atuar é, sem dúvida, o da salvaguarda da criação. Às novas gerações é confiado o porvir do planeta, em que são evidentes os sinais de um desenvolvimento que nem sempre soube tutelar os delicados equilíbrios da natureza.

Antes que seja demasiado tarde, é preciso tomar decisões corajosas, que saibam criar de novo uma forte aliança entre o homem e a Terra.

São necessários um sim decisivo à tutela da criação e um compromisso vigoroso em vista de inverter as tendências que correm o risco de levar a situações de degradação irreversível.

Por isso, apreciei a iniciativa da Igreja italiana, de promover a sensibilidade sobre as problemáticas da salvaguarda da criação, proclamando um Dia Nacional que se celebra precisamente no dia 1º de setembro.

No corrente ano, presta-se atenção sobretudo à água, um bem extremamente precioso que, se não for compartilhado de maneira equitativa e pacífica, infelizmente vai se tornar um motivo de tensões duras e conflitos ásperos.

Convite para o Dia Mundial da Juventude

Diletos jovens amigos, depois de ter ouvido as vossas reflexões da tarde de ontem e desta noite, deixando-me orientar pela Palavra de Deus, agora desejei confiar-vos estas minhas considerações.

Considerações que tencionam ser um encorajamento paternal a seguirdes Cristo para, assim, serdes testemunhas da sua esperança e do seu amor.

Quanto a mim, continuarei a permanecer ao vosso lado mediante a oração e com o afeto, a fim de poderdes continuar com entusiasmo o caminho do Ágora, este singular percurso trienal, feito de escuta, de diálogo e de missão.

Concluindo hoje o primeiro ano com este maravilhoso encontro, não posso deixar de vos convidar a ter em vista o grandioso encontro do Dia Mundial da Juventude, que terá lugar em Julho do ano próximo em Sydney.

Convido-vos a preparar-vos para aquela grande manifestação de fé juvenil, meditando sobre a Mensagem que aprofunda o tema do Espírito Santo para viver em conjunto uma nova Primavera do Espírito. Portanto, espero-vos em grande número também na Austrália, na conclusão do vosso segundo ano do Ágora.

Enfim, voltemos mais uma vez os nossos olhos para Maria, modelo de humildade e de coragem.

Ajuda-nos, Virgem de Nazaré, a ser dóceis ao Espírito Santo, como tu mesma foste; ajuda-nos a nos tornar cada vez mais santos, discípulos apaixonados do teu Filho Jesus.

Sustenta e acompanha estes jovens, a fim de que sejam jubilosos e incansáveis missionários do Evangelho no meio dos seus coetâneos, em todos os recantos da Itália. Amém!

 

Excertos de: Bento XVI. Homilia na Concelebração Eucarística no Vale de Monterso – Loreto, 2/9/2007.