Como encerramento do Congresso dos Movimentos e Comunidades eclesiais, o Pontifício Conselho para os Leigos organizou uma vigília de Pentecostes na Praça de São Pedro, em presença de Bento XVI.
Os promotores contavam com o comparecimento de 250 mil pessoas… Entretanto, uma multidão de 450 mil fiéis lotou toda a Praça e se espraiou pela Via della Conciliazione até o Castelo de Santo Ângelo e pelas ruas adjacentes.
Um número tão inesperado que causou preocupação às autoridades da Defesa Civil, obrigando-as a tomar medidas especiais, como a instalação de seis hospitais de campanha para atender casos de desmaios, insolação e outras ocorrências rotineiras em tais circunstâncias.
Um quadro grandioso que patenteia a força da Igreja
O ambiente era de serenidade e alegria, e ouvia-se música de todos os lados, especialmente melodias gregorianas e cantos religiosos populares.
Os fundadores e os dirigentes dos Movimentos e Comunidades tiveram o privilégio de serem colocados muito perto do trono do Papa, em face aos Cardeais.
Às 17h30 Bento XVI entrou na Praça, acolhido com uma monumental ovação.
A figura do Papa, vestido de branco, com os ombros cobertos pelo mantelete vermelho bordado de arminho, o solidéu deixando ver parte dos cabelos prateados, seu tocante ar de bondade, os gestos de saudação e as bênçãos dadas à multidão provocavam calorosos aplausos, enquanto erguiam-se e agitavam-se bandeiras de quase todos os países do mundo cristão.
O Pontífice percorreu toda a Praça de São Pedro e, dado que havia uma grande multidão na Via de la Conciliazione, dirigiu se para ali também, chegando até o Castelo de Santo Ângelo.
É difícil transmitir o sentimento que nos tomou naqueles inesquecíveis momentos.
O ancião-pontífice abençoando a multidão, os guardas suíços prestando honras, o povo aclamando e agitando bandeiras – havia inclusive três de Israel –, tudo isso constituía um quadro grandioso.
Quadro que nos fazia ver a força e a indestrutibilidade da Santa Igreja Católica, trazendo-nos à mente a promessa de seu divino Fundador: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
União com o Sucessor de Pedro e os sucessores dos Apóstolos
O percurso do Papa por entre suas centenas de milhares de filhos estendeu-se por meia hora. Às 18h ele chegou ao local onde se desenrolaria a cerimônia. Imediatamente rezou o Regina Cæli e deu início ao canto das Vésperas.
Entre um salmo e outro, alguns dirigentes de Movimentos leigos fizeram uso da palavra, lendo uma meditação: Andrea Ricardi, da Comunidade de Santo Egídio; Kiko Arguello, dos Neocatecumenais; e o Pe. Julián Carrón, de Comunhão e Libertação.
Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, havia sido também escolhida, mas, estando muito enferma, enviou uma carta para ser lida por uma representante.
No fim do cântico dos salmos, Bento XVI pronunciou uma homilia de grande profundidade teológica sobre o Espírito Santo, Criador e Vivificador, denominado no hino das Vésperas como fons vivus, fonte viva: “Estimados amigos, os Movimentos nasceram precisamente da sede da vida verdadeira; são Movimentos pela vida sob todos os aspectos”.
A multidão ouvia atentamente as palavras do Pontífice, com uma mescla de recolhimento, serenidade e entusiasmo, muito bem simbolizados pelo entardecer luminoso de Roma.
Finda a homilia, rezou-se o Magnificat, e dois representantes dos Movimentos eclesiais expressaram um agradecimento ao Papa: Patti Gallagher Mansfield, da Renovação Carismática Católica, e Luis Fernando Figari, do Movimento de Vida Cristã.
Bento XVI abençoou a multidão, em meio a outra estrondosa e exultante ovação que se prolongou enquanto ele se retirava em solene cortejo com os Cardeais, Bispos e prelados, escoltado por guardas suíços, entrando pela porta principal da Basílica de São Pedro.