Pode-se considerar o serviço nas Nunciaturas Apostólicas como sendo uma vocação sacerdotal específica, um ministério pastoral que comporta uma particular inserção no mundo e em suas problemáticas de caráter social e político, frequentemente muito complexas.
É, pois, importante aprender a decifrá-las, sabendo que o “código”, por assim dizer, para analisar e compreender essas dinâmicas só podem ser o Evangelho e o perene Magistério da Igreja.
É necessário que vos formeis na observação atenta das realidades humanas e sociais, a partir de uma certa sensibilidade pessoal, que todo servidor da Santa Sé deve possuir, e usufruindo de uma experiência específica a ser adquirida durante estes anos.
O Senhor vos quer Santos
Além disso, a capacidade de diálogo com a modernidade, que vos é requerida, como também o contato com as pessoas e as instituições que elas representam, exigem uma estrutura interior robusta e uma solidez espiritual capaz de salvaguardar e evidenciar sempre mais vossa identidade cristã e sacerdotal.
Somente assim podereis evitar os efeitos negativos da mentalidade mundana, e não vos deixareis atrair nem contaminar por lógicas demasiadamente terrenas.
Já que o próprio Senhor é quem vos solicita a exercer na Igreja essa missão – mediante a convocação do vosso Bispo que vos indica e põe à disposição da Santa Sé –, é ao Senhor mesmo que deveis sempre e sobretudo fazer referência.
Nas horas de obscuridade e de dificuldades interiores, voltai vosso olhar para Cristo que um dia vos fitou com amor e vos convidou a estar com Ele e a ocupar-vos, em sua escola, do seu Reino.
Lembrai-vos sempre de que, para o ministério sacerdotal, qualquer que seja o modo de exercitá-lo, é essencial e fundamental manter um vínculo pessoal com Jesus.
Ele quer que sejais seus “amigos”; amigos que procuram sua intimidade, seguem seus ensinamentos e se empenham em torná-Lo conhecido e amado por todos.
O Senhor vos quer Santos, isto é, totalmente d’Ele, sem preocupação de construir para si uma carreira humanamente interessante ou cômoda.
Sem procurar o sucesso nem os aplausos dos homens, mas inteiramente dedicados ao bem das almas, dispostos a cumprir até o fim o próprio dever, e com a consciência de ser “servos inúteis”, alegres por poder oferecer um pequeno contributo à difusão do Evangelho.
“Sede, antes de tudo, homens de intensa oração”
Caros sacerdotes, sede, antes de tudo, homens de intensa oração que cultivam uma comunhão de amor e de vida com o Senhor. Sem esta sólida base espiritual, como conseguireis perseverar no vosso ministério?
Quem assim trabalha na vinha do Senhor, sabe que nunca se perde aquilo que é feito com dedicação, com sacrifício e por amor.
E se por vezes nos acontece saborear o cálice da solidão, da incompreensão e do sofrimento, se às vezes nos parece pesado o serviço, e a cruz, difícil de ser carregada, sirva-nos de ajuda e conforto a certeza de que Deus sabe tornar tudo fecundo.
Sabemos que o tamanho da cruz, bem simbolizada na parábola do grão de trigo que é enterrado e morre para produzir fruto – imagem usada por Jesus pouco antes da sua Paixão –, é parte essencial da vida de todo homem e de toda missão apostólica.
Em qualquer situação, devemos oferecer alegremente a Deus o testemunho de nossa adesão ao Evangelho, acolhendo o convite do Apóstolo Paulo a nos gloriarmos exclusivamente na Cruz de Cristo, com a única ambição de completar em nós mesmos o que falta às tribulações do Senhor, em benefício do seu Corpo que é a Igreja (cf. Cl 1, 24).
Uma ocasião preciosa para renovar e reforçar vossa generosa resposta à convocação do Senhor, para intensificar vossa relação com Ele, é o Vianney, o Santo Cura d’Ars, de cuja morte nos preparamos para celebrar o 150º aniversário.
Ano Sacerdotal, que se iniciará em 19 de junho, solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus e Jornada de Santificação Sacerdotal. Aproveitai ao máximo essa oportunidade para serdes sacerdotes segundo o Coração de Cristo, como São João Maria.