Vim pessoalmente a esta vossa terra maravilhosa e ferida, que está a viver dias de grande dor e precariedade, para vos expressar do modo mais direto a minha cordial proximidade.
Estou ao vosso lado desde o primeiro momento, desde quando tomei conhecimento daquele violento abalo do terremoto que, na noite do passado dia 6 de abril, provocou quase 300 vítimas, numerosos feridos e ingentes danos materiais às vossas casas.
Segui com apreensão as notícias, partilhando o vosso pavor e as vossas lágrimas pelos defuntos, juntamente com as vossas trepidantes preocupações por quanto num instante perdestes.
Agora estou aqui, entre vós: gostaria de vos abraçar um por um com afeto.
Toda a Igreja está aqui comigo, ao lado dos vossos sofrimentos, partícipe do vosso sofrimento pela perda de familiares e amigos, desejosa de vos ajudar na reconstrução de casas, igrejas, empresas desabadas ou gravemente danificadas pelo sismo. […]
Ao vir aqui, a Onna, um dos centros que pagou um alto preço em termos de vidas humanas, posso imaginar toda a tristeza e sofrimento que suportastes nestas semanas.
Se tivesse sido possível, teria desejado visitar cada cidade e bairro, ir a todos os acampamentos e encontrar todos. […]
Poder-se-ia dizer, queridos amigos, que vos encontrais, de certo modo, no estado de espírito dos dois discípulos de Emaús, dos quais fala o Evangelista Lucas. Depois do acontecimento trágico da Cruz, regressavam à casa desiludidos e amargurados, pelo “fim” de Jesus.
Parecia que já não existia esperança, que Deus Se tivesse escondido e já não estivesse presente no mundo. Mas, ao longo do caminho, Ele aproximou-Se e pôs-Se a falar com eles.
Embora não O tivessem reconhecido com o olhar, algo despertou nos seus corações: as palavras daquele “Desconhecido” reacenderam neles aquele ardor e confiança que a experiência do Calvário tinha feito esmorecer.
Eis, queridos amigos: a minha pobre presença entre vós pretende ser um sinal evidente do fato que o Senhor crucificado vive, que está conosco, que ressuscitou realmente e não nos esquece, não nos abandona.
Não deixa desatendidos os vossos pedidos sobre o futuro, não é surdo ao grito preocupado de tantas famílias que perderam tudo: casas, poupanças, trabalho e por vezes também vidas humanas.